2.2.06

Enfim... vamos as coisas mais importantes!!

Bom, desisti de publicar aqui o material lá que escrevi falando sobre o nosso querido “referendo”, afinal, ninguém estava lendo mesmo aquele monte de porcaria conspiratória, vou publicar isso em um outro espaço na Internet (talvez o meu site pessoal).

Vou voltar a usar isso aqui como depósito de idéias minhas mesmo, falando das coisas e satirizando os fatos da minha vidinha estúpida.

Parei para dar uma olhada em volta e estou rolando de rir com a quantidade de estereótipos novos que eu acabei por pescar por aí. Preciso pegar firme escrever sobre, mas logo, queridos, logo... daqui a pouco eu convito a Jorgette (amiga minha do blog http://abibamaishetero.blogspot.com que está aposentada do mundo dos blogs pois resolveu viver um pouco o glamour da bicha caipira e foi para algum lugar bem longe das ceninhas por aí). Ela me prometeu que ia mandar um e-mail sobre as novidades, contando suas aventuras e desventuras. Estou esperando.

Aliás, mais uma vez, venho afirmar que o meu zine vai sair neste ano, o Inv(ó)lucro, que tem blog já e vocês podem ficar por dentro do que mais ou menos vamos enfiar de salada lá no meio.

16.1.06

Continuação dos posts falando sobre o Referendo. Depois publico isso tudo em único post. Mas vou colocando em doses homeopáticas.

2. Por que diabos o referendo aconteceu?

Bom, se vocês tem preguiça de ler o tanto de coisa que está escrita dentro do Estatuto do Desarmamento, então vamos resumir aqui para você.

A lei foi colocada em vigor pelo então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, em [data] de 2003 e regulamentava diversos aspectos que ficaram sem uma definição mais objetiva quanto à compra de armas de fogo e munição. Essa lei aumentou também a idade para a compra de armas e munição, sem contar com alguns pontos que determinavam com mais clareza as formas de aquisição, manutenção e porte das mesmas.

Nela estava inserido um parágrafo que determinava que no ano de 2005 deveria ser realizado um plebiscito nacional perguntando para a população se um item dentro da lei seria aplicado ou não, que era sobre a proibição do cidadão comum de comprar armas e munições se não se enquadrar em algumas exceções determinadas dentro da dita lei.

Também está escrito nessa lei que em novembro e dezembro de 2004 uma campanha de desarmamento voluntário seria feita para que a população se livrasse de suas armas, legais ou ilegais, ressarcidos pelo governo de acordo com o valor de cada arma e, caso a arma fosse ilegal, fosse comprovada a boa fé do ato.

Isso aconteceu de fato e muita gente ganhou uma grana com aquele revólver velho que estava embaixo do colchão ou que o caseiro achou jogado dentro da sua propriedade em São Roque.

Porém, alguns fatos devem ser especulados para a gente entender melhor porque essa lei não passou direto, já que todo o resto aconteceu.

Vocês já ouviram falar antes de referendo para determinar a validade de qualquer aspecto em quaisquer leis já passadas pelo congresso? Tirando o Plebiscito de 1992 para determinar qual regime político o Brasil iria adotar eu não lembro de nenhuma outra vez!

Enquanto isso os salários dos deputados são aprovados por uma coisa chamada Lei Orçamentária, que acho que todo brasileiro deveria conhecer para ficar putíssimo da vida com seus “líderes eleitos” e “representantes no congresso, senado e câmara de vereadores”.

Depois de pensar no volume zero de leis aprovadas via participação popular direta, resolvi questionar alguns pontos e levantar algumas coisas para ver se só eu via algo estranho saindo daquela moita de boas vontades (não lhe ensinaram a duvidar quando a esmola é muita?).

