6.9.07

As balelas da Internet e o tal do “web 2.0”.

Um artigo dentro da WebInsider deixou-me bem revoltado e o motivo foi que a publicação citava “versões da web” (versão 1.0, versão 1.4, versão 1.6, versão 2.0, versão 2.1... versão 2.4), que foram modificadas no artigo para “fases de implementação de Web 2.0”. Vai por mim, antes doía muito mais, agora passou para processos de gestão e implementação de um sistema de colaboração.

Devido a isso, publiquei um comentário por lá, mas agora, acho que um outro aspecto da minha revolta veio em mente, que é a utilização da colaboração como solução para todos os problemas da Internet (quando isso não é verdade absoluta).

Segue abaixo o segundo comentário postado por lá:

Bom, depois do frenesi coletivo das pessoas sobre as “versões da Internet” e alguns dias passados para esfriar a cabeça, resolvi voltar e comentar sobre um outro ponto que levantei rapidamente em meu comentário: os Governos e a colaboração.

A idéia geral do conceito de Web 2.0 é apenas um marco que resume muitos dos conceitos que foram criados em todos esses anos da web. Na verdade, temos que fazer como os budistas, que dizem que primeiro você aprende algo, para depois esquecer – e é isso que temos que fazer com esse termo, esquecer que ele existiu e partir para a prática dos conceitos que vem amarrados dentro dele.

Como profissional envolvido com Internet vinculada a uma instituição de Governo, vejo que a relação dos conceitos de colaboração não são ainda uma realidade, pois não há maturidade suficiente em vários setores públicos e privados (quando declaro a imaturidade de áreas do Governo, não desmereço os esforços e realizações até o momento, assumo sim que existe muita coisa interessante e exemplar dentro da esfera pública, anos luz na frente até do que da privada). Trabalhar com o conceito de e-Democracia é algo impossível no atual ponto onde às discussões de “até onde a participação do cidadão pela Internet muda o Estado” estão; nem mesmo temos as definições oficiais de que serviços cada unidade do Estado (e quando uso essa palavra me refiro às instâncias federais, estaduais e municipais) deve fornecer para o cidadão, nem mesmo qual o nível de acessibilidade e navegabilidade que são obrigatórios por lei. Existem resoluções não regulamentadas e iniciativas isoladas que colocam resoluções externas como a do W3C, WAI e ISO em prática – a realidade do Estado é complexa e existem outras coisas na frente da tecnologia. Alguns serviços prestados são de suma relevância para o cotidiano do cidadão e podem migrar para a Internet, mas ainda há outros fatores que preocupam, tais como a educação, a inclusão social (depois com a digital) e diversos outros aspectos que atrasam esse desenvolvimento de mentalidade tecnológica.

Agora, criar núcleos que podem estar colaborando para gerar conteúdo inteligente que possam mudar as linhas de ação do estado é muito interessante. Porém, tais núcleos vivem mesmo em universidades e órgãos de gestão de tecnologia (tais como o Comitê de Gestão de Internet). A colaboração existe em esfera menor e interna, pois abrir para que o cidadão possa dar a sua opinião ou criar núcleos de ação regionais para resolver seus problemas é uma coisa que ainda não pode ser fornecida pelo Estado. Estamos em um período de amadurecimento e, parafraseando um artigo da própria Webinsider, “mais Internet convencional e menos 2.0” – para conversarmos sobre os conceitos de colaboração, é preciso que primeiros tenhamos uma estrutura realmente funcional de serviços de Internet, que eles todos estejam dentro dos padrões e normas internacionais, que todos eles estejam documentados e sejam permanentes, indo bem além dos ciclos de governo e funcionando de fato como serviços ao cidadão (existem vários exemplos de serviços das três esferas do poder público que poderiam ser citados, mas não é preciso dar nome aos bois).

Acho que é isso, pois até agora não achei um local na Internet que compartilhasse essa visão comigo e fica todo mundo falando só do “lado bonito da colaboração”.

Abraço.

29.8.07

O Estadão e a polêmica dos blogs Tabajara®

Hoje estava navegando pela Internet e na capa do Estadão acabei vendo que ele irá fazer uma discussão sobre as campanhas da Talent que criticavam de forma divertida o “lado negro dos blogs”. Não tinha pensado nela como uma campanha agressiva e nem como uma intenção perniciosa, apenas foi uma sacada inteligente pra mostrar que existem pessoas que manipulam informação na Internet.

