4.7.07

A "Grande N" vai dominar o mundo

A Nintendo, mais uma vez, aumenta a sua linha de "jogos não convencionais". Eu estou falando que esses caras vão dominar o mundo, agora o DS também pode ter uma câmera digital acoplada. Vocês não tem idéia de como isso pode ser utilizado e as possibilidades que abre, não só uma ferramenta idiota como o joguinho de treinamento, mas dá pra fazer mais coisas legais, muito mais!

Leiam mais aqui:

http://jogos.uol.com.br/ultnot/nintendo/ult4096u422.jhtm

29.6.07

Viciados do futuro quase presente

- Estou tão triste. Meu filho se desvirtuou, comadre!

- Mas o que ouve, Dona Ana? O que o menino aprontou? Ele me parecia um bom moço.

- Comadre, o Vitinho está viciado. Entrou para um mundo estranho. Fica o dia todo viajando entre cores e sons estranhos, perdeu o contato com a realidade. O que eu faço, pelo amor de Nossa Senhora das Dores?!

- Já pensou em procurar ajuda profissional? Ele está traficando já? Ou está vendendo as coisas de casa pra comprar novos produtos?

- Ele está comprando pela Internet!!!!! Você não tem idéia, toda semana chega pacote novo. Ele não para de fazer encomendas! Não sai de casa! E quando sai tem uma companhias bem estranhas!

- Então você precisa internar o menino em uma clinica de desintoxição! Um psicólogo e um psiquiatra dão um jeito nele, você vai ver só.

- Mas comadre, não vale a pena eu tentar convencer ele a freqüentar o JVA?

- Aos Jogadores de Videogame Anônimos?! É uma boa saída... mas vai que lá ele se envolve com gente pior ainda. Vai que tem algum jogador de RPG ou um cardmaníaco!!!

- Deus que me livre! Toc-toc-toc – ela bate na madeira.

---------------

É isso aí, pessoal, agora jogadores de games serão considerados doentes, esperem só para verem por aí proibições e até mesmo rótulos dos neandertais que querem arrumar alguma forma de ganhar dinheiro com as conseqüências – espere só isso sair também para aparecerem por aí processos em cima de produtoras de games dizendo que seus clientes foram lesados definitivamente e que precisam receber milhões de dólares em indenização por suas perdas.

O fim está próximo!

E do que eu diabos estou falando? Da matéria da Reunters que está no UOL hoje e diz que “Médicos querem mais estudos sobre efeitos do uso de videogame

9.5.07

Popetine in São Paulo, Brazil

Vamos brincar de onde está Wally? Mas na verdade, vamos brincar de contar quantos PMs e GCMs estão na multidão!

Isso pra vocês verem como o centro de São Paulo "é" o lugar mais seguro de São Paulo. Aproveitem, aproveitem. Tragam os seus notebooks, Ipods, PSPs, Nintendos DS e Palms, hoje vocês podem usar tudo... mas não no meio da muvuca, tentem ficar o mais próximo possível do cordão de isolamento, da unidade K9 e da cavalaria - se tiver uma ponta de medo, vai pra perto do Exército!

Aliás, fez frio pra gente não pensar que estamos no Rio. Não é o Pan, mas é o Pampatine, o nosso papa do Dark Side!

A vinda do Papa e a hipocrisia assumida fazendo seu hardcore

De uns tempos para cá, resolvi usar definições do dicionário (no caso abaixo tirei do Houaiss) para as palavras bonitas que gosto de usar como base para os meus desabafos, então, seguindo essa idéia, hoje vamos tocar em uma palavra que os brasileiros gostam muito de usar em seu dia-a-dia, mas vocês costumam ouvir variações como “icresia” e “hiproquisia” com certa freqüência.

hipocrisia

Datação

sXV cf. FichIVPM

Acepções

■ substantivo feminino

  1. característica do que é hipócrita; falsidade, dissimulação
    Ex.: com a h. que lhe é peculiar, pôs-se a adular a sogra
  2. ato ou efeito de fingir, de dissimular os verdadeiros sentimentos, intenções; fingimento, falsidade
    Ex.: ela veio com a habitual h., mas não me enganou
  3. caráter daquilo que carece de sinceridade
    Ex.: a h. das palavras

Agora você já sabe que falar que é fingimento, dissimulação, mentira ou falsidade dá quase na mesma, dependendo do contexto você escolhe uma dessas palavras.

E por que diabos a palavra de ordem é a hipocrisia? Simples, queridos leitores, porque ela banha a nossa sociedade de uma maneira tão natural que respiramos ela sem reclamar: como fazemos com o mau cheiro exalado pelos escapamentos dos carros, ou pior, como fazemos com o mau cheiro dos rios Pinheiros e Tietê – no final, achamos esse fedor insuportável a coisa mais natural do mundo!