Alguns motivos que me vieram à cabeça e soaram muito plausíveis são:

13.1.06

Continuação dos posts que falam sobre o referendo. O texto é MUITO grande, estou quase fazendo uma página pra colocar na net com essas idéias... quem sabe assim as pessoas levam mais a sério, porque em blog, ninguém lê mesmo!!! :/

d. A idiota idéia do “direito de se ter uma arma”

Está preso no inconsciente humano que “é preciso se defender”. As pessoas então acreditam no direito que elas tem de se defender com o item mais perigoso que elas podem ter. Já que não vendem bombas atômicas domésticas (nem tanques e nem aviões de combate, droga!!!!) para você ameaçar o seu vizinho ou aquele assaltante de merda que queria levar a sua televisão, então o jeito é apelar para itens mais acessíveis.

O ladrão comum não é aquele bandido que aparece no noticiário das 20h com capuz e uma AR-15 na mão ou muito menos aquele que tem uma granada e vai arremessar sobre o capô do seu carro. Esse criminoso é um outro tipo de criminoso, que você não vai enfrentar com sua pistola guardada embaixo do travesseiro. O que você vai enfrentar será aquele ladrão que vai roubar para se sustentar ou comprar comida pra família ou drogas ou seja lá o que for, com um revólver como o seu, adquirido de um furto em uma outra residência ou comprado legalmente em algum momento.

Esse criminoso também tem o direito de possuir uma arma e vai usar ela para o crime. Tal direito existe porque as pessoas, em um momento qualquer, acharam que seria interessante se defender e está ligado com a sensação de poder que arma trás (já mencionada anteriormente).

Voltando ao tal “é preciso se defender”, a arma de fogo não é o problema da auto-defesa. Em algumas cidades medievais era proibido o porte de armas brancas (nome bonitinho dado para espadas, adagas, machados e outras coisas que furavam-cortavam-estripavam pessoas) dentro dos muros da cidade. Os únicos que podiam fazer isso eram nobres e agentes da lei. Fora dos muros da cidade, qualquer cidadão poderia ter uma dessas coisinhas meigas em mãos e poderia usar isso se necessário para furar os olhos daquele ladrãozinho sacana que roubava galinhas ou do amante da sua esposa se o pegasse em cima da dita.

O tempo passou e em algumas cidades mais modernas isso continuou a acontecer e com o tempo as pessoas começaram a perceber que manter armas em mãos civis sempre era problema, que o jeito era deixar isso nas mãos de agentes legais e magistrados, afinal, mortes causadas por bêbados e por outras figuras notórias da sociedade aconteciam aos montes por “acidente”.

Só que algum estúpido começou a usar a pólvora com fins militares e lá se foi tudo. A macheza de se empunhar uma arma branca nada era comparada à macheza de segurar um mosquete. No primeiro você tinha que estar perto demais do alvo para poder fazer um estrago significativo (e flechas, queridos, nem sempre eram úteis quando a briga estava acontecendo, mas sim para tocaias e jogo covarde!!!!) e no segundo você fazia um estrago bem maior e podia ficar a metro de distância – a coragem e a bravura ganharam significado totalmente diferente depois do mosquete, não tenham dúvidas.

Pronto, depois disso uma certa nação que todos conhecemos começou a usar as armas de fogo para massacrar índios e guerrear contra a Inglaterra e a França. Sim, são os norte-americanos, que mantiveram a idéia de que é preciso armas para defender seus lares e escreveram isso lá na constituição deles, como um dos itens essenciais de sua cultura. E deu no que deu, uma nação bélica que só sabe resolver as coisas no tiro, porque não tem coragem de fazê-lo no tapa (Hei, não lembram do Vietnam? Quando eles começaram a enfrentar o inimigo de igual para igual o que eles fizeram? Claro! Deram no pé rapidinho!).

Como eles mandaram no mundo por um bom tempo (e ainda mandam, assumamos), isso começou a tomar uma dimensão de dar medo. As armas entraram em nossa vida pelo cotidiano, pela televisão, pelo cinema, pelos quadrinhos e por tanto lugar que até acreditamos que elas eram mesmo necessárias.

Criamos uma indústria gigantesca que ganha bilhões por ano vendendo armas para civis e mais bilhões vendendo armas ainda mais potentes para os países que adoram gastar munição no vizinho (alguns gastam a munição internamente mesmo, sem dúvida). Sem contar que muitas das armas que deveriam alimentar a guerra dos paises brigões acaba escapando e caindo na mão do crime. E daí começam as pessoas a evocar outra vez o direito de se defender, mas dessa vez, por favor, chamem o Exército porque eu não posso com um AR-15 com bala de rastro, tá?!