Fiquei mais assustado ainda ao fuçar por aí e ver a repercussão nos blogs do mainstream – essa galera que usa o blog como forma de ganhar dinheiro com suas opiniões ficou bem revoltada.

Não achei a campanha do Estadão nem um pouco ofensiva, ela usava sim de imagens que desmerecem a cena virtual, mas que não são de longe erradas. Vocês acham mesmo que todos os blogs falam a verdade? Acreditam piamente que a opinião da maioria das pessoas que escreve na Internet é baseada em fatos? Então, meus queridos, se vocês fazem parte dessa maioria de crédulos, vou acabar com a visão otimista de mundo de vocês:

A maioria dos fatos não é verdade e muitos dos bloggers não se responsabilizam pela informação divulgada (alguns nem mesmo a produzem de fato).

Algumas empresas pagam para pessoas terem suas opiniões sobre seus produtos, mas na maioria das vezes criam personagens como se fossem pessoas de verdade. Conhecem o Pimentel, da Nextel? Então, ele é um ator, contratado para interpretar um personagem. Ele já fez trabalhos para o Revistinha e também para o Qual É Bicho? (além de outros programas) da TV Cultura. Acabei com mais um webmito, desculpem-me por favor.

Em outros casos o que temos é a publicação de hoax (nome dado aos boatos enviados por e-mail através de spam), pois o blogueiro não se preocupa se a informação é factual, apenas lê o texto, fica inconformado e repete a informação errada.

Um exemplo de hoax repetido por aí é a da tal lei de gratuidade em estacionamentos de shoppings e hipermercados em São Paulo (veja esse exemplo onde o blogueiro é corrigido em um comentário e assume). Não existe lei alguma e dá um certo trabalho conferir isso, afinal, você precisa ir até a lista de leis da cidade (verifique a data e se é apenas um Projeto de Lei), verificar sites de direito, procurar na Internet em bancos de dados de órgãos oficiais e tirar conclusões através da leitura de informação correspondente em sites confiáveis (suspeite de links muito extensos e vá sempre na capa do serviço pra saber se é o oficial ou alguma página falsa). Infelizmente não há milagre. Outros boatos divulgados por blogs por aí podem ser enumerados, mas a maioria tem origem no “copia e cola” feito pela galera.

Por que isso acontece? Porque a maioria das pessoas não quer gastar o tempo conferindo informação, então a gente tem um monte de pretensos jornalistas de final de semana soltando informação pra apenas falar qualquer coisa (e eu não disse que todos as pessoas que postam em blogs o são, por favor, nada de bancar o radical pro meu lado).

Não querendo puxar a sardinha para o meu lado, mas o que eu faço aqui no meu blog é desabafar sobre vários temas, mas nunca, sobre hipótese alguma, divulguei informações sem procurar fontes confiáveis e divulgá-las para que as pessoas pudessem tirar suas próprias conclusões. Afinal, minha opinião não é a verdade absoluta e todo mundo tem direito de ter idéias distintas sobre um mesmo assunto.

E é isso, não entendo a revolta dos ditos blogueiros quanto a campanha do Estadão, principalmente porque a maioria da humanidade faz besteira em todas as esferas e não é na tão aclamada blogsfera que isso deixaria de acontecer. Assumamos os problemas desse meio, que é democrático demais e nem consegue chegar próximo a anarquia, afinal, anarquia só acontece com nível de esclarecimento médio da massa, realidade bem distante dentro da world wide web.

Para acabar com outras das suas ilusões, vou contar aqui também que Papai Noel não existe (Pai Natal, para nossos irmãos portugueses) e que o homem provavelmente pisou na Lua, mas que eu não engulo o sumiço dos filmes da Nasa, ah, isso eu não engulo (mas talvez a Mônica Lewisky tenha engolido mesmo).

17.8.07

Cansei!

Cansei sim! E não foi de ser sexy e nem da crise aérea. Cansei foi da palhaçada.

Em notícia no Terra há uma descrição de como foi o “evento cívico” Cansei, que aconteceu na Praça da Sé, hoje dia 17 de agosto de 2007.