O papa vem ao Brasil! Acabaram-se os problemas.

Resolvemos a sujeira na cidade, acabamos com as pichações, encerramos com problema dos moradores de rua, as crianças de rua do Vale do Anhangabaú e da Sé encontraram lares seguros, os desempregados, desocupados e desesperados que permeiam o centro da cidade encontraram emprego ou ocupação. Milagre, tudo foi resolvido somente com a visita da Suprema Santidade ao Brasil.

Quero que o Vaticano se mude para São Paulo, viveríamos então no Paraíso – mudaríamos então o nome da Consolação para Paraíso II e os prostíbulos na Augusta virariam casas de oração (Hein!? Hein!? Sacaram?).

Por que digo isso? Desde que o Papa levantou seu traseiro lá do Vaticano, a cidade está se tornando “melhor”. Estão removendo os mendigos do centro (e suas fezes que se espalham do Largo do São Franscisco, Rua Direita, Sé e São Bento também sumiram), estão limpando as pichações dos monumentos e prédios históricos, há policiamento em quase todas as ruas (sem contar o Exército), os camelôs sumiram, as crianças de rua foram para outro lugar e até mesmo o Outono paulistano resolveu vim ver o Papa – viva a friaca e a garoa!

Os problemas se resolveram de uma vez! Aleluia, irmãos! Renovemos a fé católica apostólica romana! Viva o nosso eterno rock star! Viva o Pontífice Supremo da Igreja!

Até parece, crédulos e miseráveis paulistanos! A cidade está passando por aquela maquiagem básica, pior do que a que ocorre em períodos eleitorais – estamos tentando vender a imagem de país do bem, de cidade bonita e ideal. O que acontece aqui é mais ou menos o que ocorre com o Rio de Janeiro e sua orla maravilhosa, ocultando os morros que juntam a pobreza e a violência bem longe dos olhos dos turistas, mascaradas pelas fachadas dos arranha-céus cariocas e lá atrás do Corcovado, bem na sombra do Cristo Redentor.

Somos vítimas da hipocrisia brasileira, natural em nosso sangue, incrustada nas gerações que estão no poder através dos anos de militarismo, onde vale mais uma faxina para a visita ver como você é polido do que a resolução permanente dos problemas do encanamento da sua casa.
É mais ou menos o que acontece quando sua mãe resolve limpar a casa para receber visita, mostrando que lá vivem pessoas educadas, preocupadas com a higiene, mas no restante dos dias tudo fica uma zona – sem contar com os problemas de relacionamento familiar. Todo mundo sentado, na sala impecavelmente limpa, com sorrisos brancos esticados em face, fingindo ser a imagem da família de comercial de margarina.

O Papa fica aqui até o final de semana, depois volta para seu país que tem a maior renda per capita do mundo – e eles nem produzem petróleo. Talvez eles não tenham a maior renda per capita, posso estar enganado (e tenho quase certeza que estou), mas posso garantir que o maior lastro do mundo está lá, no Vaticano, um pingo de ouro, prata, obras de arte e pedras preciosas bem no meio da bota italiana – é um pin que Pan nenhum substituí.

Quando o senhor Bento XVI voltar para sua terra do ouro, da felicidade e das missas (eu insisto que lá também é a terra das massas, porque esse negócio do Vaticano ser Estado independente é estranho demais pra mim – é menor do que Campinas o lugar, gente!) as coisas vão voltar rapidinho para o original: as crianças de rua tomando banho e mijando nas fontes do Anhangabaú e da Sé; o chafariz da Praça Ramos desligado, rodeado de camelôs, cheiradores de cola e paulistanos preocupados em chegar no trabalho/casa depois de já ter ralado um dia/noite inteiro; assaltos pelos viciados em crack na região central; merda espalhada pelas ruas centrais – da Sé para todo o seu entorno, com o selo de garantia “Dobradinha Paulista: feijão, arroz e cheiro de Tietê”... e por aí vai, a lista de coisas que voltarão é tão triste que nem quero mais lembrar.

Aliás, vale lembrar que não é “Bento Xisvi” (parece nome de "réper" brasileiro), pois se lê “Bendo Dezesseis”, tá? É que estou me esforçando, afinal, o ensino brasileiro anda tão bom que as pessoas nem sabem sequer o nome do último presidente antes do Lula (eca!) – talvez, pela média nacional, só 20% das pessoas consiga chegar a esse ponto do texto sem se cansar porque a leitura é muito extensa).