(Continua, tem muito mais ainda!! Sim, eu perdi MUITO tempo escrevendo essa meleca toda, mesmo sabendo que não seria útil pra ninguém quase - acho que algumas pessosa vão acabar utilizando isso pra trabalhos escolares, só pra isso mesmo, afinal, ninguém precisa pensar, se gado é melhor que ser pastor).

9.1.06

Ainda continuação dos posts relativos ao referendo do ano passado.

c. Com a cultura do “se o estado não consegue defender minha família, vou fazê-lo por conta”.

A maioria da população, apavorada pela possibilidade de ter seus filhos agredidos, sua casa invadida e sua privacidade violada, acredita que deve ter o direito de se defender por conta.

Só que o que as pessoas não sabem é que é crime sim atirar pra em alguém que tentar entrar em sua casa, mesmo que quem esteja cometendo o crime seja o alvo da agressão. Atirar no individuo vai lhe render um bom processo criminal, mas você vai acabar se safando, afinal, caralho, era você defendendo a sua família!!!!

Porém, isso também abre para que você defenda a sua propriedade. Quando você defende pessoas acho completamente válido você tentar de tudo para manter a segurança de seus entes queridos, agora, meter bala em alguém porque ele está levando embora a sua televisão é bem fora de medida. Não estou dizendo que é certo o filha da puta do ladrão levar a sua televisão e que você não deve reagir quando lhe roubam, mas quando você coloca as coisas inanimadas acima da vida, algo está muito errado na sociedade em que vivemos?

Ao menos que você ache certo cortar a mão de um ladrão e enforcar pessoas em praça pública. Se você é um dos que acredita que a solução de todos os problemas está nisso, uma boa dica é você se mudar para um país dentro de um regime fundamentalista muçulmano (a lista até que é extensa) ou voltar para a idade média (aproveite e queime algumas “bruxas” por mim?).

Não acredito, de maneira alguma, que a proteção familiar esteja ligada a um revólver. Posso proteger a minha família de outras maneiras. Isso fica um tanto quanto preso ao item onde eu falo que “as pessoas não se sentem seguras”.

Quando o estado não cumpre o seu papel, é natural que o ser humano pense em fazer o que não fazem por ele, não é mesmo? Lei básica da sobrevivência, não é mesmo?

6.1.06

Continuação do post de ontem!!!



b. A arma deixa a população mais “macha”

A sensação de poder que uma arma de fogo dá ao ser humano é sensacional. Você segura uma pistola na mão (estou falando de revólveres, viu?) e se sente o rei do mundo, mais que o Leonardo Di Caprio em Titanic. Estou falando isso porque já segurei uma em minhas mãos.

Quanto maior a arma, maior é a sensação de poder. É incrível como isso acontece. Você se sente invencível e que consegue fazer tudo o que quiser, como se a arma lhe desse superpoderes especiais – você é deslocado para uma posição de poder, porque você pode danificar coisas sem encostar nelas. As explicações são diversas para esse fenômeno, porém, eu ainda tenho cérebro que pensa mais do que as zonas do instinto e sei que o que eu tenho na mão vai causar alguns estragos que eu não vou poder remediar.

Esse sentimento de ter uma arma de fogo nas mãos e o poder que isso dá não poderia ser arrancado do brasileiro, ele não vai abrir mão desse acréscimo instantâneo ao tamanho de sua pica. Não vai largar a posição de poder tomada quando ele empunha seu revólver em um bar qualquer e mostra o quão macho ele é. Ter uma pistola em mãos dá virilidade ao caráter falho, mostra que o cara é macho mesmo que sua outra pistola não seja lá grande coisa.

E você acha que as pessoas iriam abrir mão desse “direito de macheza”?

Devido a esse poder todo que a arma de fogo representa, algumas pessoas ficaram com medo de abrir mão do tal “direito” de ter uma arma de fogo com medo que o estado lhes tirasse também o direito de falar o que se pensa ou o de significar algo.

