18.5.06

O protesto sobre a morte da bezerra

Acho muito tocante as pessoas se importarem com os “direitos dos animais” e também com a crueldade dos caçadores de pele, afinal, coitada das focas do Ártico que sofrem com a extração de sua pele somente. Coitadas também das vaquinhas, que ao invés de pastarem livres por aí em um tipo de idolatria sacra, como ocorre na Índia, viram bifes e vão pro prato.

Tudo bem, vou parar com ironias. Falando sério mesmo, eu acho um absurdo sim quando matam animais para alimentar o comércio de peles e não usam o resto todo, não se aproveita mais nada e as carcaças são deixadas lá apodrecendo ao ar livre, tal como fizeram e fazem com os elefantes na África e com um tanto de outros animais. Também respeito a opção dos vegans e outras variantes de vegetarianos que decidiram parar de comer carne ou derivados por um motivo qualquer, afinal, é livre ao ser humano decidir o que quer fazer.

Acho muito válidos os protestos feitos por essas pessoas, afinal, alguém tem que se preocupar com alguns problemas que a maioria nem liga, senão muita porcaria acontecesse, mas porque diabos eles gastam a vida lutando para que as vaquinhas não morram e não movem um dedinho sequer para protestar para algo que realmente valha a pena? Por que não protestam pela educação? Se essa galera que não come carne acha que realmente está errado comer carne e maltratar os bichinhos, então porque não possibilitam que outras pessoas o saibam também? Não, não adianta educar falando sobre o consumo de carne ou vegetais, mas sim educar para que as pessoas possam pensar e chegar a sua próprias conclusões!

É super bonito fechar o trânsito e arrumar abaixo-assinado para acabar com a farra do boi, não é? Também é super legal fazer com que os rodeios parem, afinal, eu não gostaria de um maluco sentado nas minhas costas e socando a espora na minha anca. Só que eu poderia estar arrumando assinaturas para coisas relevantes, coisas que realmente fizessem as pessoas se transformarem em cidadãos pensantes.

Direciono isso para os vegetarianos e “revoltados de grama1”: se vocês acham que seu ponto de vista está tão certo e que as pessoas não são tão esclarecidas quanto vocês, então porque não levar conhecimento para a população? Se ser inteligente é não comer carne e lutar pelo direito dos animais ou pela ecologia, então vai ser natural que todo mundo se importe com isso também, não é mesmo!

Sei que muitos dos defensores dessas “futilidades” vão dizer que o ser humano “não presta” e usar argumentos derivados a visão apocalíptica e semi-darwiniana do auto-extermínio, que o ser humano não merece consideração, que ele é cruel por natureza e outro monte de coisas que sacam das mangas para justificar uma frustração ideológica. Não adianta utilizar essa fórmula, pelo menos não contra mim, pois eu acredito em tudo o que falam sobre o ser humano, mas acredito que as pessoas só são cruéis porque lhes é permitido fazê-lo e a grande maioria o é por conta da ignorância.

Não estou ironizando aqui, estou falando sério. Quando criamos pessoas com consciência podemos exigir delas postura quanto a assuntos de menor relevância? Tá, não quis dizer que são frivolidades os direitos dos animais e nem quero ouvir aquele discurso todo que eu já conheço sobre a igualdade dos animais, que eles também tem direito a nosso planeta e toda aquela retórica ecológica, acredito em muito dela, mas acho que o ser humano deveria ser educado em primeiro lugar para que soubesse seu papel no mundo e na sociedade.

Não adianta você criar um monte de preenchedores de formulários e de gabaritos, não adianta fazer com as pessoas apenas aprendam a escrever e não adianta também utilizar os métodos dos políticos que é o de fazer “propaganda” sem que o outro lado esteja pronto a receber ou processar qualquer tipo de mensagem. É necessário que sejam criados agentes da transformação e que as pessoas possam por si só acordarem para o que é certo ou errado, mas para isso é necessário que elas tenham meios para fazer essa análise.

Acredito que protestar contra o consumo de carne, exigir que o alimento orgânico seja prioridade, para que os transgênicos sejam retirados de nossas plantações, que parem de matar o papagaio do rabo rosa ou mico-leão-anão-de-bolsa-bege é perda de tempo. É o mesmo que fazer um protesto pela paz.

Não adianta mostrar a comoção popular para um assunto quando os assuntos realmente relevantes e que poderiam criar mais pessoas contestadoras não são tratados com seriedade. Reforço que acho super legal a movimentação para esses “protestos”, mas acredito que a preocupação deveria ser com o processo de educação e o acesso a informação igualitária.

Nosso país é formado por analfabetos funcionais que não conseguem discernir sobre certo e errado quando lêem um texto, não conseguem compreender os abusos de um governo que exigem mais deveres do que dá benefícios. Além disso, a população desconhece os seus direitos básicos, desconhece a Constituição e o Código Civil, não sabe o que lhe é garantido pelos Direitos Humanos e também não consegue entender o que está escrito em qualquer um desses documentos. Nossos cidadãos não sabem nada disso e duvido que a maioria das pessoas que estão lendo este texto também o saibam. Pensem e citem sem consulta apenas um direito garantido a vocês pela Constituição ou, melhor ainda, qualquer um dos direitos que está lá no estatuto dos Direitos Humanos.

Como você pode exigir que alguém então respeite o Direito dos Animais se não conhece os Direitos Humanos? Como você quer pedir por paz se as pessoas não sabem o que isso significa?

É preciso criar cidadãos, pessoas que saibam em que contexto estão inclusas. Também é necessário educar para que essas pessoas tenham sim direitos iguais a todo mundo: direito a informação, ao ensino e a inserção na sociedade.

Depois da educação, você pode então lutar por uma distribuição igualitária de renda, pela melhoria na saúde, pelos animais, pela não poluição das nossas reservas de água potável, pela preservação das espécies nativas, pela eliminação de atos cruéis contra os seres humanos E contra animais, pela geração de emprego em Itapopoca do Sul2 e por aí vai.

Quando você cria pessoas que tenham poder de questionar a sociedade e o seu papel no mundo, você cria pessoas que possam melhorar quaisquer dos assuntos discutidos em diversas mesas de bares pelo Brasil afora, sem contar que você leva as discussões para fora das mesas de bares e consegue que elas entrem nos palcos de ação, onde deviam estar inseridas desde o início para que as mudanças ocorressem de fato.

Pense sobre o assunto e veja que é muito fofinho pensar em você salvando um coelhinho felpudo de virar chapéu no inverno, mas pense que quando você cria pessoas que pensem terá mais gente se preocupando com o mesmo coelho e que pensar bonito não muda a nossa realidade.

Também tenha em mente que o governo não vai fazer nada para mudar essa realidade, pois quanto mais pessoas sem poder de raciocínio, mais gado para manipular para que os interesses do Estado sejam defendidos, ou melhor, para que os interessas da minoria que o Estado representa – as pessoas que tem dinheiro. Quanto mais gente burra, mais votos para os candidatos quando eles beijam crianças no colo e tiram o lixo das praias – e olha que ele só precisa fazer isso uma vez a cada quatro ou oito anos.


1“Revoltado de grama” no dicionário Poesístico, se refere às pessoas que ingressam em universidades públicas, sejam federais ou estaduais, e ficam o dia todo com a bunda sentada na grama, fumando seu cigarrinho, viajando na batatinha, vendo o mundo passar e resolvem, de tempos em tempos, tirar a bunda de lá para fazer protestos sobre assuntos que surgem durante as suas “introspecções”.

2“Itapopoca do Sul”, no dicionário Poesístico, se refere a qualquer cidade em qualquer canto do país, não importando quão longe ela esteja e nem mesmo o seu número de habitantes ou importância econômica.