Queria eu saber que diabos de protesto é esse? A classe média alta está se sentindo atingida agora? Os seus aviões não saem do chão? Os organizadores deveriam é estar cansados de fazer o cidadão médio de burro. Afinal, eu nem ando de avião, porque diabos tenho que me preocupar só com a crise aérea?

Os famosos se aglomeraram no primeiro ato cívico e protesto que tinha “área vip”. Afinal, praça pública chama-se pública por que mesmo? Direito de ir e vir, constitucional, diga-se de passagem, morreu e os seguranças particulares fizeram o show. Cadeirinha, guarda-sol e apartaide social: amo o meu país. E o povo grita, afinal, ver famoso fazendo protesto é melhor que protestar.

Outro dia estava eu no ônibus, olhando para fora e viajando na maionese (porque não dava para jogar Nintendo DS) quando duas pessoas atrás de mim começara a criticar a crise aérea:

- Viu, que absurdo esse negócio da crise? O avião lá caiu, mas antes ninguém conseguia pegar vôo algum. Ficavam mais de 6 horas pra embarcar.

Enquanto isso, todos os 70 passageiros do ônibus estava assando em um veiculo sem ar condicionado por 2 horas em um percurso que era para ser feito em 15 minutos.

Onde é o problema? Nos aeroportos?

Essa lavagem cerebral está me dando no saco, quando é que as pessoas vão acordar de novo?

Tenho tantas perguntas, tanta indignação que nem sei mais se compensa falar e se irritar. Não estou falando que vou me acomodar, mas bancar o Dom Quixote não é comigo não. Se esperam que eu vista farda, empunhe um fuzil e sai gritando por aí coisas como “viva la revolucion” ou “hay de endurecer pero sem perder la ternura jamas” esqueçam. Não tenho vocação para Che Guevara e nem pra Jesus Cristo armado.

O mundo está perdido e quem fez isso foi a gente mesmo, o Brasil virou um lugar apinhado de gente sem eira e nem beira, que não reclama porque cansa. Afinal, pra que mudar quando poderia ficar pior?

Só que vai piorar, minha gente, e estaremos bem vivos pra ver.

E para os apocalípticos, não se animem, o mundo não vai acabar em fogo e enxofre, o fim será lento e vai doer um bocado.

Vou parar de reclamar. Cansei de ser otário e de gastar saliva a toa. Reclamo no boteco, a partir de agora sou socialista de bar – e compro meus videogames, pago meus impostos, tento conquistar a casa própria e logo saio daqui, talvez vire Argentino, afinal, o ônibus lá anda e é bem mais barato.=

Vou é me divertir com meu ópio e dar risada do Elvis Stormtrooper, esse aspecto imbecil da humanidade pelo menos me diverte. Gozar fora não significa dar uma gozada na cara.

P.S.: O Cauê mandou um documentário pra mim que está no Google Videos, chama-se Sociedade do Automóvel e vale a pena ser visto.

15.8.07

Cuidado com o Elvis Stormtrooper!!!!


Comic Con 2006: Elvis Stormtrooper
Upload feito originalmente por earthdog
É, gente, tem horas que temos que dividir nossos achados bestas. Não adianta ficar falando, falando e falando das melecas mundanas, quando você se depara com uma figura como essa, é impossível não dar risadas e relaxar (e nem é por recomendação da Marta Suplicy, viu?).

E o cara tem site em http://www.elvistrooper.com, você até pode ver o Indiana Elvis!!!! rs

Morri!!! AWHAWHAWHAWHAWHAW

7.8.07

Cada macaco no seu galho... agindo feito macaco!

Olha, pensei seriamente em escrever um texto enorme hoje sobre a homofobia e a cabeça de vento daquele técnico que chamou o jogador de homossexual. Depois, fiquei com vontade de escrever um texto enorme sobre o magistrado que pediu o arquivamento do processo e soltou pérolas fantásticas, tais como:

‘Quem se recorda da Copa do Mundo de 1970, quem viu o escrete de outro jogando (Félix, Carlos Alberto, Brito, Everaldo e Piaza; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivelino), jamais conceberia um ídolo seu homossexual.’, afirma o juiz na sentença. ‘Quem presenciou orquestras futebolísticas [...] não poderia jamais sonhar em vivenciar um homossexual jogando futebol’

Depois disso, pensei em fazer um texto sobre o jogador que vai levantar a bandeira da causa GLBTT (Está certo? Todo ano colocam uma letra nova aí, é gula, mona! É a gula!). Então, cansei já de inicio, vou deixar o ofendido gritar e espernear, afinal, foi o Juiz que disse lá:

Cada um na sua área, cada macaco em seu galho, cada galo em seu terreiro, cada rei em seu baralho.