Não se preocupem com isso, meus caros. Se realmente o estado quisesse tirar de vocês as armas eles o fariam. Vocês vão continuar sem acesso a fuzis, granadas, lança mísseis, morteiros, aviões de guerra, metralhadoras, artilharia anti-aérea e tanques – isso se vocês comprarem armas legalmente, porque em alguns lugares, na capital famosa de um estado famoso, você consegue até mesmo comprar esses itens, tirando os tanques e aviões de guerra (por enquanto). Caso o Estado achasse que deveria dar um golpe e colocar uma ditadura mais uma vez por nossas goelas abaixo a gente poderia se defender com essas pistolas todas. Todo mundo com seu revólver 38 na mão e suas espingardas de matar galinha! Iríamos fazer a revolução armada! Iríamos parar a máquina do Exército! Iríamos enfrentar todo o aparato militar não-tão-de-ponta das Forças Armadas com isso tudo e seríamos vitoriosos devido ao nosso super treinamento em como empunhar nossas armas todas! Seriamos exemplo para o resto do mundo!

Notaram que não faz diferença nenhuma armar todos os 180 milhões de habitantes do Brasil com uma arma de matar pardal na mão? Se eu tivesse um exército de verdade na minha cola, acho que eu choraria feito neném e largaria minha arminha em algum lugar, já que aquele encouraçado blindado de várias toneladas apontou o seu canhão com alguns bons quilos de explosivo para a casamata improvisada que eu fiz. “Eu me rendo” seria no mínimo uma frase inteligente, mas acho que na hora iria ser correria para qualquer lugar longe dali.

Você acha que o Estado é burro o suficiente para alimentar sua população com armas que possam criar resistência as suas forças armadas? Não, eles não seriam tão burros! Eles leram o manual de “Como governar uma nação” e também leram Maquiavel, sabe? Aquele cara que escreveu um livro chamado O Príncipe e que dá valorosas lições de como manter um povo na linha e ótimos argumentos para explicar o que acontece com as massas.

As desculpas são muitas, mas no final, tudo se resume a um déficit em tamanho ou potência que é suprido por um acessório que não tem nada a ver com sexo – ou têm?

(Parte 2 - continua...)

5.1.06

Depois do referendo

Agora que as coisas deram uma “esfriada” e já faz meses que a gente foi parar lá nas urnas, decidir se aquele tal do Estatuto do Desarmamento iria continuar valendo e “o comércio de armas de fogo e munição deveriam ser proibidas no Brasil”. Fomos as urnas e, bem como suspeitavam aqueles que deram uma paradinha para pensar sobre a questão, o povo decidiu que o comércio NÃO deveria ser proibido.

Então fica esse monte de gente “feliz” porque mantiveram seus direitos e, como se fosse em jogo de futebol, soltam por aí com orgulho que “seu ponto de vista estava certo”, como se seu time tivesse ganho o campeonato – só faltam os gritos de “É campeão! É campeão”. Bem, eu nunca achei que a maioria ditasse o que é certo, mas sim o paradigma moral e ideológico da sociedade, mas aí, é discussão para um outro momento (uma mesa de bar, talvez).

É preciso saber, antes de tudo, o que a dita “Lei do Desarmamento” dizia.

Isso vocês podem conferir em alguns links (mais deles vou colocar em “Referências do texto”, pois assim vocês ficam sabendo de onde eu tirei muitos dos argumentos aqui contidos):

Depois disso tudo que se passou, basta fazermos perguntas a nós mesmos, para ver o que mudou e o que vai ficar melhor ou pior (e vai por mim, as coisas vão ficar bem “quentes” daqui uns tempos, estou pensando seriamente em NÃO sair da cidade e morar em um prédio com condomínio BEM caro, com pelo menos 80% dos gastos com estrutura de segurança).

Então vamos nos perguntar e pensar um pouco. Isso faz bem às vezes (só as vezes, senão você pode incomodar alguém e, sabecumé, merrrmão, tu some).

(Vou postar uma parte por dia, são vááááárias páginas de texto, então, paciência. De hoje até semana que vem vocês ficarão saturados de conteúdo relacionado. Depois vou postar uma outra "viagem" minha, nada ligada a política).

