6.2.06

Nesse final de semana passei por situações bem chatas e a maioria delas acabou se desprendendo por conta do último post, dando minha opinião sobre o fechamento das casas “udigrudi” que ocorreu semana passada.

No post anterior eu não ofendi ninguém e deixei bem claro que as casas deveriam é se organizar e montar um órgão para sua defesa e também uma maneira de darem suporte àqueles que desejam ingressar nesse mercado.

Concorrência existe em todo lugar e até mesmo refrigerante faz propaganda agressiva. Se você não está caluniando ou denegrindo ninguém você pode utilizar de ironias e afins para fazer a sua propaganda.

O Guaraná Antártica atacou a Coca-Cola várias vezes com uma propaganda que mostrava de onde a frutinha do guaraná vinha e exibindo o local onde elas eram plantadas; no final do comercial vinha a frase: “Nós mostramos de onde vem a nossa matéria prima. E a concorrência?”. Foi uma sacada genial e nem por isso eles saíram se matando. Aliás, elas fazem parte da mesma associação e estão “organizadas” para eventuais problemas.

Isso aconteceu entre a própria AMBEV na famosa “guerra das cervejas” e também em outros lugares. O Burguer King usa como slogan “100% mais carne bovina a mais que a concorrência”. E nem por isso ele não faz parte do sindicato patronal que defende os interesses dos restaurantes onde a sua concorrência também se apoia.

Só que ninguém comemora quando uma casa noturna é fechada, porque eu não acho legal. Não acho bonito e nem interessante para um outro comércio que eu nutra simpatia, é apenas uma brecha, principalmente porque o público daquela casa era outro, formado por outro perfil de indivíduos que não era o pretendido. Encher um lugar é legal, mas você só faz coisas diferentes porque você espera atrair outras pessoas, você usa uma outra imagem porque quer as pessoas que não gostam da outra. É mais ou menos como escolher alguém para se namorar: você está com aquela pessoa por querer características que só ela tem e não porque você não encontrou nada melhor (se você faz o número dois, meus pêsames para você e sua infelicidade).

No post anterior eu também mencionei que o fechamento das casas não foi por preconceito, não? Não mesmo, pois o Ultralounge está aberto, a SoGo também está lá, A Loca também e outros tantos lugares. A Vila Olímpia também passou por um aperto nas semanas que passaram e várias casas foram fechadas. Os problemas todos são que as associações de moradores das regiões estão se organizando, pois o tumulto que acontece nas ruas atrapalha e incomoda as pessoas que residem nesses locais – o Psiu tem motivos pra aparecer, a CET e até mesmo o Juizado de Menores. Então os moradores começaram a utilizar-se dos problemas para garantir que não tenham problemas – eles tem direitos também, como as pessoas afetadas pelos fechamentos das casas, e começam a cobrar eles.

Para garantir que não haja problemas as casas devem ter em mente que o barulho não deve vazar, que o transtorno com relação ao trânsito deve ser menor e que as reivindicações de Associação de Moradores ou dos órgãos municipais sejam atendidas. Isso faz com que as casas coexistam com os moradores e que ninguém dê trabalho pra ninguém.
Volto a ressaltar que não fico feliz com o fechamento de algumas casas, tal como o Madame Satã (que ainda não sei se está aberto ou regularizado), porque eu passei vários momentos legais lá dentro quando eu o freqüentava a anos atrás (faz um bom tempo, mas passado não é pra se esquecer). É triste, mas serve para a gente colocar na cabeça que devemos fazer para evitar problemas futuros.

Não adianta ficar gritando e batendo o pé no chão, tem que se mexer para mudar as coisas. Criança que chora não mama, mas criança que chora demais mama de menos. Se algo está errado, então vamos mudar para que fique certo – não adianta reclamar sem saber do que está sendo exigido.

Vou continuar exercendo o meu direito de falar o que eu penso, pois não estou caluniando ninguém. Nunca acusei alguém de algo que não pudesse provar (nem mesmo acusei alguém, sempre fiquei no meu canto vendo as pessoas falando merda sobre mim por aí) e também nunca difamei um indivíduo, ao contrário de que já fizeram comigo. Já me acusaram de interesseiro e de “alpinista social”, mas eu fiquei no meu cantinho, achando que não deveria responder a ofensa, só que eu não havia sido ameaçado ainda, não haviam me colocado entre 10 pessoas e uma parede, não haviam me coagido e nem tentado tirar dois direitos meus, garantidos pela Constituição: a livre expressão de idéias e o direito de ir e vir.