Em armas de brinquedo, medo de brincar
Em anúncios luminosos, lâminas de barbear
nos anúncios de cigarro que avisam que fumar faz mal
- A violência travestida faz seu trottoir

Toda catedral é populista
É pop, é macumba prá turista
E afinal? O que é Rock'n'roll?
Os óculos do John, ou o olhar do Paul?
- O Papa é Pop

'Foto

Impossível eu, com meus vinte e sete anos, não me lembrar de Engenheiros do Hawaí e fazer um medley entre “O Papa é Pop” e “A violência travestida faz seu trottoir”. Tudo bem, a minha geração lembra dessas músicas, pelo menos de uma delas, garanto! E é impossível não citar um trecho de ambas as letras, mas elas deviam ser revisitadas e modernizadas, afinal, o Papa nem é mais o mesmo Pop, agora ele é da direita e é conservador, tem cara de ditador eslavo e se vestisse farda seria a reencarnação do Boris Yeltsin ou, com um manto beneditino, um cosplay mais que perfeito do Imperador Palpatine – vejam se na foto ele não é “categoria pro”; também a violência não está mais travestida (só os emos) e não se finge mais nada de forma discreta, é tudo agora mentira na caruda, afinal, quem é que consegue questionar alguma coisa? O nível intelectual do brasileiro cai cada vez mais e o máximo de contestação que se sente é quando toda a massa da classe média assiste Arnaldo Jabor com suas críticas na Globo – vejam bem, meus queridos, Jabor e Globo são o que questionam o país. Onde estamos? Universo paralelo? Não, nivelamos por baixo o nosso país... já somos um barco fazendo água em seus últimos suspiros, agora, vale a nós escolhermos nosso botes salva-vidas – se você não tem grana pra comprar o seu, reze pra sobrar uma “táubua” pra se segurar e que não seja uma “táubua de tiro ao Álvaro”.

P.S.: Cada dia mais atenção viro pro budismo, pelo menos a prece é discreta!

18.4.07

Gerun... odiando!

"Eu vou estar morrendo, para estar te salvando" - Gerúndio de Jesus*

Por diversas vezes recebi telefonemas de operadores de celulares ou de alguém oferecendo produtos bancários em meu telefone celular e em todas essas ocasiões fui abordado por frases como “vou estar encaminhando para que o senhor esteja analizando” ou “gostaria de estar obtendo informações de como estar ajudando o senhor”.

Alguns poucos iluminados (salve-os, óh, Razão!) devem saber o que está errado: é gerúndio demais funcionando como verbo auxiliar quando não era para ser assim! Tudo bem, você não lembra direito o que é gerúndio, pra refrescar a memória, de uma forma bem simplista, gerúndio é aquela forma verbal que dá impressão de continuidade – quando a gente solta um “estamos jogando” fazemos com que o verbo dê impressão de fato presente que vai se estender (outra forma de se identificar um gerúndio é por sua terminação em “ndo”, tal como em “falando”, “fazendo” e “imprimindo”).

Não vou dar aulas aqui sobre isso, mas é que estou ficando irritado com a insistência das pessoas em usar esse monte de “ndo” e afins! Dá vontade de pular no pescoço.

"Gerundismo" de merda! (Olha, esse nome enche a boca, parece até nome de um movimento intelectual ou político – como o socialismo, facismo, niilismo, etc. Vou montar um partido Gerundista, lembra até o tal do Getulismo! Ficaria bem próximo do Populismo, se eu pensar que o que é popular vem do povo - está bem, eu sei que populismo não quer dizer isso, foi uma piada infâme!)

Eu sei que usar de gerundismo pelas empresas de telemarketing é uma estratégia para aproximar o cliente do atendente, pois cria uma impressão de intimidade. Às favas essa intimidade, ela é tão irritante quanto o fofolês (“c qé c meu miguxxxxo? adooooooruuu vc!”) e mais imbecil porque está repetindo uma intimidade falsa de alguém que não te conhece, não é teu amigo e quer, na verdade, ferrar com você (ou você acha mesmo que aquele vendedor de assinatura de jornal “vai estar facilitando a forma como vai estar cobrando e dividindo as suas parcelas”?).

Ouço as pessoas por aí falando desse jeito e me irrita, mas na verdade, eu relevo, afinal, tem tanto erro pior aí no “protugueis” e a linguagem falada é algo mais solto mesmo (no fundo, eu até gosto dessa vida da língua, das novas expressões e afins). O pior de tudo é que eu vivo recebendo e-mails que não são SPAM, de pessoas entrando em contato e que tentam usar de um linguajar mais polido, mas em quase todas as frases existe um gerundismo de matar.

Poxa, é difícil pensar um pouco e até mesmo economizar no que se fala! Por exemplo, temos duas opções de falar a mesma coisa:

  1. Gostaria de estar obtendo informações sobre como estar falando com o dono da casa.
  2. Gostaria de obter informações sobre como falar com o dono da casa.