1) Porque a “Lei de Desarmamento” não passou?

a. A população se sente insegura e isso é de conhecimento geral

Todo mundo sabe que o referendo não passou por um motivo bem claro: o brasileiro comum não se sente seguro. É de conhecimento geral, até você que está aí lendo isso em casa sabe disso, sentadinho na frente do seu computador, envolvido por entre quatro paredes, uma tranca na porta, uma grade lá fora no portão e, se você morar em um prédio, possivelmente com câmeras de vigilância, segurança interna, cerca elétrica, etc.

Pergunte para você mesmo se você se sente seguro, faça essa pergunta com mais seriedade e pergunte para você mesmo se você daria uma volta no centro da sua cidade as 22h, sem se preocupar com as pessoas que passam perto de você ou te olham do outro lado da rua.

Não adianta, o brasileiro não se sente seguro porque não acredita na eficácia da força policial.

Uma pesquisa feita pelo IBGF (Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, órgão de combate à criminalidade) consta que o medo é a insegurança é proporcional a classe social do cidadão. Esta pesquisa determina a resposta para a pergunta se a sensação de medo aumentou, diminuiu ou permaneceu a mesma do que em anos anteriores. As respostas para “sim, aumentou” foram:

Classe A* – 72%
Classe B* – 70%
Classe C* – 66%
Classe D* – 61%
Classe E* – 44%

* De acordo com a classificação econômica adotada pela Associação Nacional de Empresas de Pesquisa.

Ainda nessa pesquisa, 86% dos pesquisados disseram que sentem “muito inseguros” ou “inseguros”, entre as opções “muito inseguro”, “inseguro”, “seguro” ou “muito seguro”. Com uma concentração mais uma vez nas classes A e B de pessoas com um maior índice de insegurança, sendo que 90% deles se sentem muito inseguros ou inseguros.

Foi uma jogada suja perguntar se o brasileiro queria ou não manter o tal do “direito a se defender portando armas de fogo”, mesmo que a pergunta não tenha sido essa, é isso que eles fizeram. Se você não dá estrutura para alguém se sentir seguro, claro que a pessoa vai se agarrar à falsa idéia de segurança que a arma de fogo traz, naquele direito praticamente divino de defender a si mesmo, sua família, sua propriedade e seus valores através da maneira mais eficaz: com um revólver na mão.

(Parte 1 - continua...)

28.12.05

Querem nos roubar 6 milhões de reais!!!! E o pior, são os deputados!!!!

Tinha pensado em discorrer um fato que me deixou bem “de nariz torto” por esses dias. O que aconteceu foi que a Câmara do Deputados queria comprar licenças do Office da Microsoft no valor de 6 milhões de reais – “tudo bem”, você pode pensar, “eles precisam de programas de processamento de texto e outros mais para gerir os escritórios ou serviços”. Béééé! Pensamento errado! O Governo optou, há alguns anos, por utilizar o Open Office, uma iniciativa da Sun Microsystems de criar um processador de texto gratuito dentro dos preceitos do GNU (isso mesmo, de graça, sem ônus e de código aberto).

Agora, a Câmara alega que o Open Office não é necessário. Então isso ficou martelando em minha cabeça e eu ia fazer um baita texto falando todas as coisas que eu achava sobre, mas hoje entrei em meu navegador web (o Firefox, aliás, hehehe), abri meu leitor de RSS e dei de cara com uma matéria do site Web Insider, escrita por Ricardo Bánffy, que já disse quase tudo o que eu tinha em mente (eu ainda tenho outros argumentos, mas isso já nos faz pensar).

O nome da matéria é O Office dos deputados.

As matérias que me levaram a ficar matutando sobre o assunto são:

  1. Deputados reclamam e Câmara compra MS Office
  2. Câmara suspende pregão para adquirir MS Office

Agora, vendo essa besteirada toda, gostaria de convidar a todos vocês, que trabalham com tecnologia ou sabem o que isso significa, que tenham blog, flog ou qualquer espaço (vale até MSN), a divulgar essa palhaçada. Tá, eu sei que muita gente acha que não vai fazer diferença alguma, mas creio que devamos dar a devida atenção, pois isso é um abuso e um desperdício óbvio de dinheiro público.