Então vou continuar falando, vivendo e seguindo em frente, achando que as coisas erradas devem mudar e tentando modificá-las dentro do possível. Se gritar somente resolvesse alguma coisa, cigarra seria formiga.

Até.

4.2.06

As paredes nas portas das baladas e o complexo do umbigo sujo

Eu também não gosto das coisas que estão acontecendo na noite paulistana. Acho que falta infra-estrutura para que as casas noturnas se organizem, mas também existe gente que “não faz as coisas direito”.

Só que tem uma coisa super interessante nessa história toda: as pessoas ainda levantam o topete e colocam o seu ego lá em cima. Não adianta acusar o Prefeito de São Paulo de preconceito, porque as atitudes feitas não tem muito de ligação com isso. Mesmo que eu ache que a galera dos Jardins não gosta muito das “bichas” ou “drogados” e que role uma pressão muito grande para tirar essa “galera” de lá – mesmo sabendo que o que mantém aquela região como uma das mais seguras de São Paulo não é a Policia ou as lojas de grife, mas sim o movimento grande de pessoas, constante naquela região.

O plano diretor de São Paulo, desde o governo Marta Suplicy, tenta revitalizar a região central da cidade; isso, unido às pressões do Jardins, acaba criando uma pressão do poder público para dificultar a vida de quem vive da noite: fiscalização aumenta, rondas policiais e um tanto de outras coisas que estamos acostumados. Só que tem uma maneira das casas não fecharem e da pressão diminuir: você se adequando as normas exigidas, tendo a documentação necessária e não fazendo “burrada”. “Burrada”, meus queridos, é criar uma “imagem franguística” e tentar cheirar a faisão; é se fazer de pop e de sexy, mas na verdade não ter competência para nada, a não ser bancar o carrapato gigante e ficar na carona de pessoas que realmente sabem fazer as coisas; é arrumar um alvo para o ataque para justificar toda a sua frustração e convocar um exército de idiotas de um metro e meio para ficarem puxando o seu saco (cuidado, normalmente pessoas dessa altura tem “erregês” xerocados, se é que dá pra me entender?).

Vamos ver se eu consigo ser claro: não tem nada de errado com as interdições, a não ser que as casas simplesmente não funcionavam dentro das normas exigidas, simples. Faz uma acústica decente, dá infra-estrutura pras pessoas (isso quer dizer segurança), usa segurança regulamentado e as outras exigências básicas, pois senão vai ser um bando de gente colorida querendo gritar – não vão ser nada diferentes dos motoboys que fizeram aquele auê todo porque entrou em vigor uma lei que exige regulamentação da categoria, coisa correta, já que o resto dos profissionais da mesma categoria paga impostos e tem suas regulamentações a seguir.

O que está errado é que os donos de casa noturna não se organizam, fica cada um no seu canto e não montam um “categoria”, não resolvem a regulamentação e não criam um órgão para sua defesa. Ao contrário, muitos deles tem uma relação de conflito, mas não é a concorrência comercial, é uma birrinha estúpida, alimentada por birrinhas e perrenhas pessoais que só os bafons da noite explicam – e lá se vão centenas e centenas de historinhas engraçadas pra caralho.

Agora vão querer fazer passeata? Fazer barulho? Tem coisa mais certa a se fazer, acredito só que agora vamos iniciar um outro modismo – e o mais divertido vai ser ver tudo indo por água abaixo. Não tiro o direito do protesto, mas vocês estão protestando contra o quê?

E não vem dizer que é porque fulaninho incomoda o Prefeito ou porque “homem beijando homem” é feio. Se isso fosse provado poderia até dar pano pra manga, mas até onde eu saiba, falar sem prova é calúnia e dá processo civil – fica a dica. Se “homem beijando homem” fosse o motivo de fechar balada, por que diabos então o Ultra Lounge está abertíssimo e funcionando? Mais uma dica!

Gente, pensem, por favor! Não seja a massa, pense!

2.2.06

Enfim... vamos as coisas mais importantes!!