16.5.06

O PCC, a TV e o frenesi popular

Não sei porque hoje me veio a mente uma história do século passado, quando os nossos queridos coleguinhas viciados em petróleo, os norte-americanos, passaram por um frenesi popular causado por um programa de rádio.

Tudo isso aconteceu em 30 de outubro de 1938, em um programa transmitido pela rádio CBS produzido pelo ator Orson Welles. No programa, Welles apresentou o texto “A Guerra dos Mundos”, do escritor inglês H. G. Wells, uma obra de ficção que descreve a invasão da Terra por um número altíssimo de naves marcianas. O texto original está em forma de narrativa, mas Welles resolveu apresentá-la no seu formato, simulando então as horas da invasão como notícias. A população entrou em um frenesi absurdo, desprevenida de que o conteúdo era ficcional, devido a uma combinação de fatores, mas o principal deles é no momento em que a dramatização teve inicio e o conteúdo foi apresentado como a obra de Wells, poucas pessoas ouviam o programa – neste horário todos estavam ouvindo um outro programa muito popular nos EUA. Vale lembrar que em 1938 o rádio era o único e primeiro meio de comunicação em massa que se utilizava do imediatismo da informação, podendo apresentar os fatos onde e no momento que eles ocorriam. Quase todos os americanos entraram em pânico, do interior até Nova Iorque.

Lembrei disso hoje cedo, enquanto ia para o trabalho. O ônibus estava vazio e as poucas vozes ouvidas eram da cobradora conversando com uma passageira e de umas outras duas pessoas que batiam papo sobre o que passamos nestes últimos dias.

Era evidente que a comoção popular foi imensa com relação aos fatos do final de semana e todos os policiais mortos, ônibus incendiados e meia dúzia de agências bancárias atacadas criou uma nova mitologia popular. Na verdade, tudo se transformou em uma história que pode ter um paralelo ao 11 de setembro. São histórias distintas, com números bem diferentes e dentro de um outro contexto, porém, a nossa segunda-feira, 15 de maio, foi semelhante aos dias que se seguiram ao dia do ataque às Torres Gêmeas, mas com uma pitadinha do programa do Welles.

Fomos cercados por boataria e todo mundo ficou sem saber o que fazer. Toda a população acreditava que os absurdos que aconteceram no final de semana estavam se repetindo. A televisão passava imagens do final de semana em um tipo de coletânea como se aquilo houvesse ocorrido naquele instante, não havia nada falando que eram imagens da sexta-feira e do sábado. Exibiam-se imagens de sangue em viaturas policiais, sangue nas ruas, delegacias com buracos de bala, bonés da PM com perfurados e ensaguentados, granadas nas ruas e todas as imagens que podiam causar impacto. As emissoras buscavam aumentar a audiência e resumir a história toda. Pela Bandeirantes, pela Record, pela Rede TV, pelo SBT e pela Globo eram vistas as imagens do final de semana – todo o estado de São Paulo era bombardeado pelas informações como se aquilo estivesse acontecendo ainda. Só que ninguém mostrava que aquilo havia acontecido e também não noticiavam de fato o motivo do caos urbano da segunda-feira pós ataques contra policiais.

O problema era mais simples e não estava sendo causado pelo PCC e nem mesmo por tiroteios, nem mesmo pela policia que caçava os seus agressores. O que causou o caos urbano foi a parada da frota de ônibus da cidade, que ficou quase toda na garagem. O motivo? No dia anterior até a madrugada da segunda, os mesmos bandidos que atacaram policias e delegacias resolveram levar o caos para que os civis sentissem na pele o seu poder. Não houve baixa civil alguma, mas eles incendiaram quase 60 ônibus e aproveitaram-se de outros criminosos aproveitadores que copiaram as atitudes do PCC para poder “ganhar moral” no mundo do crime, uns copycats de merda que acharam a oportunidade certa para falarem por aí “eu sou do PCC”, mesmo que nem saiba o que a sigla significa.

As empresas de ônibus ficaram assustadas e decidiram não levar a sua frota para as ruas, com medo de mais prejuízos e querendo que o Estado tomasse providências para preservar o seu patrimônio. Então, com os ônibus na garagem sem um aviso prévio a população ficou como se locomover na cidade. Aí então o caos se espalhou, como acontece em São Paulo toda a vez que os ônibus ou os trens resolvem parar. Ninguém conseguia ir para lugar algum, mas o agravante foi que a televisão, rádios e afins mostravam a população uma outra verdade: associavam aos atentados do final de semana a zona toda da segunda-feira. Não era de todo mentira que a causa foram os problemas do final de semana, mas a causa direta eram os ônibus parados – criou-se o

Digo que isso foi histeria popular, puro frenesi causado pelo tratamento sensacionalista que quase toda a mídia deu ao problema. Se não é frenesi popular, então porque Sorocaba, minha cidade natal, foi atingida pelo mesmo caos de São Paulo? Só que o de lá foi diferente, todo sorocabano queria ter uma notícia sobre o que estava acontecendo e fazer parte do drama que via na televisão. Os números de Sorocaba são bem inferiores ao de São Paulo, mesmo que por lá também tenham atirado contra policiais e delegacias, mas se foram 5 os atingidos já é exagero. Ah, sim, queimaram UM ônibus lá, mas continuo a acreditar que foi um bandidinho, desses ladrões de galinhas copiadores que aproveitaram para mostrar o quanto são malvados. Os quase 700 mil sorocabanos acharam que estavam no meio do fogo cruzado também! Minha mãe me ligou, amigos me ligaram, minha irmã mandou e-mail e por aí foi! Todo mundo em pânico, assustado e achando que estavam atirando contra as casas, contra os bancos e contra tudo o mais! E lá se foi o pessoal voltando para casa mais cedo, não indo para a aula a noite e tudo o mais. Entramos no terror causado pela mídia, todo mundo com medo de algo que não estava acontecendo perto!

Foi como o medo de bombardearem o país na Segunda Grande Guerra, que minha avó contava que todos sentiram, mesmo que a guerra estivesse em outro continente e que o Brasil nem passasse perto de ser uma nação agressora ao Eixo (o nome da aliança entre Alemanha, Itália, Japão e paisecos que apoianhavam Hitler).

A mídia fez um papel ambíguo, oras esclarecendo, oras cagando tudo. Como sempre, os prêmios para “gerador de pânico” devem ir para Record, Bandeirantes e RedeTV, afinal, sem eles não saberíamos de opiniões super relevantes, como as do apresentador Datena.

E eu sou obrigado a ouvir ainda de gente esclarecida que o ontem a cidade estava uma merda mesmo, que ontem havia o perigo, que ontem havia o medo e que imprensa fez o papel dela. Não é a notícia ou o fato que importa, mas sim a maneira como ele é exibido.

O sentimento gerado foi potencializado e aumentado, ontem a cidade estava segura? Podia estar, mas o paulistano não iria sentir isso, afinal, ainda era recente o sentimento de impotência e tudo aquilo parecia estar agindo na mente. Adrenalina disparada pelo medo. Só que a mídia tratou o assunto de forma recursiva, voltava ao mesmo ponto como se tudo estivesse ocorrendo ainda, filmava carros de polícia em blitz pela cidade e tentavam pegar furos de reportagem. Falavam que haviam atirado contra policiais em algum lugar, que haviam prendido não-sei-quem em não-sei-onde e tudo foi aumentando, como se todos os crimes que ocorressem na cidade fossem pensados e tramados pelo PCC, como se tudo fosse interligado.

Ao invés de acalmar a população, de esclarecer os fatos, a mídia lutou para produzir o melhor show, explicar da melhor forma como tudo aconteceu e ficar batendo na mesma tecla, como se ontem ainda estivessem ocorrendo agressões sérias contra a força policial e como se tudo fosse gerado pela insurreição dos criminosos.