Vamos nos mobilizar? A Internet ainda é democrática, vamos exercer nosso poder! :D

(Melhor fazer isso que enviar spam, que é atitude mal educada e, em muitos aspectos, ilegal).

27.12.05

A medicina brasileira é tão avançada que até uma das personalidades mais conhecidas de todos os tempos resolveu vir aqui se tratar. Aliás, o mais interessante, não é que ela veio se cuidar apenas por aqui, pessoal, é que ela está se utilizando do SUS para isso.



Quem? Oras, a Monalisa!


Monalisa permanece internada na UTI do Hospital do Servidor Público Municipal. Seu estado ainda é considerado grave.


Segundo matéria publicada no UOL.



Viu, e vocês ainda reclamam do sistema de saúde brasileiro!!!!

16.12.05

O tonto NUNCA foi o companheiro do Zorro, poxa!!

Vamos lá, essa é uma confusão bem velha (e bota velha nisso!!!). A nova novela das sete (blerg) da Rede Globo, a tal Bang-Bang trouxe uma idéia até que engraçadinha: o cantor e ator Sidney Magal interpreta uma paródia do Zorro. Junto com ele, o ator Eliezer Motta (que já fez pérolas como Batista, na Escolinha do Professor Raimundo, e o ajudante do Capitão Bicha, nos programas do Jô Soares) interpreta Tonto.

Legal, uma idéia fantástica, já que Zorro e Tonto eram companheiros na série de TV, mas nos últimos filmes das telas foi levado ao esquecimento – agora só faltava ele montar em seu cavalo, o Silver, e sair cavalgando para o sol poente. Opa. Opa. Perai, até eu to me enganando! Isso é confusão das grandes.

Zorro e Tonto nunca estiveram em uma mesma história, a não ser em qualquer crossover maluco que possa ter surgido por aí, no melhor estilo “Drácula versus Zorro” ou “Superman versus Alien”. Zorro é um personagem solitário, surgido em 1919, em um impresso daquela impressa amarela americana do começo do século XX escrito por Johnston McCulley, e que deu origem a muitos dos heróis de quadrinhos que conhecemos hoje (e de alguns que ainda são lembrados); só pra mencionar alguns deles: Super-Homem, Batman, Fantasma, Mandrake, Flash Gordon e, posteriormente, The Spirit (Eisner ruleeez!!!!). Depois de fazer sucesso em histórias escritas e desenhadas, Zorro foi para o cinema em 1920 com o “The Mark of Zorro”, nome parodiado atualmente para revitalizar o personagem em “The Mask of Zorro”, filme com Antonio Bandeiras, Katerine Zeta Jones, entre outros (esses valem o filme). O nome Zorro quer dizer raposa em espanhol, daí vem a atitude furtiva do herói que lutava, em uma Califórnia dominada pelos espanhóis (ela era parte da Coroa Espanhola, pra quem não sabia, e foi comprada pelos Estados Unidos, assim como o Novo México e outros estados americanos que pertenciam a “outras nações”), contra os nobres e ricos que injustiçavam o povo (qualquer semelhança com Robin Hood é mera influência, afinal, não se plagia nada no mundo - você apenas reconstextualiza as coisas, utilizando fortes influências, duh!).

Devido à febre do mascarado, não demorou muito para ser lançado uma série televisiva baseada na idéia de “justiceiro mascarado no tempo das carroças, cavalos e pistolas”. No início da febre “far west” (abrasileirada para “faroeste”) surgiu o Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, no original), com seu Cavalo chamado Silver e um companheiro índio chamado Tonto. Ah! Agora sim! Mas o tal do Cavaleiro Solitário não vestia preto, mas sim uma roupa branca com detalhes azuis (nos televisores e cinemas p&b nada de cores, apenas branco e cinza) e uma máscara preta cobrindo a face – bem diferente, aliás, do lenço amarrado por Zorro em sua face (a máscara lembrava muito a que The Spirit, escrito pelo gênio Will Eisner, usa).