Bom, desisti de publicar aqui o material lá que escrevi falando sobre o nosso querido “referendo”, afinal, ninguém estava lendo mesmo aquele monte de porcaria conspiratória, vou publicar isso em um outro espaço na Internet (talvez o meu site pessoal).

Vou voltar a usar isso aqui como depósito de idéias minhas mesmo, falando das coisas e satirizando os fatos da minha vidinha estúpida.

Parei para dar uma olhada em volta e estou rolando de rir com a quantidade de estereótipos novos que eu acabei por pescar por aí. Preciso pegar firme escrever sobre, mas logo, queridos, logo... daqui a pouco eu convito a Jorgette (amiga minha do blog http://abibamaishetero.blogspot.com que está aposentada do mundo dos blogs pois resolveu viver um pouco o glamour da bicha caipira e foi para algum lugar bem longe das ceninhas por aí). Ela me prometeu que ia mandar um e-mail sobre as novidades, contando suas aventuras e desventuras. Estou esperando.

Aliás, mais uma vez, venho afirmar que o meu zine vai sair neste ano, o Inv(ó)lucro, que tem blog já e vocês podem ficar por dentro do que mais ou menos vamos enfiar de salada lá no meio.

16.1.06

Continuação dos posts falando sobre o Referendo. Depois publico isso tudo em único post. Mas vou colocando em doses homeopáticas.

2. Por que diabos o referendo aconteceu?

Bom, se vocês tem preguiça de ler o tanto de coisa que está escrita dentro do Estatuto do Desarmamento, então vamos resumir aqui para você.

A lei foi colocada em vigor pelo então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, em [data] de 2003 e regulamentava diversos aspectos que ficaram sem uma definição mais objetiva quanto à compra de armas de fogo e munição. Essa lei aumentou também a idade para a compra de armas e munição, sem contar com alguns pontos que determinavam com mais clareza as formas de aquisição, manutenção e porte das mesmas.

Nela estava inserido um parágrafo que determinava que no ano de 2005 deveria ser realizado um plebiscito nacional perguntando para a população se um item dentro da lei seria aplicado ou não, que era sobre a proibição do cidadão comum de comprar armas e munições se não se enquadrar em algumas exceções determinadas dentro da dita lei.

Também está escrito nessa lei que em novembro e dezembro de 2004 uma campanha de desarmamento voluntário seria feita para que a população se livrasse de suas armas, legais ou ilegais, ressarcidos pelo governo de acordo com o valor de cada arma e, caso a arma fosse ilegal, fosse comprovada a boa fé do ato.

Isso aconteceu de fato e muita gente ganhou uma grana com aquele revólver velho que estava embaixo do colchão ou que o caseiro achou jogado dentro da sua propriedade em São Roque.

Porém, alguns fatos devem ser especulados para a gente entender melhor porque essa lei não passou direto, já que todo o resto aconteceu.

Vocês já ouviram falar antes de referendo para determinar a validade de qualquer aspecto em quaisquer leis já passadas pelo congresso? Tirando o Plebiscito de 1992 para determinar qual regime político o Brasil iria adotar eu não lembro de nenhuma outra vez!

Enquanto isso os salários dos deputados são aprovados por uma coisa chamada Lei Orçamentária, que acho que todo brasileiro deveria conhecer para ficar putíssimo da vida com seus “líderes eleitos” e “representantes no congresso, senado e câmara de vereadores”.

Depois de pensar no volume zero de leis aprovadas via participação popular direta, resolvi questionar alguns pontos e levantar algumas coisas para ver se só eu via algo estranho saindo daquela moita de boas vontades (não lhe ensinaram a duvidar quando a esmola é muita?).

Alguns motivos que me vieram à cabeça e soaram muito plausíveis são:

13.1.06

Continuação dos posts que falam sobre o referendo. O texto é MUITO grande, estou quase fazendo uma página pra colocar na net com essas idéias... quem sabe assim as pessoas levam mais a sério, porque em blog, ninguém lê mesmo!!! :/

d. A idiota idéia do “direito de se ter uma arma”

Está preso no inconsciente humano que “é preciso se defender”. As pessoas então acreditam no direito que elas tem de se defender com o item mais perigoso que elas podem ter. Já que não vendem bombas atômicas domésticas (nem tanques e nem aviões de combate, droga!!!!) para você ameaçar o seu vizinho ou aquele assaltante de merda que queria levar a sua televisão, então o jeito é apelar para itens mais acessíveis.