Em um passe mágica a mídia se tornou mais uma vez a causadora de mais mal entendidos do que esclarecimentos, armando o seu circo como fez em 1992, quando invadiram o Pavilhão 9 do Carandiru e meteram bala em todos os presos. Só que foi mais divertido, afinal, bancar o Welles é mais interessante que bancar Deus, pois com informação você define se Deus existe ou não, podendo até inventar novos deuses!

Se não foi excessiva a postura da mídia me expliquem porque diabos os sorocabanos ficaram preocupados! Por que lá em Itapopoca do Sul as pessoas achavam que iam levar bala? Por que os celulares caíram na segunda? Por que isso não aconteceu no sábado? No domingo? Eu não recebi ligação alguma no final de semana para saber se estava tudo bem, a não ser da mãe da minha noiva porque havíamos pego estrada para ir a uma festa no sábado a noite.

O sentimento gerado ontem é culpa sim de uma ação criminosa que tirou os ônibus das ruas, mas o caos urbano foi causado pela retirada dos ônibus e não pela continuidade dos atos de sexta e sábado, mas tudo isso foi potencializado, mais uma vez, por nossa querida mídia e provou-se mais uma vez que a mídia impressa ainda é a mais confiável, juntamente com os jornais sérios que tem seu material na Internet – televisão e rádio ganharam mais pontos em sua capacidade de aterrorizar mais e esclarecer menos, já que perderam ótimas oportunidades de tranquilizarem a população ao invés de gerar pânico em massa.

Agora vamos esperar, porque vai ter um monte de psiquiatra e psicólogo feliz porque aumentaram as crises de pânico. E dá-lhe Maracujina e Vitassae na galera!

3.5.06

Jogue no lixo seu conhecimento, o que vale é saber pra quem oferecer o café primeiro

Observação é uma maneira interessante de se aprender um tanto de coisas, mesmo que a frustração flerte bem de perto as vezes conosco, podemos tirar lições valiosas de tudo o que nos cerca.

Aprendi algo valioso: você pode se reciclar, saber aplicar o máximo possível seus conhecimentos e estar mais preparado do que a grande maioria do mercado em que você atua, mas nada disso importa quando existem “interesses maiores” envolvidos.

Quando apertam a sua “bundinha” você não tem muito o que fazer a não ser falar amém. Então você pega tudo aquilo que sabe, todo o conhecimento fundamentado, todas as horas que passou aprendendo como utilizá-lo da forma correta e ignora, porque assim o pediram. Não adianta bater o pé, afinal, a pessoa que solicitou que você ignorasse o seu conhecimento tem poder maior que o seu. Ignore também que as sugestões que você tem não são apenas palpites, mas você colocou-as em prática para oferecer uma solução. Não ligue se não vão ouvir o que você a dizer ou que vão jogar a solução pela janela, afinal, não é por competência que a decisão foi tomada, mas sim por poder.

O “poder” é algo interessante, tanto como substantivo como verbo, pois ele inibe outras ações. É a famosa ciranda de influências que vive a solta por aí – e você deve saber o seu lugar, o de apertador de botões. As instituições exigem pessoas proativas, que tenham algo a adicionar e que briguem para o melhor para o desenvolvimento interno, mas na hora de colocar em prática ganha, na maioria das vezes, aquele que bebeu mais cervejas com alguém superior a você.

Acho que a competência deveria ser aposentada e o número de cervejas colocado acima do conhecimento, afinal, não adianta você encaminhar as coisas para os melhores rumos, pois no final são as pernas trançadas que irão definir para onde se deve seguir.

Esqueçam tudo o que aprenderam na vida e, principalmente, toda a teoria acumulada, pois, na prática, o que importa são os tapinhas nas costas e aqueles sorrisos todos de salas de reunião.

Competência pra que quando você joga futebol, toma cerveja ou dá tapinhas nas costas da pessoa certa?

Vou sair por aí dando tapinhas nas costas, com o meu conhecimento adquirido eu posso ficar sem estudar por décadas e ainda os tapinhas vão conseguir esconder as falhas que vão se abrir em meu conhecimento, afinal, o que vale de fato são os meus olhos azuis, que se foda o que tem atrás deles.

Nota mental: preciso começar a usar terno e gravata, talvez assim eu seja uma pessoa melhor.

24.4.06

Porque as pessoas me irritam

"Do. Or do not. There is no try." - Yoda

Por vários e vários anos eu tentei ser uma pessoa melhor, hoje sei que não sou alguém melhor e que isso não será possível, o que eu posso tentar é melhorar sempre. È mais ou menos como tentar alcançar o divino, naquela história da tríade budista representada pela letra Ohm () - corpo, alma e mente, todos os três em busca do divino, que fica separado e desligado de ambos.

Agora eu assumo a minha frustração e começo a seguir um rumo diferente. Tento não só “melhorar a mim mesmo”, mas também a tentar melhorar as coisas que estão a minha volta. Poderia sugerir ao mundo que isso é altruísmo ou que eu sou uma pessoa “iluminada”, mas a verdade é outra – quero um mundo decente para que eu possa viver do jeito que acho correto e também um mundo decente para os meus filhos. Não quero a paz mundial, porque o homem nunca vai conseguir viver em paz, mas quero objetivos mais básicos, quero poucas mudanças, mas que elas ocorram de fato.

E devido a tudo isso descobri algo amargo: as pessoas me irritam. Sim, o ser humano me irrita porque gosta de ser ignorante e permite que outras pessoas montem em cima deles – e não é de hoje isso, sempre foi assim. Quando você lê as palavras de filósofos antigos e até mesmo de gente mais “nova”, como Nietzche, Kropotikin, G. Orwell, Tolstoi e afins você vê essa preguiça de mudar e de fazer que é inerente ao ser. Isso me enerva e ultimamente tento ao máximo combater essa postura nos outros.

Acham que eu estou falando besteira? Tudo bem, vamos então tentar pensar um pouco.

1. Você sabe os seus direitos?

Se a resposta é positiva e você sabe a maioria dos seus direitos como cidadão brasileiro e como ser humano, então pare e pense como você os aprendeu. Alguém lhe disse? Se sim, quem? Seus pais? Sua namorada ou namorado? Seus amigos? Ou você foi atrás por conta? Na verdade, os seus direitos deveriam ser ensinados na escola, mas se você foi atrás deles, parabéns, você faz parte da minoria. Pergunta para sua empregada se ela sabe quais são os artigos dos direitos humanos; na verdade, nem precisa perguntar se ela sabe os artigos, mas sim o que definem esses direitos e o que ela tem como garantias. Tenta agora perguntar para o seu porteiro, para o tio da banca, para o cobrador, para o motoboy que entrega pizzas pra você ou para o seu amigo do apartamento ao lado. A maioria das pessoas não saberá responder a sua pergunta.

Agora, tente com a Constituição, que define os direitos e deveres da pessoa como cidadã do país.

Sim, você vai ficar assustado, pois ninguém sabe o que pode ou não ser feito quando um carro da polícia te para na rua e começa a pedir para que você tire seus tênis e peça os seus documentos ou para revistar a sua bolsa. Você precisa saber, por exemplo, que você não tem o dever de tirar o seu tênis, que você não pode tirar a sua meia, que eles não podem pedir para que tire a sua camisa (levantar na altura da barriga eles podem) e também não podem colocar a mão dentro da sua bolsa ou carteira. Só que você sabia disso? Creio que se souber faz parte da minoria que teve acesso a essa informação porque (1) seus pais trabalham na área de direito ou (2) você está fazendo faculdade de direito.