Então, eram séries diferentes, com personagens diferentes. A única semelhança de fato era o período que elas se passavam, mas só isso, porque o Cavaleiro Solitário ficava lá pelas bandas do oeste americano, enfrentando índios malvados, bandoleiros e toda escória que aquele lugar poderia produzir (pelos padrões americanos, mas pensando bem, o Cavaleiro Solitário poderia ter dado uma sova na família Bush, não?). Agora, o Zorro, ficava lá no seu cantinho da Califórnia, batendo em espanhóis malvados que se aproveitavam do povo.

A confusão aconteceu aqui no Brasil devido à tradução em um dos filmes, que se chamava “Zorro – O Cavaleiro Solitário”. Meleca! A série de TV do Cavaleiro Solitário fez um sucesso danado por conta de algumas jogadas marqueteiras e todo mundo começou a confundir os dois personagens. A mídia da época ajudou muito nisso, mesmo sabido que The Lone Ranger havia se inspirado em El Zorro, já mencionado lá em cima. Com o tempo as coisas foram se confundindo e foi fácil mesclar a imagem do Cavaleiro com o Zorro, já que também este possuía uma série de TV também da mesma época.

Aprenderam, crianças? Cavaleiro Solitário não é sinônimo, apelido ou alcunha do Zorro, é um personagem diferente, beeeeem diferente do nosso tio mascarado e que vive em nossos corações. Tonto nunca esteve com Zorro. Silver não é o nome do cavalo do Zorro, que, na verdade, se chama Tornado (Hurricane no original). O Sargento Garcia nunca esteve do lado de um cara com máscara preta, roupa branca e azul, montado em um cavalo branco e com um índio norte-americano colado nele.


Espero que tenha sido um ótimo apanhado de informação inútil.

Quer saber tudo sobre o Cavaleiro Solitário? Então, se você tem conhecimento em inglês, aproveite: http://en.wikipedia.org/wiki/Lone_Ranger


Se quer saber mais sobre o Zorro, em inglês também, acesse e se divirta aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Zorro

Até

.

14.12.05

Ultimamente ando reparando nesses “nuevos medios” internéticos, que nem são tão “nuevos” assim. Blogs, fotologs, livejournals e um tanto de outros serviços que o pessoal usa para expor usa idéias ou seu cotidiano. Em uma instância maior, acabei por observar que as coisas “legais” ou “bonitas” acabam criando um certo desconforto. Quando a popularidade de alguém sobe, por motivo qualquer que seja, existe um movimento contrário de anti-popularidade que se levanta proporcional. Isso não é uma exceção, vi acontecer com amigos, conhecidos e com gente que eu nunca troquei sequer um “A”, mas que, como pude constatar, também tinham um fã-clube contrário, feito de pessoas que não gostavam da imagem absorvida.

Então parei e sentei para levantar motivos que podem fazer com que uma pessoa aja assim:

  1. Inveja
    Esse é o mais simples e comum dos motivos. Não dá pra explicar o que movem essas pessoas a não ser associar a elas esse pecado capital. Invejar é desejar para si o que uma pessoa tem, de forma nociva, depreciando o detentor daquele bem. Você pode invejar qualquer coisa, desde um item material até uma atitude. Como eu sou uma “pessoa culta” (referente ao item 3 deste texto) e quero provar para pessoas superiores que porventura leiam esse texto que não estou falando besteira, vou buscar ajuda no léxico.

    Segundo o Dicionário Hoauiss:


    Datação
    sXIII cf. FichIVPM
    Acepções
    ? substantivo feminino
    1 sentimento em que se misturam o ódio e o desgosto, e que é provocado pela felicidade, prosperidade de outrem
    2 desejo irrefreável de possuir ou gozar, em caráter exclusivo, o que é possuído ou gozado por outrem
    3 Derivação: por extensão de sentido.
    objeto da inveja
    Ex.: os jovens liberados de preconceitos são a i. da velha geração
    Não tem jeito, a inveja ainda move essa massa toda de gente enchendo o saco e querendo danificar o que a outra pessoa conseguiu. Talvez a inveja seja somada a um sentimento de frustração (será que preciso colocar o significado disso também?) que vai desencadear ataques e um tanto de idiotices gerados. Não contente em apenas reclamar, algumas pessoas tem idéias “super legais” de floodar os serviços, tira-los do ar ou pedir a ajuda para aquele amigo lammer para que ele possa “dar um jeitinho” no objeto de desejo/ódio.