Então pensei em escrever sobre o Bahamas e o teatro todo que está rolando em volta dele. Desisti, porque pensei que ia aparecer alguma imagem filmada de algum político importante ou assessor que o valha fazendo um sinal de “se fodeu” e o outro fazendo um “toma”. Só que nada aconteceu. Daí eu desisti.

No meio desse turbilhão todo de coisas, ainda vi algumas coisas interessantes para escrever, tais como a remoção de frases islâmicas de jogos americanos ou da falta de cérebro das pessoas por aí, que não conseguem viver as suas vidas e tentam viver a dos outros. Só que cansei de tudo isso e resolvi viver a minha vida um pouco.

Até pensei em escrever sobre a aprovação do Kassab como Prefeito, mas me deu uma preguiça enorme só de imaginar os comentários de pessoas inteligentes dizendo “ah, você tem que assumir que ele é corajoso”. Tsc! Tsc!

Talvez, porque o tempo esteja escasso e eu de saco cheio generalizado com toda essa bosta que não pára de feder.

É, meus amigos, depois vocês não sabem porque eu digo que a solução é o No Way Day, mesmo que agora o que estão pedindo é o No Way Gay. Enfim, que bosta!

O importante é que eu estou jogando EVE Online, lá a justiça funciona e se chama missile launcher! Toma essa, preconceito! Piranha missile na testa! Nada contra as piranhas, nada de preconceito! Burn!

6.8.07

No Truck Day (e não "no trucker gays")

Eu já falei sobre o tal do No Fly Day por aqui e minha opinião ficou bem clara. Praqueles que tem paciência e não são analfabetos funcionais (ou sabem o que isso significa) ficou bem claro que não suporto essa “revolta de capa de revista”, porém, acho que vou mudar de idéia e vou encabeçar o No Truck Day.

Caminhão desgovernado invade loja e deixa um morto na Grande São Paulo

Aliás, depois vem me falar que eu tenho que viver com parcimônia (essa é palavra que o Chock gosta muito, aliás), quando na verdade posso morrer com um avião na janela do meu trabalho ou comprando chocolate.

Ah, tá, pra quem não entendeu, isso foi uma ironia. Só fico me perguntando: por que diabos reclamar dos aviões e não dos caminhões, ônibus, metro em greve (essa é pesada) e tráfego intenso na cidade? Hein?! Hein?!

Duh pra vocês!

P.S.: E o texto está curto, mas pra quem tem medo de texto longo vou colocar algo aqui embaixo, afinal, tenho medo de quem vive de aforismas.

P.S. 2: (só serve pra assustar, nem precisam ler) Sed ut perspiciatis unde omnis iste natus error sit voluptatem accusantium doloremque laudantium, totam rem aperiam, eaque ipsa quae ab illo inventore veritatis et quasi architecto beatae vitae dicta sunt explicabo. Nemo enim ipsam voluptatem quia voluptas sit aspernatur aut odit aut fugit, sed quia consequuntur magni dolores eos qui ratione voluptatem sequi nesciunt. Neque porro quisquam est, qui dolorem ipsum quia dolor sit amet, consectetur, adipisci velit, sed quia non numquam eius modi tempora incidunt ut labore et dolore magnam aliquam quaerat voluptatem. Ut enim ad minima veniam, quis nostrum exercitationem ullam corporis suscipit laboriosam, nisi ut aliquid ex ea commodi consequatur? Quis autem vel eum iure reprehenderit qui in ea voluptate velit esse quam nihil molestiae consequatur, vel illum qui dolorem eum fugiat quo voluptas nulla pariatur?

2.8.07

A Internet VAI acabar, assim diz Sir John!

Elton John teve um surto psicótico. Tirou as manguinhas de fora, rodou a baiana e caiu do salto ao vocíferar a seguinte declaração:

A Internet fez com que as pessoas deixem de se comunicar e se encontrar e evitou que coisas fossem criadas. Em vez disso, (os artistas) se sentam em suas casas e criam seus próprios discos, que algumas vezes são bons, mas que não têm uma visão artística a longo prazo.