Enfim, isso me irrita, porque o ser humano não sabe nem se pode ou não peidar no elevador e vem se metendo na vida alheia como se soubesse de tudo, como se os valores morais que são naturais ao INDIVIDUO pertencessem a eles e a sua doutrina pseudo-religiosa definisse tudo o que deve ser sabido. Arghs!

2. Mandam eu fazer, eu faço

Arghs, esse é o motivo mais estúpido de todos. Herança retardada da mente colonizada e apertada por todos esses séculos por uma sociedade baseada em oligarquias agrárias e elites que sempre deixaram o povo o mais estúpido possível para não reclamar do pasto cheio de bosta que ele é obrigado a utilizar como comida.

As pessoas não se mexem e, quando você questiona porque não agiram com relação a algo, dizem “ninguém me pediu pra fazer”.

Proatividade e necessidade de mudança, ação frente aos perigos, desafios e injustiças. Ninguém sabe de nada então ninguém é obrigado a fazer nada. As pessoas foram condicionadas a serem passivas, a não exigirem mudanças na estrutura da sociedade.

Porque não fazem igual o pessoal fez lá na Bolívia e fazem uma greve geral para solicitar mudanças que melhoram a vida do povo? Não, nem os bolivianos fizeram direito e, segundo fontes oficiais (nas quais eu não costumo a acreditar muito não, principalmente porque defendem os interesses de quem está no poder – isso pra mim se chama propaganda) só 30% da população do país aderiu a greve.

3. Não adianta votar, afinal, político é tudo ladrão

Frase e espírito pra lá de idiota. Poxa, se você não acredita em política, então começa a batalhar pra fazer a sua política. Caso você não acredite que os políticos são honestos (como eu não acredito), então faça algo pra mudar. Comece a pesquisar sobre pessoas que também acham isso e comece a olhar com cuidado onde você coloca os seus pezinhos. Não adianta bancar o revoltado punk de esquina e falar “não brinco mais”, tem que fazer algo pra mudar o sistema de verdade, ao invés de ficar arrotando ideologia adolescente.

Taí, as pessoas me irritam profundamente com esse conformismo. Não é só com relação a isso, é com relação a tudo. A maioria é burra e ainda acredito piamente que o coletivo é inercial, a massa é ociosa e segue o fluxo mais fácil – a lei do menor esforço não foi feita pelo Gerson, mas sim por algo bem mais antigo, mais incrustado na natureza humana.

4. Passa na TV, então é verdade

Outro motivo porque as pessoas me irritam, mas que acaba sendo gerado pela mesma preguiça mental dos dois anteriores.

Se na televisão passa alguma coisa, então aquilo é fato consumado e não é mentira. Pare, como a televisão mentiria para a gente, afinal, ela nos educou da década de 1970 até os tempos atuais. Impossível que nossa fiel matriarca e divulgadora das verdades universais estaria divulgando informação não condizente com a verdade factual.

O problema não é a televisão, mas toda a mídia e todo o jornalismo. A televisão não divulga a verdade, mas sim um aspecto dela. Acaba sendo parcial sim, divulgando informações que defendam os interesses da emissora de TV ou rádio, do conselho diretor ou do patrocinador. O governo tem parcela nisso, afinal, quando a mídia resolve apoiar ou ir contra ele, aí dá pano pra manga.

Isso não acontece só no Brasil, não vou falar que o brasileiro é estúpido, mas todo mundo o é de verdade. O ser humano parece um amontoado de parasitas nas costas de um caramujo seguindo para onde a massa flácida, gorda e gosmenta vai.

Neste final de semana tivemos um exemplo muito próximo disso. A mídia resolveu fazer um auê danado sobre uns problemas com “skin heads” que ocorreram na região dos Jardins, entre a Rebouças e a Consolação. Segundo a imprensa e testemunhas a culpa foi dos “carecas”, mas os fatos são bem diferentes do que a imprensa divulgou a sete ventos. O Terra, UOL, Folha e a Globo resolveram fazer a barulheira, um dramalhão repetitivo com relação a agressão aos “homossexuais e simpatizantes” na rua.

A verdade é um pouco mais dura, porque eles agrediram sim as pessoas que estavam na Alameda Itu, fizeram isso com outras pessoas na Rua da Consolação, mas os fatos estavam todos misturados, exagerados e localizados de forma errada. Em uma matéria no Terra se dizia que haviam retirado as pessoas de um bar na esquina da Itu com a Consolação, mentira, pois o que tem lá é o Omalley’s, o lugar mais hetero do mundo (principalmente porque é onde os gringos e “branquelos” se encontram, pois é um pub IRLÂNDES, sabiam?). Essa foi só uma das besteiras, porque a pessoa que morreu no final de semana lá foi esfaqueada e estava na calçada, no meio da muvuca e, até onde eu sei, não era “uma bicha”, mas um punk que estava pelos arredores e havia mexido anteriormente com as figuras que passaram “tocando o terror” por lá, ou seja, pegaram ele de verdade porque ele motivou a agressão com aquela dureza.

Sabem de outra coisa que a mídia não falou pra vocês? Que a rua estava cheia de gente nas duas noites que passaram por lá e ninguém, absolutamente ninguém fez nada para impedir a violência. O número de pessoas na rua era bem maior do que o volume de agressores e não houve esboço de reação alguma, ah, na verdade houve sim, todo mundo correu para todos os lados. Como as pessoas vão exigir serem respeitadas se não defendem quem está precisando, mas o pior é que vai cada um por si e que se foda o outro que está sendo estourado a base de chutes. Sim, é isso que acontece e a imprensa não fala nada a respeito, afinal, se defender é crime, não é mesmo? Ops, na verdade, não é!

5. Ah, estou com preguiça de ler tudo isso

Se você chegou até aqui este não é o seu problema, mas é o da maioria das pessoas. Ninguém lê nada, ninguém para dez minutos que seja para ler um texto que fale sobre qualquer coisa relevante. Todos vivem em uma cultura de “ligeirezas”, pois frases com mais de cinco palavras ou que levem mais de dez segundos para se absorver são muito. É uma cultura de fast-food, onde as pessoas estão acostumadas a absorver a informação dos comerciais de TV, outdoors e afins, mas não conseguem absorver informação relevante. Todo mundo sabe o novo slogan da Coca-Cola ou do Mac Donalds, mas ninguém se interessa de fato para saber o nome do Vice-Presidente, Vice-Governador ou Vice-Prefeito, mesmo quando os Vices acabam governando no lugar dos titulares diversas vezes e, mesmo que você não tenha votado nele, quando elegeu seu candidato colocou aquele outro cara que você não confia muito junto (aliás, nessas horas você tem que ter em mente também o “conte-me com quem andas que eu te direis quem é”).

Ninguém quer ler nada pois não tem interesse, é mais fácil receber idéias digeridas do que pensar por conta, é mais fácil ser liderado que tomar suas decisões e é mais fácil deixar que tudo acabe em merda pois não é você que vai ter que limpar depois - bem, não em um primeiro momento, mas quem aguenta o mau cheiro é SIM você.

12.4.06

12/04/2006

A opção militar contra o Irã ganha força em Washington

Várias publicações americanas respeitadas dão conta da realização de preparativos para uma intervenção nuclear aérea; o governo desmente

Corine Lesnes
correspondente em Washington

A opção militar contra o Irã, que por muito tempo foi vista como pouco praticável, já passou a ser considerada abertamente em Washington. Os que não acreditavam nela mudaram de opinião. "Até recentemente, eu atribuía essas hipóteses de ataques militares a iniciativas de 'blogueiros' ou de adeptos das teorias da conspiração", explicava, dias atrás, o especialista Joseph Cirincione. "Agora, a minha hipótese de trabalho é que certos membros da administração, entre os quais o vice-presidente (Dick Cheney), decidiram que a opção preferível é de atacar o Irã, o que desestabilizará o regime".