    O que mais frustra estas pessoas é que, por mais que elas façam e desfaçam, a maioria dos atacados não se move ou comove com as intervenções efetuadas, aumentando assim a ira daquele que deseja o bem de outrem.

  2. “Ícone de Contracultura” ou “Síndrome do Anti-Pop”
    Já provaram por A + B que contracultura também gerar popularidade e o que é mais “legal” do que ser “do contra”? Hoje em dia isso nem tem tanta importância, mas nos anos 80 ser “do contra” era lindo, você podia ter qualquer idéia, mas ela tinha que ser contrária ao sistema de regras vigente para você ser “cool”. Como “torcer o nariz” dá um certo ar de superioridade, algumas pessoas desprovidas de segurança de ego fazem questão de usar como justificativa para seu desvio de personalidade.

    Pessoas que estão nesse grupo tendem a não gostar da moda de jeito algum e de dizer que a “moda fede” e coisas do tipo. Muitos adolescentes estão nesse grupo, afinal, é uma boa maneira de se mostrar diferente do mundo e superior a todo o resto quando se demonstra para a maioria que despreza que não faz parte dela devido a sua cruzada contra os “ídolos pop” ou elementos que julgam “populares” dentro de sua realidade.

  3. Falso intelectualismo
    Creio que esse seja bem semelhante a soberba, pois o individuo que mantém essa postura precisa provar para o mundo a sua inteligência e superioridade. Movido praticamente pelo mesmo motivo que o item anterior, o falso intelectual acaba sendo o mais chato de todos. Para justificar alguma defasagem em sua personalidade ele acaba por nutrir um orgulho estúpido e cego que faz com que o seu conhecimento o eleve a uma posição superior a todas as outras pessoas. O falso intelectual então começa a sua cruzada, tentando expurgar, tal como um cavaleiro medieval, todas as “formas de pensamento inferiores” de sua frente, iluminando os caminhos e dando uma existência mais plena de sentido. Essa idéia é um tanto quanto exagerada em um primeiro momento, mas só de parar alguns minutos já me veio a cabeça imagens de “falsos intelectuais”, que agem praticamente como fanáticos religiosos querem provar que o mundo está errado e que só sua visão salva.

Algumas coisas que não fazem sentido, para mim, é porque as pessoas não assumem que estão sentindo falta de algo e apenas vivem. Esse desejo por danificar o que o outro faz é incrivelmente humano, porém, desprezível. Deveríamos todos tentar lutar contra esse tipo de sentimento, pois a liberdade de se expressar não define que possamos ou devamos atacar com pedradas aquilo que não gostamos. E não estou falando de assuntos delicados como a ideologia religiosa, a sexualidade ou instituições políticas, apenas estou mencionando aqui coisas simples, como idéias pessoais, fotos do cotidiano e afins.

Quanto mais nos cegamos por nosso próprio ego (porque esses três motivos são gerados para alimentar o nosso desejo de compensar algo que nos falta), mais problemas causamos a nós mesmos e a sociedade que nos circunda.

Ao invés de ficarem pensando em como foder com seu vizinho, tentem melhorar a qualidade de todos que lhe rodeiam. Garanto que se toda essa força para fazer estragos fosse utilizada para construir coisas legais, o mundo seria um lugar bem melhor – senão todo ele, pelo menos a sua casa.

Antes de pensar em limpar o umbigo alheio, certifique-se que o seu está bem limpinho e, lembre-se, a sujeira, sua localização e sua quantidade estão dependentes do ponto de vista do observador.

Bom, fica aqui minha constatação, mas é só minha opinião, não é um dogma e nem mesmo uma regra, apenas o que observo (aliás, se tiverem outras idéias sobre, vamos compartilhar).