O Lord Glitter pirou na batatinha. Está reclamando assim porque o seu último disco, “The Captain & The Kid” vendeu algo perto das 100 mil cópias.

Por conta disso, Elton John culpa a Internet, os downloads e a pirataria. Peraí! Peraí! Agora ele vai querer falar que ninguém compra o CD ou o single dele porque baixa na Internet. Ninguém vai falar que o problema é o nome do CD (porque pra mim parece um nome de CD que o Michael Jackson faria, não é?), a música ruim ou a saturação das mesmas músicas melosas que ele canta desde "Circle of Life" em "O Rei Leão".

Tudo bem, Sir John, a pirataria existe, mas não é por isso que não comprar a sua música. Explique-me então porque o U2 vende pra caramba através do Itunes e a industria de música só ganhou com a Internet, afinal, podemos comprar apenas uma música que gostamos e não um álbum inteiro – o que tornou acessível aquela música que a gente gostava daquele álbum péssimo de nossa banda favorita.

Ainda Sir Elton surta falando que a Internet afastou as pessoas. Opa! No meu universo isso é um pouco diferente, pois a tecnologia aproximou as pessoas ainda mais, porém, permitiu que qualquer um se achasse próximo do outro e invadisse a vida alguém apenas por poder dizer em um scrapbook de Orkut o quanto a pessoa é legal.

Estou achando que ele está sofrendo daquele fenômeno que acomete todas as pessoas do mundo e se chama “velhisse”: as pessoas perdem o parâmetro de mundo e só porque as coisas mudam mais rápido do que podem compreender dizem que é errado. Eis uma coisa que é muito estranha vindo de um homossexual inglês assumido que lutou muito tempo para que os gays fossem tratados da mesma forma do que o resto do mundo – e aposto que ele ficava revoltado quando não entendiam a sua posição sexual ou diziam aos quatro ventos que ser gay era coisa do demônio ou que era culpa dos gays a explosão mundial de AIDS.

Ai! Ai! Sir Elton, quanta besteira. Essa entrou para as gafes do “eu não devia ter dito isso”, no mesmo nível da frase memorável do Michael Jackson: “eu só durmo abraçado com as crianças”.

Tsc. Tsc. Tsc.

27.7.07

No Fly Day é protesto da moda

A bola da vez é fazer o protesto, sair pelas ruas e pintar a cara. Vamos fazer o No Fly Day, ninguém vai pegar avião em um dia. Todo mundo em casa. Ninguém vai pegar um jatinho pra ir em reunião ou viajar para o Caribe. Todos em casa.

Morreram mais de 200 pessoas no acidente com o avião da TAM e foram tirados mais de 220 sacolas com restos mortais do local. Não se sabe ao certo de números de vítimas, pois o acidente se mescla com os desaparecidos que essa megalópole cria. No meio desses números e incertezas começam as especulações, elevam-se as iras e gente que não está envolvida diretamente com a dor das vítimas se solidariza e compra o pacote de indignação – quando na verdade, o problema de fato não é Congonhas, o problema não é a TAM e o problema também não é a crise aérea, o buraco é mais embaixo e está ligado em uma infra-estrutura genérica de transportes brasileira. Mesmo assim, vamos reclamar, vamos gritar, vamos protestar.

Oras, não é assim depois de uma grande explosão de violência? Na época do Carandiru era moda sair às ruas e gritar em prol dos direitos humanos dos presos, na época do Collor era sair gritando “impeachment já”, lá em 84 foram as diretas e logo depois da explosão de violência urbana em São Paulo deflagrada pelo PCC era pedir por paz.