O ladrão comum não é aquele bandido que aparece no noticiário das 20h com capuz e uma AR-15 na mão ou muito menos aquele que tem uma granada e vai arremessar sobre o capô do seu carro. Esse criminoso é um outro tipo de criminoso, que você não vai enfrentar com sua pistola guardada embaixo do travesseiro. O que você vai enfrentar será aquele ladrão que vai roubar para se sustentar ou comprar comida pra família ou drogas ou seja lá o que for, com um revólver como o seu, adquirido de um furto em uma outra residência ou comprado legalmente em algum momento.

Esse criminoso também tem o direito de possuir uma arma e vai usar ela para o crime. Tal direito existe porque as pessoas, em um momento qualquer, acharam que seria interessante se defender e está ligado com a sensação de poder que arma trás (já mencionada anteriormente).

Voltando ao tal “é preciso se defender”, a arma de fogo não é o problema da auto-defesa. Em algumas cidades medievais era proibido o porte de armas brancas (nome bonitinho dado para espadas, adagas, machados e outras coisas que furavam-cortavam-estripavam pessoas) dentro dos muros da cidade. Os únicos que podiam fazer isso eram nobres e agentes da lei. Fora dos muros da cidade, qualquer cidadão poderia ter uma dessas coisinhas meigas em mãos e poderia usar isso se necessário para furar os olhos daquele ladrãozinho sacana que roubava galinhas ou do amante da sua esposa se o pegasse em cima da dita.

O tempo passou e em algumas cidades mais modernas isso continuou a acontecer e com o tempo as pessoas começaram a perceber que manter armas em mãos civis sempre era problema, que o jeito era deixar isso nas mãos de agentes legais e magistrados, afinal, mortes causadas por bêbados e por outras figuras notórias da sociedade aconteciam aos montes por “acidente”.

Só que algum estúpido começou a usar a pólvora com fins militares e lá se foi tudo. A macheza de se empunhar uma arma branca nada era comparada à macheza de segurar um mosquete. No primeiro você tinha que estar perto demais do alvo para poder fazer um estrago significativo (e flechas, queridos, nem sempre eram úteis quando a briga estava acontecendo, mas sim para tocaias e jogo covarde!!!!) e no segundo você fazia um estrago bem maior e podia ficar a metro de distância – a coragem e a bravura ganharam significado totalmente diferente depois do mosquete, não tenham dúvidas.

Pronto, depois disso uma certa nação que todos conhecemos começou a usar as armas de fogo para massacrar índios e guerrear contra a Inglaterra e a França. Sim, são os norte-americanos, que mantiveram a idéia de que é preciso armas para defender seus lares e escreveram isso lá na constituição deles, como um dos itens essenciais de sua cultura. E deu no que deu, uma nação bélica que só sabe resolver as coisas no tiro, porque não tem coragem de fazê-lo no tapa (Hei, não lembram do Vietnam? Quando eles começaram a enfrentar o inimigo de igual para igual o que eles fizeram? Claro! Deram no pé rapidinho!).

Como eles mandaram no mundo por um bom tempo (e ainda mandam, assumamos), isso começou a tomar uma dimensão de dar medo. As armas entraram em nossa vida pelo cotidiano, pela televisão, pelo cinema, pelos quadrinhos e por tanto lugar que até acreditamos que elas eram mesmo necessárias.

Criamos uma indústria gigantesca que ganha bilhões por ano vendendo armas para civis e mais bilhões vendendo armas ainda mais potentes para os países que adoram gastar munição no vizinho (alguns gastam a munição internamente mesmo, sem dúvida). Sem contar que muitas das armas que deveriam alimentar a guerra dos paises brigões acaba escapando e caindo na mão do crime. E daí começam as pessoas a evocar outra vez o direito de se defender, mas dessa vez, por favor, chamem o Exército porque eu não posso com um AR-15 com bala de rastro, tá?!

(Continua, tem muito mais ainda!! Sim, eu perdi MUITO tempo escrevendo essa meleca toda, mesmo sabendo que não seria útil pra ninguém quase - acho que algumas pessosa vão acabar utilizando isso pra trabalhos escolares, só pra isso mesmo, afinal, ninguém precisa pensar, se gado é melhor que ser pastor).