O primeiro item aí é o tal do gerundismo, no segundo aparece a forma correta de como escrever a frase. Não adianta, até falando isso é feio. Não seria melhor perguntar direto “Qual a forma de contato com o dono da casa?” ao invés de ficar fazendo rodeios? Sério! Parece besteira, mas estamos sendo invadidos por esse linguajar que vem crescendo, penetrando nas massas, afinal, quem é que ouve ligação de atendente de telemarketing? Claro que é a secretária do chefe, a dona de casa, a empregada, o cara que está devendo uma grana pra empresa de micro-crédito, o cara que está com todas “as conta” atrasadas... e por aí vai! A massa começa a falar assim e você passa a ouvir nas conversas de elevador coisas como: “Vou estar indo com o Valmir ao shopping para estar pegando um cinema! Não é incríiiiiiiivel?”.

Só pra deixar claro, antes que me fuzilem, não falei que a secretária é quem fala assim, dei um exemplo das massas.

Usando o exemplo da secretária: tenho um advogado com um escritório grande, então ele tem duas secretárias, uma para cuidar de sua agenda e outra especificamente para processar o atendimento telefônico (ela não é telefonista porque tem outras funções na empresa). Então, conclui-se que no mundo hajam mais secretarias que advogados, não é mesmo? Pelo menos o dobro! O mesmo vale para lojas, por exemplo, você tem um gerente e vários funcionários abaixo dele, então, o mundo tem mais funcionários do que gerentes. Concluímos então que a massa de pessoas é formada em sua maioria por funcionários no final da pirâmide (garçons, secretárias, caixas de banco, etc). Não se preocupe, não acho que o gerundismo seja problema "social" ou tem a ver com renda, é um fenômeno que não se prende a isso (quase como a AIDS, rs): tem gente sem grana que usa muito, gente da classe média, gente podre de rico, gente hetero, gente homo, gente do cinema, gente do teatro e gente da medicina - é a moda do momento!

Arghs!

Parece reclamação de velho, mas você não fica irritado também com isso? É todo mundo muito intimo, muito teu amigo quando começa a falar, mas no fundo, sinto-me como se alguém estivesse tentando vender para mim uma imagem e depois fosse te foder!

Oras, não é assim quando a operadora de telefonia vem oferecer os seus benefícios milagrosos e, no final, quando você vai cancelar o serviço ela te avisa que você só vai conseguir isso se pagar uma taxa de R$ 200,00 devido ao não cumprimento de uma cláusula que te mantinha preso ao serviço contratado?

Quando alguém me solta uma frase gerundiada é esse sentimento que jogo de volta contra a pessoa. Então, pessoal, nada de “vir me cumprimentado para estar me deixando nervoso”!

(* creditando a frase de abertura porque a idéia é do meu amigo Lucas Delmont, que concorda comigo que Gerúndio parece nome de retirante de livro do Jorge Amado).

2.4.07

Ninguém é o dono da razão, mas é bom assumir a escorragada as vezes, né?

Hoje eu tenho dois assuntos pra tratar: as palavras da nossa querida ministra que eram pra ter repercutido MUITO mais na cabeça das pessoas (acho estranho como algumas coisas realmente sérias são vistas com desdém – na verdade, não acho estranho, porque as pessoas não pensam muito na seriedade das coisas; é o ópio, minha gente, é o ópio!) e a outra é a Lei Municipal nº 14.223 (apelidada de “Cidade Limpa”).

Quanto ao que disse a ministra Matilde Ribeiro, só o caderno Mais da Folha de São Paulo, desse último domingo, dia 1º de abril (e nem foi mentirada!), já dá pano pra manga.

Algumas coisas que eu selecionei da Folha para que vocês sintam o teor da discussão (se você é assinante do jornal ou do UOL, você pode acessar o conteúdo através dos links nos nomes das reportagens e ler por lá mesmo a íntegra das matérias – vale a pena!).
Publicada na matéria de título “O divisor de água turvas”, uma entrevista com o historiador Ronaldo Vainfas, há um resumo dos seus dizeres já no chapéu do texto, que diz:

Para Ronaldo Vainfas, professor titular de história na Universidade Federal Fluminense, as declarações da ministra Matilde Ribeiro incitam ao ódio racial e demonstram uma visão "simplista e insidiosa". Para o autor de "Trópico dos Pecados" (Nova Fronteira), embora seja ministra, a titular da Secretaria da Promoção da Igualdade Racial fala em nome de "setores radicais do movimento negro, revanchistas e que ideologizam ao extremo".

Para o historiador, a ministra não consegue deixar de ser uma "militante radical do movimento negro". Ele também criticou a vitimização da África pelo Ocidente.

Ainda nessa matéria tem a passagem, que é uma coisa que eu sempre falo, mas quando eu solto essa, as pessoas me olham torto, como se eu estivesse justificando algo com um discurso cego e racista, quase nazista:

Essa história de vitimizar a África, ocultando que a África se envolveu no tráfico, é descabida, mistificadora e historicamente frágil. Havia uma cumplicidade enorme dos reis africanos.