Um especialista reputado nas questões de proliferação nuclear, Cirincione acaba de publicar na revista "Foreign Policy" um artigo intitulado: "Me enganem duas vezes". Nele, Cirincione estabelece um paralelo entre a situação atual e o período que antecedeu a guerra no Iraque. Atualmente, a retórica oficial passou a pressionar mais. Agora, o Irã é qualificado de "ameaça principal".

Simultaneamente, diversos vazamentos na imprensa reforçam a idéia segundo a qual o programa nuclear iraniano poderia ser muito mais adiantado do que se pensa. "Isso me lembra a campanha muito coordenada que nós observamos antes da guerra no Iraque", analisa.

Joseph Cirincione não deve ter se sentido nem um pouco tranqüilizado com a leitura dos jornais durante este fim de semana. Em primeira-página, o "Washington Post" informava, no domingo (9/4), que os Estados Unidos vêm se preparando para uma confrontação com Teerã, enquanto eles prosseguem paralelamente suas articulações no quadro diplomático, efetuando aquilo que o diário chama de um exercício de "diplomacia coercitiva".

Nenhum ataque é "provável a curto prazo", sublinha o "Washington Post", mas os alvos foram repertoriados, a começar pela usina de enriquecimento de urânio de Natanz, mesmo se a amplidão dos ataques ainda não foi decidida (conheça as diferentes opções possíveis na lista abaixo).

No jornal semanal "The New Yorker", o jornalista Seymour Hersh afirma, ele também, que os preparativos já alcançaram o estágio operacional. Ele menciona, sobretudo, que o recurso a armas nucleares táticas não está excluído para destruir construções dissimuladas a mais de 20 metros debaixo da terra.

Segundo este jornalista, autor de vários "furos" de notícia no campo militar, os responsáveis das forças armadas ficaram surpresos, e, no caso de alguns deles, chocados, quando receberam um pedido para conservar a possibilidade de ataques nucleares, enquanto eles queriam excluí-la de antemão.

A credibilidade de tais informações é difícil de estabelecer. Em todo caso, elas se tornam de conhecimento públicos num momento crítico, quando uma queda-de-braço vem sendo travada entre o Irã e o Conselho de Segurança.

A ONU deu a Teerã até o final do mês de abril para abandonar suas atividades de enriquecimento do urânio. O diretor da Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, deve viajar nesta quarta-feira para Teerã, segundo revelaram diplomatas próximos à AIEA. Conforme explicou um dirigente anônimo em entrevista ao "Washington Post", trata-se principalmente de convencer os iranianos de que "tudo isso está ficando cada vez mais sério".

O chefe da diplomacia britânica, Jack Straw, considerou "maluca" a hipótese de um recurso à arma nuclear. O porta-voz do ministério iraniano das relações exteriores, por sua vez, indicou que o Irã não está nem um pouco impressionado com esta "guerra psicológica" que os Estados Unidos vêm conduzindo "por desespero". O antigo rival do presidente Bush, o democrata John Kerry, falou de "diplomacia de cow-boy".

Contudo, as revelações foram consideradas como sérias o bastante para que o conselheiro para a comunicação do presidente Bush, Dan Bartlett, achasse por bem prestar alguns esclarecimentos já no domingo. Os Estados Unidos estão conduzindo "preparativos normais, seja no plano militar ou no da inteligência", disse. "E a diplomacia continua sendo a "prioridade" do presidente Bush", acrescentou.


A opção militar vem ganhando terreno. Confrontados ao fantasma de uma guerra civil no Iraque, vários responsáveis americanos estimam que eles não vão conseguir estabilizar o Iraque ou o Afeganistão enquanto o Irã ou a Síria incentivarem a insurreição e o terrorismo.

Existe um outro fator de peso: George W. Bush está cumprindo seu segundo mandato presidencial e não poderá, portanto, se candidatar em 2008. Segundo Seymour Hersh, o presidente Bush se considera como o único dirigente capaz de ter a "coragem" de impedir o Irã de se dotar da arma atômica.

Os cenários possíveis

Ataques: Apenas ataques aéreos estão sendo considerados, diferentemente do que ocorreu com a invasão do Iraque.

Modalidades de ataque: O Center for Strategic and International Studies (CSIS) fez um levantamento de diversas opções:

  • tiros de reprimenda: alguns mísseis de cruzeiro, para mostrar a seriedade dos Estados Unidos, atingem ao menos um dos centros suspeitos.
  • ataque limitado com 16 a 20 mísseis de cruzeiro. Apenas os centros
  • nucleares seriam alvejados.
  • ataque de maior proporção contra as instalações militares: 200 a 600
  • mísseis de cruzeiro, além de reides aéreos durante um período de três a dez dias.
  • ataque maciço durante várias semanas contra as instalações militares e civis: 1.000 a 2.500 mísseis.

Armas nucleares táticas: O jornal semanal "The New Yorker" evoca a utilização de armas nucleares anti-fortalezas subterrâneas do type B61-11 para destruir a principal usina nuclear iraniana, situada em Natanz.

"Pura especulação", segundo o presidente Bush

O presidente americano qualificou, na segunda-feira (10), de "pura especulação" as recentes informações sobre os preparativos para um recurso à força militar contra o Irã. "Eu li os artigos nos jornais neste fim de semana. Tudo isso é simplesmente pura especulação", declarou George W. Bush por ocasião de uma reunião pública em Washington.

"A doutrina da prevenção consiste em trabalharmos juntos para impedir os iranianos de terem a arma nuclear", disse Bush. "Eu sei que aqui, em

Washington (...), prevenção quer dizer recurso à força, [mas] isso não quer dizer necessariamente recurso à força. No caso, isso quer dizer diplomacia".


Esta notícia foi publicada pelo jornal "Le Monde" e está acessível para assinantes do UOL na URL http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2006/04/12/ult580u1926.jhtm.

17.3.06

Bíblia com “aviso de conteúdo”

Imagem da Bíblia com Parental Advisory

Sim, isso mesmo! A Bíblia deveria ter uma aviso de conteúdo, o famoso “Parental Advisory” que entra em jogos com cenas de violência e livros ou produtos de conteúdo, digamos, adulto. Pode parecer um absurdo, mas outro dia estávamos falando sobre isso e não é que o papo rendeu.

Porque diabos temos que nos preocupar com conteúdo violento em filmes, quadrinhos, livros, revistas e jogos eletrônicos? Oras, quando lemos a Bíblia, o livro mais sagrado do mundo (não que seja realmente o mais sagrado, mas é que sagrado para a maior parte da população ocidental, então vamos aceitar a opinião da maioria – mesmo que eu ache que O Pequeno Príncipe seja mais sagrado que ela) vemos dentro dela cenas fortes de sexo, violência e conteúdo adulto.

Tudo bem, você tem o direito de me questionar, mas eu aprendi bem com os Testemunhas de Jeová, que batiam na minha porta em Sorocaba quase todos os domingos e com os quais ficava discutindo horas e horas, que quando você não tem argumentos válidos (ou quer economizar tempo) é só citar uma passagem bíblica! Então, vamos “noés”:

Alegrar-se-á o justo quando vir a vingança; banhará os pés no sangue do ímpio.
- Salmos 58:10

Mas, ó SENHOR dos Exércitos, justo Juiz, que provas o mais íntimo do coração, veja eu a tua vingança sobre eles; pois a ti revelei a minha causa.
- Jeremias 11:20

Com ira e furor, tomarei vingança sobre as nações que não me obedeceram.
- Miquéias 5:15

O SENHOR é Deus zeloso e vingador, o SENHOR é vingador e cheio de ira; o SENHOR toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para os seus inimigos.
- Naum 1:2

Sobe, ó espada, contra a terra duplamente rebelde, sobe contra ela e contra os moradores da terra de castigo; assola irremissivelmente, destrói tudo após eles, diz o SENHOR, e faze segundo tudo o que te mandei.
- Jeremias 50:21

Especialmente indico a leitura do livro Juízes do capítulo 19 ao 21 é uma história bem interessante, que possui um bom parâmetro do que é certo de acordo com o Velho Testamento - vocês vão se emocionar com a intriga de sexo e sangue!!!!