9.1.06

Ainda continuação dos posts relativos ao referendo do ano passado.

c. Com a cultura do “se o estado não consegue defender minha família, vou fazê-lo por conta”.

A maioria da população, apavorada pela possibilidade de ter seus filhos agredidos, sua casa invadida e sua privacidade violada, acredita que deve ter o direito de se defender por conta.

Só que o que as pessoas não sabem é que é crime sim atirar pra em alguém que tentar entrar em sua casa, mesmo que quem esteja cometendo o crime seja o alvo da agressão. Atirar no individuo vai lhe render um bom processo criminal, mas você vai acabar se safando, afinal, caralho, era você defendendo a sua família!!!!

Porém, isso também abre para que você defenda a sua propriedade. Quando você defende pessoas acho completamente válido você tentar de tudo para manter a segurança de seus entes queridos, agora, meter bala em alguém porque ele está levando embora a sua televisão é bem fora de medida. Não estou dizendo que é certo o filha da puta do ladrão levar a sua televisão e que você não deve reagir quando lhe roubam, mas quando você coloca as coisas inanimadas acima da vida, algo está muito errado na sociedade em que vivemos?

Ao menos que você ache certo cortar a mão de um ladrão e enforcar pessoas em praça pública. Se você é um dos que acredita que a solução de todos os problemas está nisso, uma boa dica é você se mudar para um país dentro de um regime fundamentalista muçulmano (a lista até que é extensa) ou voltar para a idade média (aproveite e queime algumas “bruxas” por mim?).

Não acredito, de maneira alguma, que a proteção familiar esteja ligada a um revólver. Posso proteger a minha família de outras maneiras. Isso fica um tanto quanto preso ao item onde eu falo que “as pessoas não se sentem seguras”.

Quando o estado não cumpre o seu papel, é natural que o ser humano pense em fazer o que não fazem por ele, não é mesmo? Lei básica da sobrevivência, não é mesmo?

6.1.06

Continuação do post de ontem!!!



b. A arma deixa a população mais “macha”

A sensação de poder que uma arma de fogo dá ao ser humano é sensacional. Você segura uma pistola na mão (estou falando de revólveres, viu?) e se sente o rei do mundo, mais que o Leonardo Di Caprio em Titanic. Estou falando isso porque já segurei uma em minhas mãos.

Quanto maior a arma, maior é a sensação de poder. É incrível como isso acontece. Você se sente invencível e que consegue fazer tudo o que quiser, como se a arma lhe desse superpoderes especiais – você é deslocado para uma posição de poder, porque você pode danificar coisas sem encostar nelas. As explicações são diversas para esse fenômeno, porém, eu ainda tenho cérebro que pensa mais do que as zonas do instinto e sei que o que eu tenho na mão vai causar alguns estragos que eu não vou poder remediar.

Esse sentimento de ter uma arma de fogo nas mãos e o poder que isso dá não poderia ser arrancado do brasileiro, ele não vai abrir mão desse acréscimo instantâneo ao tamanho de sua pica. Não vai largar a posição de poder tomada quando ele empunha seu revólver em um bar qualquer e mostra o quão macho ele é. Ter uma pistola em mãos dá virilidade ao caráter falho, mostra que o cara é macho mesmo que sua outra pistola não seja lá grande coisa.

E você acha que as pessoas iriam abrir mão desse “direito de macheza”?

Devido a esse poder todo que a arma de fogo representa, algumas pessoas ficaram com medo de abrir mão do tal “direito” de ter uma arma de fogo com medo que o estado lhes tirasse também o direito de falar o que se pensa ou o de significar algo.

Não se preocupem com isso, meus caros. Se realmente o estado quisesse tirar de vocês as armas eles o fariam. Vocês vão continuar sem acesso a fuzis, granadas, lança mísseis, morteiros, aviões de guerra, metralhadoras, artilharia anti-aérea e tanques – isso se vocês comprarem armas legalmente, porque em alguns lugares, na capital famosa de um estado famoso, você consegue até mesmo comprar esses itens, tirando os tanques e aviões de guerra (por enquanto). Caso o Estado achasse que deveria dar um golpe e colocar uma ditadura mais uma vez por nossas goelas abaixo a gente poderia se defender com essas pistolas todas. Todo mundo com seu revólver 38 na mão e suas espingardas de matar galinha! Iríamos fazer a revolução armada! Iríamos parar a máquina do Exército! Iríamos enfrentar todo o aparato militar não-tão-de-ponta das Forças Armadas com isso tudo e seríamos vitoriosos devido ao nosso super treinamento em como empunhar nossas armas todas! Seriamos exemplo para o resto do mundo!