Os europeus não conquistaram a África e capturaram eles mesmos os africanos para levar para as Américas.

Agora, na matéria “Diferenças essenciais”, o antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, disse:

Acho que sim. No Brasil, as minorias raciais, sexuais e de gênero são tentadas a ver a discriminação apenas do lado do opressor mais poderoso, como se as minorias sempre tivessem razão.

No caso da ministra, embora tenha dito que não concorde com essa posição, acho que as declarações representam quase uma aprovação da intolerância na convivência racial.

Ainda há a condenação das palavras utilizadas pela ministra, feitas pelo presidente da OAB e o pedido de retratação exigido pelo mesmo.

Dessa história, quem saiu ferido foi só a cabeça daqueles que param para pensar em uma nação a partir do agora. Os erros históricos aconteceram com todo mundo. Meus descendentes também sofreram, não foram "roubados" de sua terra natal, mas vieram para cá fugidos de conflitos na Europa com promessas de uma vida melhor - no final, acabaram em um sistema muito parecido com a escravidão, a diferença é que não havia o tronco, mas a senzala e a impossibilidade de sair das terras do oligarca agrícolas eram praticamente um regime de escravidão disfarçado (quem assistiu a mini-série da rede Globo "Amazônia" verá como funciona esse processo, mas no caso, com os nordestinos que foram levados com promessas de riqueza para os seringais do Acre no final do século XVIII) - os japoneses, os italianos, os alemães e um tanto de outros povos foram trazidos aqui e massacrados também, a diferença é o contexto todo, pois não adianta contar uma parte da história ou acabaremos por nos tornar tendenciosos!

Quanto ao programa Cidade Limpa, desse eu vou falar com mais propriedade depois, só afirmo que eu não concordo e não acho que isso vá resolver de fato os problemas da cidade – vai afetar as periferias, não estou falando do pessoal que mora longe, mas dos empregos informais e de uma massa que precisava de qualquer trabalhinho, já que o Estado não dá pra eles educação básica, qualificação profissional e, conseqüentemente, emprego!

Meu argumentos vem depois, com muita calma – porque eu estou sem dormir e muito puto ainda para ser ponderado!

27.3.07

Ministra defende o apartheid ao contrário

Outro dia, alguém respondeu aqui no meu blog quando eu falei sobre o racismo, que eu achava um absurdo o “racismo invertido”. A pessoa não se identificou, então eu não consegui respondê-la e deixei o assunto passar, pois de justificativa cega e unilateral eu estou de saco cheio (eu discordo completamente do ponto de vista da pessoa em questão, afinal, o pensamento correto seria “acabe com essa besteira” e não “inflame essa besteira” – mas cada um torce pro time que quer).

Então, hoje abro a capa do UOL e me deparo com a declaração da Ministra Matilde Ribeiro, titular da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Social (SEPPIR):

A reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

E ainda:

Aparentemente todos podem usufruir de tudo, mas na prática há lugares onde os negros não vão. Há um debate se aqui a questão é racial ou social. Eu diria que é as duas coisas.

Além disso citado aí ela conseguiu somar várias pérolas fantásticas em sua declaração, dignas de um apartheid invertido!

A questão no Brasil não é de racismo, mas sim de conflito social. Se os negros passam a se considerar massacrados por uma elite branca (que de fato não existe, porque no final todo mundo tem sua pitada de brasilidade e o olho claro é bem comum misturado ao cabelo enrolado ou o cabelo castanho e a pele morena), então eles se isolam em seus guetos, criando uma subcultura. O que acontece em movimento contrário é que eles se isolam da sociedade e passam a ter outros fatores além da pobreza para enfrentar, tal como linguajar e aspectos culturais desenvolvidos nestes guetos – conta mais isso do que a cor da pele.

No filme Crash, No Limite, você vê como é essa relação nos EUA, bem mais intensa e delineada que aqui no Brasil, mas entende que não é a sociedade que isola as pessoas por cor ou por nacionalidade, mas sim as próprias pessoas que se isolam, criando muros e preconceitos não justificados.

O que a Ministra disse não faz sentido, apenas me deixou MUITO revoltado, porque ela permite que as pessoas pensem de uma maneira pequena. A linha de raciocínio utilizada pode permitir que eu queira que todos os alemães sejam queimados em câmeras crematórias ou sufocados em de gás por conta da segunda guerra, que todos os católicos apostólicos romanos sejam torturados e queimados em fogueiras por conta da Inquisição e que todos os países “colonizados” pela Europa invadam o Velho Continente estuprando, roubando suas riquezas, massacrando a sua cultura e matando todo mundo com doenças infecto-contagiosas.