Olha só, isso porque foi um levantamento BEM superficial, eu nem gastei tempo falando sobre outras passagens fantásticas e que mereciam atenção – e algumas morais um tanto estranhas, quanto a da parábola do Filho Pródigo que tanta gente usa como “exemplo de tolerância e moral”.

Tem outra ainda, pois a Bíblia deveria ter um aviso também relacionado ao tempo de uso, algo do tipo:

“Deve ser utilizado entre 1 e 4 horas por dia no máximo, pois pode causar danos na interpretação da realidade, fanatismo religioso e, em casos mais sérios, atentados terroristas. Indica-se o uso com moderação e cautela por pessoas com problemas psicológicos, tendências a esquizofrenia, histórico de uso de drogas alucinógenas e outros problemas de cunho psiquiátrico – também deve ser afastado de idosos ou pessoas com propensão a credulidade crônica.”

Imagine só uma propaganda da Bíblica escrita de forma mais agressiva no melhor estilo PoliShop:

“Compre a Bíblia Sagrada: um livro com conflitos pessoais, assassinatos, conspirações, guerras, sexo, terror e assuntos paranormais – não perca o volume especial, com uma réplica em resina de David estourando a cabeça de Golias. Não perca essa oportunidade. Se você comprar agora ainda leva de brinde um livro de ‘Perguntas e Respostas Religiosas Para Seus Filhos’, respondendo questões como ‘Por que Jesus Cristo tinha cabelos compridos como uma bicha?’ e ‘Papai Noel é o Diabo?’.”

Oras, e não foi só a gente que pensou nisso, o assunto já roda por aí há um tempo e achei uma matéria, em inglês, intitulada “Bibles to be Published With Parental Advisory Labels” (algo como “Bíblia é publicada com quadros de Aviso de Conteúdo”) – aliás, todo o site é ótimo, cheio de matérias pra lá de hilárias (só rindo mesmo).

Da próxima vez que chegarem perto da Bíblia, vejam se colaram o selinho lá. Se não o fizeram, então ignore-o da próxima vez que for comprar um jogo para os seus filhos ou sobrinhos ou primos, afinal, no Catecismo ou na Escola Dominical ele terá aprendidos coisas mais interessantes e com embasamento mais sério – oras, a Bíblia não está certa acima de todas as leis?

E se precisarem da Bíblica, vocês podem encontrar ela na Internet com um ótimo sistema de busca em http://www.bibliaonline.net . Boa sorte!

Caça às bruxas: agora vai ser com o The Crims!!!!

Quem não conhece o jogo The Crims levanta as mãos... e passa a grana! Tá, tá! É uma piada para quem já conhece. The Crims é um jogo “web based”, ou seja, você utiliza o browser para jogar, escolhendo o que se fazer durante uma seqüência de turnos. O jogo faz cálculos baseados em suas ações. Jogos “web based” são os pais dos tais jogos massivos online (World Of Warcraft e Ragnarok são dois bons exemplos) e foram muito populares lá fora durante a década de 90 (e até agora, viu?).

O que tem de tão especial então nesse tal The Crims? Simples, o jogo é engraçado por se basear na idéia que você vive em Crim City, uma cidade inspirada na idéia do Frank Miller chamada Sin City, onde o crime anda solto e você deve fazer o papel de um tipo de bandido dentro desse contexto. Você escolhe entre vários tipos de criminoso () e o seu objetivo é ganhar respeito dentro do submundo. Para ganhar respeito você deve fazer assaltos, que vão desde lojas de 1,99, passando por velhinhas, Casas Bahia e acabando, no modo solo, no Museu Nacional de Crim City.

Para você roubar é preciso que a sua barra de energia, chamada no jogo de “Estamina” esteja no mínimo necessário para efetuar os crimes. Para aumentar a sua energia você pode esperar o tempo passar ou usar drogas em boates e raves para que ela aumente. Com os roubos você ganha dinheiro que, por sua vez, é utilizado para usar mais drogas – você entra em um ciclo e, quando as drogas não surtem mais efeitos, deve ir para o hospital fazer uma desintoxicação. Só que não pára por aí. Com a grana que vai sobrando você pode fazer investimentos em putas e depois em fábricas de drogas – com o tempo você recolhe a grana das putas, o produto das suas fábricas e vende no tráfico de drogas.

Está bem, está bem. Este jogo é bem pior que um papo de jogadores de RPG do tipo “então, eu peguei a minha montante e arranquei o pescoço do dragão com um só golpe, mas o anão entrou no caminho e acabei decepando sua mão direita”.

O jogo é bem divertido e o sistema de regras permite que você se divirta sem deixar a sua vida de lado. Com o tempo você monta uma gangue dentro do jogo e pode fazer assaltos em grupo, o que é uma boa quando você tem um grupo grande de amigos nerds – isso rende várias e várias risadas durante finais de semana que poderiam ser tediosos.

Devido a essa temática, que flerta em muito com o jogo GTA, iniciou-se a perseguição. The Crims pode ser proibido para jogadores brasileiros ou seus donos processados por incentivar a violência ou o uso de droga entre os menores. Eu já vi esse tipo de besteira acontecer, quando teve aquele massacre lá em Columbine, nos Estados Unidos, e jogaram a culpa toda no tipo de música (Manson), no RPG, nos jogos de computador (Doom) e no cinema (Matrix). É tão mais fácil escolher um alvo e acertar ele com besteiras desse tipo, principalmente porque não é um jogo que deixa as pessoas mais ou menos violentas, mas sim a criação, a índole, a família e o momento – caso contrário era para eu ser um psicopata, porque eu ouço Manson, assisti Matrix várias vezes, jogo RPG e jogos de computador de tiro, mas ainda tenho um agravante, vivo perambulando pela noite e pelas baladas. Meu Deus, fiquei com medo de mim!

A culpa da violência não está na ficção, não é um filme ou um jogo que vão fazer com que uma pessoa se torne uma criminosa, mas uma série de aspectos que a sociedade prefere ignorar. O criminoso nasce porque os criamos todos os dias, na pressão do cotidiano, na falta de oportunidades, na facilitação ao acesso a drogas e armas de VERDADE, na diferença social, na falta de educação e nas disparidades que estão aí dia-a-dia nos jornais. Juro que com GTA eu não aprendi como espancar alguém até a morte e nem com The Crims eu aprendi a gerenciar um cartel de drogas – isso não se aprende em simuladores divertidos. Não virei um viciado porque prefiro usar Cogumelos Alucinógenos e Ópio ou por ter certeza que Heroína é cara e não dá retorno financeiro, pois isso são dados que eu uso somente para um jogo de computador imbecil que eu participo para matar o tempo livre e dar assunto pro final de semana chuvoso e massante!

Vão começar outra vez com o discurso politicamente correto e corremos o risco de não podermos mais fazer o que queremos, mesmo que seja inofensivo. Daqui a pouco vão nos colocar coleiras e sensores para saber o que estamos pensando, para que se tivermos algum pensamento violento possam expurga-los de nossa mente com eletro-choque.

Qual será o próximo alvo? Hein? The Sims? Star Wars? Eu não sei... mas logo ele virá!