Notaram que não faz diferença nenhuma armar todos os 180 milhões de habitantes do Brasil com uma arma de matar pardal na mão? Se eu tivesse um exército de verdade na minha cola, acho que eu choraria feito neném e largaria minha arminha em algum lugar, já que aquele encouraçado blindado de várias toneladas apontou o seu canhão com alguns bons quilos de explosivo para a casamata improvisada que eu fiz. “Eu me rendo” seria no mínimo uma frase inteligente, mas acho que na hora iria ser correria para qualquer lugar longe dali.

Você acha que o Estado é burro o suficiente para alimentar sua população com armas que possam criar resistência as suas forças armadas? Não, eles não seriam tão burros! Eles leram o manual de “Como governar uma nação” e também leram Maquiavel, sabe? Aquele cara que escreveu um livro chamado O Príncipe e que dá valorosas lições de como manter um povo na linha e ótimos argumentos para explicar o que acontece com as massas.

As desculpas são muitas, mas no final, tudo se resume a um déficit em tamanho ou potência que é suprido por um acessório que não tem nada a ver com sexo – ou têm?

(Parte 2 - continua...)

5.1.06

Depois do referendo

Agora que as coisas deram uma “esfriada” e já faz meses que a gente foi parar lá nas urnas, decidir se aquele tal do Estatuto do Desarmamento iria continuar valendo e “o comércio de armas de fogo e munição deveriam ser proibidas no Brasil”. Fomos as urnas e, bem como suspeitavam aqueles que deram uma paradinha para pensar sobre a questão, o povo decidiu que o comércio NÃO deveria ser proibido.

Então fica esse monte de gente “feliz” porque mantiveram seus direitos e, como se fosse em jogo de futebol, soltam por aí com orgulho que “seu ponto de vista estava certo”, como se seu time tivesse ganho o campeonato – só faltam os gritos de “É campeão! É campeão”. Bem, eu nunca achei que a maioria ditasse o que é certo, mas sim o paradigma moral e ideológico da sociedade, mas aí, é discussão para um outro momento (uma mesa de bar, talvez).

É preciso saber, antes de tudo, o que a dita “Lei do Desarmamento” dizia.

Isso vocês podem conferir em alguns links (mais deles vou colocar em “Referências do texto”, pois assim vocês ficam sabendo de onde eu tirei muitos dos argumentos aqui contidos):

Depois disso tudo que se passou, basta fazermos perguntas a nós mesmos, para ver o que mudou e o que vai ficar melhor ou pior (e vai por mim, as coisas vão ficar bem “quentes” daqui uns tempos, estou pensando seriamente em NÃO sair da cidade e morar em um prédio com condomínio BEM caro, com pelo menos 80% dos gastos com estrutura de segurança).

Então vamos nos perguntar e pensar um pouco. Isso faz bem às vezes (só as vezes, senão você pode incomodar alguém e, sabecumé, merrrmão, tu some).

(Vou postar uma parte por dia, são vááááárias páginas de texto, então, paciência. De hoje até semana que vem vocês ficarão saturados de conteúdo relacionado. Depois vou postar uma outra "viagem" minha, nada ligada a política).

1) Porque a “Lei de Desarmamento” não passou?

a. A população se sente insegura e isso é de conhecimento geral

Todo mundo sabe que o referendo não passou por um motivo bem claro: o brasileiro comum não se sente seguro. É de conhecimento geral, até você que está aí lendo isso em casa sabe disso, sentadinho na frente do seu computador, envolvido por entre quatro paredes, uma tranca na porta, uma grade lá fora no portão e, se você morar em um prédio, possivelmente com câmeras de vigilância, segurança interna, cerca elétrica, etc.

Pergunte para você mesmo se você se sente seguro, faça essa pergunta com mais seriedade e pergunte para você mesmo se você daria uma volta no centro da sua cidade as 22h, sem se preocupar com as pessoas que passam perto de você ou te olham do outro lado da rua.