O pior de tudo, tem gente que acredita que os ingleses realmente proibiram a escravidão porque eles eram “evoluídos e bonzinhos”. Gente, era errado, fato, foi uma besteirada, mas só acabou porque os ingleses estavam perdendo mercados consumidores e perdendo a concorrência onde a prática da escravidão dava lucro, ou seja, em paises que vendiam matéria prima! Ingenuidade achar que foi um pensamento iluminado que levou a pressão que deflagrou a abolição da escravatura.

Agora, fico eu revoltado aqui, porque a nossa ministra falou uma besteira tão grande que vai criar um pensamento que justifica a violência pela violência. Vamos nós de volta a Lei de Talião e pensemos em jogar toda a cultura moderna no lixo, pois Gandhi estava errado, Cristo estava errado, Buda estava errado e o resto todo estava errado, afinal, a gente não é obrigado a gostar de quem nos pisoteia e podemos nos isolar deles a vontade – se der vontade, vamos meter açoite neles, afinal, é a hora da desforra.

A questão no Brasil não é racismo, mas distância social e criação das subculturas que vivem às margens. Uma vez eu dei um exemplo bem simples: o loirinho pobre que tem um irmão negro e um japonês vai ser obrigado a se ver sem escola pública porque somente o irmão negro terá direito a sua cota?

Pensem a respeito!

9.3.07

Besteirinha divertida em flash e saudosismo

Achei uma besteirinha on-line divertida, na verdade, é idiota, mas é dessas coisas que hoje em dia é raro, afinal, todo mundo agora faz vídeos e não perde tempo em colocá-los no YouTube ou similar. Gosto dessas idiotices em flash.

Dêem uma olhadinha, mas precisa ter som para ficar “divertidinho”. Esse é o tipo de coisa que eu via quando comecei a me embrenhar pelo mundo da Internet profissionalmente de fato, lá nos idos de 2000.

Saudosismo barato esse, mas eu gosto de ser velho, a carga de inutilidade na cabeça só aumentou.

Jazzblaster

Apresento-lhes o Jazzblaster

Sou obrigado a assumir que não ouço uma banda de rock "mais sério" que realmente eu leve em consideração como aconteceu a pouco. Tirando as bandas que eu gosto por serem divertidas demais, como o Betty 57 e o Travadores de Bordel, e o ska que gosto muito, como o Rádio Ska e o pessoal do Pacific, tive uma ótima surpresa.

No ano passado tive contato com uma banda que me deixou de queixo aberto, o Human, e pensei que ficaria mais algumas eras sem ver coisa boa por aí - ou melhor, escutar.

Gostei muito desse trabalho, música BOA (com todas as letras em caixa alta). Essa é banda que uso camiseta e bottom, sem medo de parecer tiete.

Ótima surpresa.

Eles estão no site da Trama Virtual, com um release falando sobre eles e um dos sons do CD que sai agora em abril. Já estou babando querendo o disco completo!

P.S.: Assumo que ando sumido do blog, mas estou tentando reverter isso, mas de agora em diante menos politizado e mais acelerado (ninguém pára para ler 3 páginas de texto, do mesmo jeito que eu não consigo parar para escrevê-las).

10.1.07

A Cicarelli é "uma Santa" e a MTV foi "atacada por atos fascistas"

De todas as coisas mais estapafúrdias que eu poderia ver nessa história da Cicarelli foi a sua “reviravolta”. Depois que a justiça emitiu um ordem solicitando que o domínio http://www.youtube.com/ fosse barrado pelos backbones das empresas responsáveis pela manutenção do acesso a conteúdo internacional, entre elas Telefônica e Brasil Telecom, houve uma série de repercussões já esperadas.

Os internautas (eu não gosto desse tempo, prefiro “usuários de Internet” – internauta fica tão bobo) de todo o Brasil começaram a protestar contra e medida estúpida, que bloqueava todo um conteúdo e uma série de serviços em detrimento dos interesses de uma pessoa.

Algumas pessoas argumentaram que foi devido ao “interesse da justiça” e uma atitude para “comprovar a eficácia do Poder Judiciário para promover suas decisões”, porém, para mim não passou da defesa do interesse particular de duas pessoas que fizeram merda e estavam querendo concertar tudo usando a estratégia Xuxa.

No final, depois de ver que fizeram besteirada da grossa, resolveram voltar atrás e retirar o embargo ao YouTube. Ótimo, tudo voltou ao normal! Errado! Errado! As coisas não voltaram ao normal, porque olha só o que o meritíssimo desembargador Ênio Santarelli Zuliani escreveu sobre o fato em seu despacho:

O incidente serviu para confirmar que a Justiça poderá determinar medidas restritivas, com sucesso, contra as empresas, nacionais e estrangeiras, que desrespeitarem as decisões judiciais. Nesse contexto, o resultado foi positivo.