P.S.: Uma foto ilustrativa você acha no meu fotolog!

13.3.06

Mudando o tom do discurso

Gente, olhem isso, eu nunca pensei que viria a ATARI (por favor, a empresa de videogames, please!) sofrendo por calote, carai!

Atari pode ser retirada da lista da Nasdaq - 12/03/2006 - UOL Jogos - UOL Jogos

Pra gente ver que nem as lendas sobrevivem por muito tempo, mas é tudo culpa da Eletronic Arts, afinal, alguém tem sempre que ser o culpado pras cagadas alheias, né? Não existe fortuna, infortúnios e nem mesmo competência - é tudo culpa de uma conspiração mundial.

Daqui a pouco, vão culpar a Blizzard também... rs rs rs rs rs rs!

9.3.06

Sábia que querem tirar até 40% do seu salário?!

“Liberdade de imprensa e reunião, inviolabilidade do domicílio e de todo o resto, só são respeitadas se o povo não faz uso delas contra as classes privilegiadas. Todavia, o dia em que ele começa a servir-se delas para sapar os privilégios, - todas essas pretensas liberdades são lançadas ao mar” – Piotr Kropotkin

É com essa citação do Russo Kropotkin escrita por volta de 1885 que eu começo hoje. Tudo isso por conta de uma matéria do ano passado, datada de 19 de maio de 2005, escrita no site da revista Consultor Jurídico.

Esta matéria está falando sobre uma lei que está em processo de aprovação hoje no Congresso Nacional, que vem toda mascarada de boas intenções, mas na verdade quer foder mais um pouco o cidadão comum em detrimento do interesse dos banqueiros. Pode parecer meio exagero e papo de “bandeira vermelha”, mas o negócio é sério mesmo! Acho que todo mundo deveria ficar de olho nessa lei e as pessoas deveriam formar uma opinião sobre ela para que não deixem ela passar.

Por quê? Ao ler a matéria e as correções que ela faz no Código Civil vocês irão observar algumas coisas bem interessantes:

  1. Eles podem penhorar seus ativos, ou seja, aquela sua poupança que você fez para a faculdade do seu filho, o seu plano de previdência privada, aquele seu investimento em saúde feito no banco e outros podem ir para o beleléu sem que você possa fazer nada para evitar isso;
  2. A sua casa, que você demorou sua vida toda para levantar, pode ser vendida para pagar sua divida. Hoje, o Código Civil não permite que o seu imóvel único seja vendido ou penhorado, mas eles querem mudar isso;
  3. Você pode ter até 40% do seu salário penhorado para honrar a sua divida, ou seja, você vai ficar com quase 70% de descontos em cima dele (já que você paga imposto de renda, INSS, contribuição sindical, fundo de garantia e afins – como se o aluguel, mais comida, mais plano de saúde, conta de luz e afins não consumissem quase toda a sobra!!!!).

E por aí vão os abusos. Um comentário no final do texto, todo em “advogadês” diz que:

Em que pesem argumentações díspares, a alteração legislativa quanto à efetiva e profícua satisfação do credor Exeqüente de quantia certa é hoje medida de imperiosa necessidade em nosso ordenamento jurídico, eis que devedores "de carteirinha" pulverizam entre a comunidade: "Deixemos nossas dívidas serem levadas ao Poder Judiciário, pois lá é tudo muito lento e quando sai algum resultado, pagamos da forma com que queremos". Isto é um um denemérito ao Poder Judiciário e um desrespeito ao credor.

Moisés Néri Costa
Professor Direito Processual Civil

Interessante, né? Eu, que não sou formado em direito e uso o português para me expressar, sem tentar soar eloqüente ou prolixo, vou traduzir o que ele disse aí em cima:

“Independentemente das opiniões contrárias, essa alteração é necessária para acertar as coisas, pois os “devedores de carteirinha” estão espalhados ao monte por aí: ‘Deixemos que as dividas vão pra justiça, pois lá é tudo muito lento e quando sai algum resultado, pagamos da forma com que queremos’. Isto é ofensivo ao Poder Judiário e um desrespeito ao credor”.

Ficou mais claro agora? Só mudei algumas palavrinhas!

Então, acreditar que é com uma medida dessas que você vai resolver o problema das pessoas que deixam de pagar suas dividas é um absurdo. Em primeiro lugar, um empréstimo, seja ele em dinheiro ou aquela famosa venda a prazo, é um contrato entre duas pessoas, sejam físicas ou jurídicas. Esse contrato não é forçado por nenhuma das partes e, por isso, é um acordo. Quando uma das partes não honra esse contrato há um embate e elas passam a discutir como resolver o problema! Não é por isso eu você vai passar por cima dos direitos do cidadão e obrigar ele a uma condição que venha a suprimir seu sustento, que lhe tire a moradia ou que o prive de seus investimentos para o futuro (se o governo ainda desse saúde, educação e aposentadoria decente, aí seria uma outra história – mas o Estado não cumpre suas obrigações).

Não estou defendendo que os maus pagadores tem que sair ilesos de suas dívidas, mas sim que a política para a cobrança deve ser justa. Eu sou um devedor, assumo isso, mas penso todos os dias em como acertar minha divida, dentro dos meus limites pessoais – só que eu não posso ser atingido pela vontade do meu credor. Ainda sou um individuo e a minha renda nem é meu lucro, é o meu sustento básico, o que não acontece com empresas financeiras, que estão lucrando cerca de 25% ao ano (um valor assombrosamente alto).

Sou a favor do aumento do tempo que a pessoa é considerada devedora e que seu nome fica registrado como tal, isso é justo, já que ela se banhou de recursos de terceiros e deveria entregá-los de volta. Caso o Estado desejasse mudar algo de vez, então que pegasse os devedores de valores mais alto e os obrigasse a acertar as suas dividas, não a massa (que dá lucro aos bancos).

Por que então não pegar aquele individuo ou proprietário de empresa que deve R$ 500.000,00 ou mais e pedir para que ele honre sua dívida? Ah, ele não tem? Tudo tem então, obrigue-o a prestar serviços comunitários tempo o suficiente para que ele atinja o valor da sua dívida – e isso pode ser feito também com o pequeno devedor. Faça a dívida virar investimento social ao invés de engordar os bolsos de uma elite cada vez mais rica; faça o dinheiro melhorar o país ao contrário de ir voando para o exterior; faça o capital dos devedores se transformar em melhorias para a sociedade e retornar em educação, melhoria de qualidade de vida, segurança e saúde! Por que então não fazer isso? Porque os deputados e demais políticos não querem melhorar a sociedade, querem é encher seus bolsos de dinheiro!

Só que essa discussão é mais profunda, pois ela vai de frente a duas premissas: falta de educação do povo quanto a suas finanças e concentração se renda na mão daqueles que se beneficiam da disparidade econômica e social.

A primeira instância, a falta de educação financeira ao povo, faz com que as pessoas não saibam o que significa juros. Podem até saber que vão pagar um pouco mais, mas desconhecem o que isso significa lá na frente, sem contar que não sabem o que é justo e o que é abusivo. O individuo comum não conhece os limites bancários e as leis que regem essas transações financeiras, bem como desconhecem o que é contrato, o que é direito civil e outras coisas mais. Isso faz com que eles virem vitimas de um sistema que os envolve e depois os espreme, em busca de dinheiro – nem todo devedor o fez de má fé, talvez ele tenha perdido o emprego e caído na armadilha do empréstimo ou dos juros sobre juros.