Não adianta, o brasileiro não se sente seguro porque não acredita na eficácia da força policial.

Uma pesquisa feita pelo IBGF (Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, órgão de combate à criminalidade) consta que o medo é a insegurança é proporcional a classe social do cidadão. Esta pesquisa determina a resposta para a pergunta se a sensação de medo aumentou, diminuiu ou permaneceu a mesma do que em anos anteriores. As respostas para “sim, aumentou” foram:

Classe A* – 72%
Classe B* – 70%
Classe C* – 66%
Classe D* – 61%
Classe E* – 44%

* De acordo com a classificação econômica adotada pela Associação Nacional de Empresas de Pesquisa.

Ainda nessa pesquisa, 86% dos pesquisados disseram que sentem “muito inseguros” ou “inseguros”, entre as opções “muito inseguro”, “inseguro”, “seguro” ou “muito seguro”. Com uma concentração mais uma vez nas classes A e B de pessoas com um maior índice de insegurança, sendo que 90% deles se sentem muito inseguros ou inseguros.

Foi uma jogada suja perguntar se o brasileiro queria ou não manter o tal do “direito a se defender portando armas de fogo”, mesmo que a pergunta não tenha sido essa, é isso que eles fizeram. Se você não dá estrutura para alguém se sentir seguro, claro que a pessoa vai se agarrar à falsa idéia de segurança que a arma de fogo traz, naquele direito praticamente divino de defender a si mesmo, sua família, sua propriedade e seus valores através da maneira mais eficaz: com um revólver na mão.

(Parte 1 - continua...)

28.12.05

Querem nos roubar 6 milhões de reais!!!! E o pior, são os deputados!!!!

Tinha pensado em discorrer um fato que me deixou bem “de nariz torto” por esses dias. O que aconteceu foi que a Câmara do Deputados queria comprar licenças do Office da Microsoft no valor de 6 milhões de reais – “tudo bem”, você pode pensar, “eles precisam de programas de processamento de texto e outros mais para gerir os escritórios ou serviços”. Béééé! Pensamento errado! O Governo optou, há alguns anos, por utilizar o Open Office, uma iniciativa da Sun Microsystems de criar um processador de texto gratuito dentro dos preceitos do GNU (isso mesmo, de graça, sem ônus e de código aberto).

Agora, a Câmara alega que o Open Office não é necessário. Então isso ficou martelando em minha cabeça e eu ia fazer um baita texto falando todas as coisas que eu achava sobre, mas hoje entrei em meu navegador web (o Firefox, aliás, hehehe), abri meu leitor de RSS e dei de cara com uma matéria do site Web Insider, escrita por Ricardo Bánffy, que já disse quase tudo o que eu tinha em mente (eu ainda tenho outros argumentos, mas isso já nos faz pensar).

O nome da matéria é O Office dos deputados.

As matérias que me levaram a ficar matutando sobre o assunto são:

  1. Deputados reclamam e Câmara compra MS Office
  2. Câmara suspende pregão para adquirir MS Office

Agora, vendo essa besteirada toda, gostaria de convidar a todos vocês, que trabalham com tecnologia ou sabem o que isso significa, que tenham blog, flog ou qualquer espaço (vale até MSN), a divulgar essa palhaçada. Tá, eu sei que muita gente acha que não vai fazer diferença alguma, mas creio que devamos dar a devida atenção, pois isso é um abuso e um desperdício óbvio de dinheiro público.

Vamos nos mobilizar? A Internet ainda é democrática, vamos exercer nosso poder! :D

(Melhor fazer isso que enviar spam, que é atitude mal educada e, em muitos aspectos, ilegal).

27.12.05

A medicina brasileira é tão avançada que até uma das personalidades mais conhecidas de todos os tempos resolveu vir aqui se tratar. Aliás, o mais interessante, não é que ela veio se cuidar apenas por aqui, pessoal, é que ela está se utilizando do SUS para isso.



Quem? Oras, a Monalisa!


Monalisa permanece internada na UTI do Hospital do Servidor Público Municipal. Seu estado ainda é considerado grave.


Segundo matéria publicada no UOL.



Viu, e vocês ainda reclamam do sistema de saúde brasileiro!!!!