Sabe o que isso parece? Quando você chama a pessoa pelo nome errado por não lembrar o verdadeiro e depois solta um "poxa, eu estou distraído, desculpa aí, João" - e nessa erra de novo, porque o nome do figura era André.

Sem contar que se toda a vez que o Judiciário quiser defender algum "interesse nacional" fizer um embargue, logo teremos uma fila de pessoas batendo na porta do Planalto reclamando de crimes contra normas internacionais de comércio. Isso pareceu aquela história do menino que tinha uma bola e brigou com os amiguinhos durante o jogo, então ele foi embora, levou a bola e disse: "se eu não brinco, vocês também não".

Depois do fuzuê armado, veio o que eu chamo de “ressaca ideológica”, que é aquele movimento que acontece depois que a indignação passa e as pessoas começam a falar coisas como “ah, não foi tão ruim assim”, “eu até concordo com o ocorrido” e “olhem bem, eles até tinham razão”.

Todas as pessoas agora começam a defender a Cicarelli, defender a decisão da justiça e achar que o pessoal pegou pesado nos protestos. Isso é conformismo besta, pois foi feita a cagada sim.

Até o meritíssimo desembargador Ênio Santarelli Zuliani diz que não pediu para que retirassem o site do ar e que ele só queria impedir o vídeo.

A dona Cicarelli aparece no Jornal da Globo e fala que não tem nada a ver com isso, que a decisão de tirar o YouTube do ar não foi dela, mas sim do meritíssimo desembargador Ênio Santarelli Zuliani , que o processo, na verdade, não pedia para remover o site do ar. MENTIRA, o processo pedia para que os vídeos fossem removidos do YouTube e SE não fosse possível fazer isso que o site fosse tirado do ar enquanto essa decisão não fosse acatada pelo mesmo.

Também foi dito pela garota aí que ela não abriu o processo! Epa! Epa! Como diabos alguém monta um processo e seu nome consta nele sem a sua ciência? Pode parando, não é possível sem o aval e a assinatura da senhorita Daniela que o processo tivesse corrido com seu nome incluso nele. Isso é tão certo quanto a inexistência de um crime sem alguém para fazer a acusação!

Concordo que ela não tem motivo para pedir desculpas pela retirada do YouTube, mas devia criar vergonha na cara e pedir desculpas pelo processo idiota que abriu, já que ele foi a besteirada maior que ela poderia cometer (quem mandou não segurar a sua periquita sossegada e correr pro mar ao invés do quarto) e gerou o fato final garantido pelas “mãos abeis” da justiça brasileira.

No final, fica todo mundo esquece o que aconteceu e começa a achar que foi uma coisinha à toa. Típico da memória curta do povo, mas a minha não é curta e eu não sou capacho!

O fascismo contra MTV

A MTV Brasil não tinha nada a ver com o pato? Não, não tinha, mas as pessoas tinham que procurar uma forma de serem ouvidas.

O boicote foi fascista? Ah, pode parando! Essa declaração foi uma das mais retardadas e estúpidas que alguém podia dar em sã consciência.

A atitude apenas foi radical para que uma ação fosse tomada e a população usou da única arma que tinha em mãos. O boicote a MTV foi uma atitude pacífica, utilizando de forma inteligente o poder dado ao povo que é o da liberdade de escolha.

Ninguém determinou a obrigatoriedade das pessoas em deixar de assistir a MTV ou foram radicais ao ponto de dizer que nunca mais iriam assistir a programação.

Os telespectadores utilizaram da ferramenta que a emissora iria entender, afinal, isso afeta sua receita através de sua audiência.

Não é assim que uma emissora de televisão determina qual programa deve ficar ou não? Se ele tem boa audiência, então ele fica? Foi uma maneira de fazer a voz ser ouvida e sentida.

Daqui a pouco vão falar por aí que o direito de greve é uma atitude fascista!!!!

Ah, senhor Zico Góes, o senhor disse: Mas repudiamos a história do boicote, porque ela flerta com o mesmo espírito fascista que quer atacar.

Por favor, preste atenção, não precisava ter soltado essa pérola, afinal, ninguém estava falando que a MTV era a favor da censura, os seus telespectadores foram afetados de alguma forma por uma merda causada por uma de suas funcionárias e tem todo o direito de se mobilizar para fazer sua voz ouvir.

Se todos os telespectadores não quiserem assistir o seu canal por que não gostam de uma de suas funcionárias, meu amigo, o problema é todo seu!

Poxa, demitiram a Soninha da TV Cultura só porque ela saiu na capa de uma revista falando que fumava maconha – nem foram os telespectadores que pediram!