Isso é desonesto, é se empanturrar com a comida tirada do prato de quem não sabia que iria perdê-la, é simplesmente injusto. O segundo ponto parte daí: quem tem conhecimento acaba acumulando capital e utiliza esse mesmo capital para gerar mais dinheiro, emprestando-o aos que não tem e pedindo os juros para que os colha como frutos. Esta distância acaba empobrecendo mais as camadas menos privilegiadas, gerando mais lucro para aqueles que sobrevivem do desespero dos que precisam de R$ 200,00 emprestados para poder fazer a compra do mês.

E o assunto vai se estendendo por muitos parágrafos. Temos que discutir e tentar mudar isso. Os meus argumentos são muitos, acho que devemos, em primeiro momento, saber que podemos mudar as coisas e que o cidadão comum pode impedir que uma lei estúpida dessas seja aprovada. Nós temos nosso direito, vivemos em uma democracia e temos que saber utilizar de seus recursos, mas este é um assunto para um próximo post, por enquanto, passem essa notícia ao maior número de pessoas, é um apelo para que não nos fodam uma vez mais!!!!!!!

Um abraço.

2.3.06

Anarquia, oi!

Quanto eu mais leio sobre anarquismo mais eu vejo que nunca fui anarquista e que nunca eu conseguiria acreditar em um sistema que tenta pregar um positivismo tão cego com relação a humanidade.

Na minha adolescência, como quase toda pessoa que um dia já pensou que poderia mudar o mundo sozinha (bem, todo adolescente acha isso), eu pensava que teorias “revolucionárias” como o comunismo e o socialismo poderiam ter aquele quê de salvação, quebrando o sistema vigente e dando uma sociedade justa ou igualitária para todas as pessoas. O engano dessas teorias está justamente aí: você é criado em um sistema e sua contestação é natural ao processo de formação do individuo. Se eu tivesse nascido em uma sociedade comunista, talvez eu achasse que estaria sendo massacrado pela mão do estado e privado da minha liberdade de me desenvolver como individuo, estariam me privando do acumulo do capital e do direito de ter a propriedade privada.

É natural nadar contra a maré, confrontar os valores ensinados por sua família e sociedade para criar os seus próprios – dessa quebra nasce o individuo. Lembro-me quando eu me banhei com o comunismo pela primeira vez e com o socialismo utópico. A sensação realmente era que aquelas idéias poderiam mudar o mundo, porém, o exemplo que de que elas eram falhas e que o ser humano não consegue viver em comunidade de fato estava bem na minha cara: a União Soviética desmoronava, o socialismo ruía e só a China se mantinha, manca, com um modelo de socialismo próprio, que mais parecia uma ditadura sul americana regada a excessos de sanções ao individuo.

Daí vieram a mim as idéias anarquistas, conheci o pensamento anarquista russo e toda aquela falácia pacifista de Tolstoi, muito visível em seu Guerra e Paz. Acreditei por um tempo que a anarquia poderia ser um rumo interessante, mas aí eu parei para questionar: por que diabos essas idéias nunca deram certo em mais de 2 séculos?

A premissa básica da anarquia é a crença que o ser humano é uma criatura social e que existe uma entidade a parte de tudo, que guia o homem sem que ele precise de fato de uma liderança. Isso seria basicamente como um instinto de matilha ou de manada, onde as pessoas seguem apenas o direcionamento dado por indivíduos para o bem comum. Uma idéia bem interessante, na qual eu acredito em parte, porém, existe uma outra premissa importante que é a capacidade de se auto-liderar da humanidade e de sempre fazer o correto. É uma crença tola se observarmos com cuidado a natureza humana.

O homem é um predador egoísta, Max Skiner (responsável por uma obra importante dentro do pensamento anarquista) dizia algo similar, mas seu pensamento era mais próximo ao de Nietzche, que elevava o homem ao grau de divindade (em Skiner era o egoísta e em Nietzche o super-homem). Não creio que o homem esteja acima dos outros animais quando analisado mais de perto. Somos predadores querendo perpetuar nossos genes, queremos liderar e estar acima de nossos pares. Os paradigmas mudam, mas no final, sempre são os melhores contra os piores, os mais capacitados em cima dos menos capacitados, os afortunados sobre os desaforturnados, os ricos sobre os pobres, os fortes sobre os fracos, os sanguinários sobre os pacíficos e o homem sobre o homem. A lei da natureza pode ser adaptada, mas sempre vai falar que quem vence na luta pela vida são os mais fortes – não há como negar isso e nem nosso instinto primal de reprodução e perpetuação genética.

Dentro dessa acepção as coisas ganham um sentido bem diferente e o homem passa a ser uma criatura incapaz do bem coletivo, pelo menos a sua grande maioria. A busca por uma mentalidade pacifica e comunista (no sentido do bem comum para todos) é praticamente uma jornada fadada ao fracasso. O homem chegou perto disso? Nunca, apenas mascarou através da vontade  coletiva alguns desejos do individuo, porém, isso logo faliu e deu lugar a vontade por estar em níveis superiores – aconteceu com o cristianismo, aconteceu com o budismo e aconteceu com o socialismo, pois sempre existirão os melhores e os piores, alguém paga o preço, não importa se é para o bem comum ou privado.

Essa é a minha crença e o meu ideal pessoal. Mas por que diabos eu coloquei isso aqui? É que eu fico profundamente irritado quando as pessoas ficam cegas por ideais. Tudo bem, um dia eu posso ter chegado perto de um discurso comunista, nazista, anarquista, socialista ou o que o valha, porém, eu nunca preguei. Talvez eu tenha feito isso por saber que eu não era o senhor da razão e que um pensamento nunca tinha apenas uma face – mas o mundo não é plurilateral, ele busca um paradigma e a manutenção do status quo, ou melhor, a sociedade busca uma paz ou estabilidade ilusória, até que o barril estoure e um outro paradigma se sobreponha sobre o anterior, passando novamente para um status quo que vai durar mais alguns séculos (às vezes muito mais, outras vezes muito menos).

Só uma coisa que preciso aprender a ser é paciente, pois as idéias devem ser conflitadas e algumas pessoas são mais crédulas nestas entidades. Adolescentes principalmente, porque eles precisam explicar o seu mundo e precisam se encontrar, agrupar-se em “tribos” onde as suas idéias sejam semelhantes para que possam discutí-las ou até mesmo para se sentirem protegidos, precisam de apoio dos outros que estão no mesmo barco – e assim é com a maioria das pessoas.

Um filme que ilustra bem isso é American History X – Uma outra história americana e também aquele Skin-heads – A Força Branca (Romper Stomper), mas poderia deixar uma lista imensa de literatura e filmografia que mostram que as idéias se plantam nas lacunas e conflitos da mente jovem – só que uma mente jovem pode não ser apenas na idade, uma mente jovem pode ter 30 anos de idade, porém, nunca contestou a sua realidade.

Eu preciso ganhar paciência, mas a humanidade precisa aprender a discutir o bem comum, porém, sem acreditar que todos vão deixar de ser filhos da puta manipuladores, pois o mundo hoje é deles de novo – só que hoje eles vestem terno e gravata, aposentaram as batinas e armaduras, não usam mais coroa, apenas adornos delicados e discretos, tais como seus carros de luxo, suas plásticas caríssimas e seu descaso pelo resto da sociedade. Podem chamá-los por vários nomes se desejarem, mas sempre lembrem que eles variam de políticos a empresários – no final, eles deveriam utilizar capaz pontudas e sair só a noite, pois são vampiros ou seres antropofágicos que se nutrem da vida da comunidade, da sua vida e da vida dos seus entes queridos.

Só não deixe as idéias preencherem essa frustração e causarem mais estrago que danos, uma hora os líderes bem intencionados morrem e os vampiros vestem roupas novas, viram oficiais fardados ou revolucionários barbados, mas no final são sempre sanguessugas querendo foder o resto tudo para que se saiam bem.