Qual é o verdadeiro crime e de quem é a culpa afinal

O que aconteceu de fato não é que tiraram o YouTube do ar, consigo viver muito bem sem ele. A verdadeira merda foi uma decisão judicial interferir no direito de livre expressão em detrimento de uma decisão defendendo valores pessoais. O tal vídeo não está em questão, afinal, quem deu brecha pra ser pego trepando em local público foram os dois, mas essa é uma discussão para outro momento, já que eu acho que se eles fizeram merda e filmaram eles, o problema é deles por não conseguirem manter a sua genitália dentro da calça (se você não sabe, ser pego em flagrante trepando em local público aqui no Brasil dá cadeia, viu?).

O crime foi uma decisão exacerbada colocada em prática de maneira vergonhosa. Você não dá uma sentença quando não sabe se ela pode ser aplicada, seria mais ou menos como determinar que todos os estupradores fossem castrados geneticamente, através de utilização de transgênia. Isso é possível? Não sei, mas eu quero que todos eles virem homens transgênicos, se não der, então que cortem as suas bolas!

Pensando dessa forma, então quer dizer que vão tirar os blogs do ar porque tem um monte de retardado que espalha por aí um monte de besteirada e ofensas? Uma sociedade livre é livre, não existe o conceito de semi-liberdade – você é livre ou não!

O crime, amigos, foi que a atitude consistiu em censura, mas pra economizar argumento e mostrar outras fontes, no blog Infomniac tem um material interessante, no post Imprensa no censurada no Paraná, de outubro de 2006. Lá consta um pedaço de um comunicado da ANJ que diz:

A proibição de informação é censura prévia, terminantemente proibida pela Constituição. A ANJ condena a decisão do juiz e protesta contra o cerceamento ao direito dos cidadãos de terem acesso às informações. A operação da Polícia Federal não pode ser considerada como parte do segredo de Justiça que protege o processo. O segredo de Justiça se refere às informações contidas no processo. Diante da operação da Polícia Federal, cabe aos meios de comunicação decidirem como e o que divulgam. Tudo mais é censura e restrição à liberdade.

Agora, vamos dar nomes aos bois: quem são os culpados?

A culpa é do desembargador? Sim, é! Afinal, foi dele a decisão final, mas acho também que o processo judiciário peca nessas horas, dando a palavra final de decisões a uma pessoa podemos cair problemas sérios – e se ele fizesse uma besteira desse teor e influenciasse de fato a vida das pessoas? O YouTube não causou problema algum na maioria dos usuários de Internet e cidadãos, mas isso poderia ter sido pior (claro que se isso fosse acontecer outras pessoas iriam soltar os cachorros antes da decisão, principalmente se fossem perder $$ com isso).

A culpa é da Cicarelli e do namorado? Sim, é! Ela entrou com um processo que não tinha fundamento, solicitando que seu vídeo fosse tirado do ar, mas as alegações de calúnia e difamação procedem? Ou o uso indevido e não autorizado da imagem? Ela não tem direitos autorais sobre o vídeo e ele tem cunho jornalístico (mesmo que sensacionalista, já que o assunto em questão é o flagrante dela e do namorado se esfregando em local público (a justiça e a imprensa insistem em usar “supostas cenas de sexo”, mesmo eu achando que aquilo era sexo de fato – mas esse é o famoso dilema Bill Clinton).

As teorias de conspiração

Tem gente falando por aí que a Brasil Telecom e a Telefônica acataram a decisão rapidamente porque isso interessava na economia de banda deles e mais um monte de coisas.

Parem com isso, o problema aí é bem maior do que isso. Não tem interesse em economia de banda, mas sim o de evitar multas desnecessárias. O barulho todo foi por conta do aceite deles, já que a multa não era pequena (vai por mim, é só ver os valores lá do impedimento da justiça).

O que aconteceu, de verdade, foi que uma pessoa sem conhecimento de Internet foi opinar em algo que não deveria sem consultar nenhuma entidade regulamentadora do órgão, tal como é o CGI (Comitê Gestor da Internet no Brasil). Aqui, valeu a vontade de uma pessoa que achava que entendia alguma coisa e queria que a sua vontade fosse executada. Para decisões desse porte você precisa de consultoria técnica especializada.

Concluindo

Cada um trepa onde quer e quando quer, mas que arque com suas conseqüências.

Só peço que, por favor, da próxima vez que alguém pensar em bancar o gênio e querer resolver um problema do qual não entendem lhufas, pergunte a quem entende pra não fazer burrada.

Como diz o provérbio chinês: aquele que faz uma pergunta é um tolo por cinco minutos; aquele que não pergunta continua tolo para sempre.

Tenham isso em mente sempre!

Ah, e eu vou continuar com minha campanha de boicote a Cicarelli sim, como eu vou continuar não concordando com esse monte de merda que tem por aí, vou continuar falando o que eu penso, sempre!