Agora, qual foi o real resultado de todos esses protestos? Os direitos humanos passam a cabeça nas mãos dos presos e não se faz nada para mudar o sistema carcerário, penal e judicial brasileiro para que a palavra justiça seja colocada na frente da palavra arbitrarismo; o Collor saiu da presidência mas hoje é Senador, além de que a corrupção não diminuiu e só nos últimos escândalos envolvendo políticos e pessoal do ministério público o dinheiro envolvido deu mais que umas cinco Dindas; as diretas vieram, mas o voto é obrigatório e é só olhar lá pra presidência, pro congresso, pra prefeitura e para nossa câmara de vereadores para ver que não mudou muita coisa, aliás, nem mesmo na televisão, afinal, agora nós temos censura novamente; as pessoas pediram por paz, mas o índice de criminalidade não diminuiu, o PCC agora vive dentro de sua quentinha, a comunicação entre lideres criminosos com suas quadrilhas fora dos presídios ainda é uma realidade e ninguém reclama do excesso de força usada pela Polícia e pelo Exército para dar um “sossega leão” nos criminosos do Rio de Janeiro até que o Pan acabe.

Então, para que protestar contra Congonhas? Porque é moda, está na TV, nas capas dos principais jornais, da Veja, da Superinteressante, nos principais portais – e tem até canal especial no Terra e no UOL. Tudo isso para alimentar a sede por assunto, para mostrar toda a versatilidade e cultura na hora do happy hour em um botequim na Av. Paulista (ou na Rua Augusta, dependendo da ocasião, dia e hora).

Então, por que não protestamos sobre o descaso das autoridades com a população no geral? Tem a educação falha e tem a saúde moribunda. Tem também a falência sistemática de TODOS os sistemas de transportes – ou vocês acham que o problema é só a aviação?

Não temos malha viária para carros, não temos alternativas de transporte público que sejam minimamente aceitáveis e também somos cobrados duas vezes para usar esses meios ditos como alternativos. Os carros não andam, a cidade não tem uma extensão aceitável de metrôs, os trens não atendem toda a população e ainda por cima cobram do paulistano R$ 2,30 para pegar um ônibus ou metrô, sendo que a responsabilidade de manter o transporte é do governo e a gente já paga imposto para isso – sabiam que na Argentina andar de ônibus fica algo próximo a R$ 0,47 (tarifa única) e o quilometro do táxi custa algo como R$ 2,30 (sim, aqueles caras que você adora tirar sarro quando perdem no futebol ou em qualquer outro esporte tem mais o que comemorar no cotidiano do que a gente).

O pior, não temos obras de verdade para melhorar a infra-estrutura viária da cidade – a menos que você ache que o “Buraco da Marta”, reformas em viadutos, a Linha Amarela(ada) do metrô e o Expresso Tiradentes façam diferença na cidade (quando na verdade não passam de manutenção básica).

E depois, vem o governo Lula falar que está sobrando dinheiro da união e os outros órgãos que nos governam falar que a arrecadação pública só aumenta.

Que maravilha, vamos então protestar para melhorar congonhas, quando os outros 10 milhões de paulistanos nem mesmo sabem o que significa esse tal de check-in.

Creio que precisemos de verdade é fazer um No Way Day, para ninguém sair de casa, nem mesmo comprar pizza por telefone, nem ir ao cinema, nem ao shopping e nem ao Parque do Ibirapuera. Temos é que fazer um dia de “Chega de palhaçada” e organizar uma greve geral ou até mesmo um dia sem sair de casa. Chorem empresas de ônibus, chorem impostos que não serão recolhidos e dinheiro que vai parar de circular. No Fly Day o caralho, se nem português a gente fala direito, como é que vamos gritar um protesto em inglês? Se nem o nome do ônibus algumas pessoas sabem direito – mas é que ônibus não cai do céu, nem mesmo tem caixa preta (no máximo tem um assalto e a coisa fica preta).

O modismo do protesto não permite que pensemos, aliás, nós pensamos? Só no que a mídia coloca na capa dos seus jornais.

Bah!

24.7.07

Sessão pipoca cerebral: Mais estranho que a ficção

Faz tempo que não verborrageio sobre cinema. Também faz tempo que não invento palavra nova e verborragiar é uma das bem feias! Tudo bem, é perdoável, afinal, minha cabeça não para de trabalhar pra digerir um filme que assisti ontem – uma das doces surpresas que me acontecem às vezes.

No começo do ano levei um tapa de um filme foda, com uma fotografia e direção de arte fantástica, chamado “A Passagem” (Stay, no original). O filme traz Ewan MacGregor e foi só por isso que me chamou a atenção no meio dos filmes que ninguém sequer chega perto na locadora. Ontem, levei um outro tapa, mas esse foi mais parecido com o que me deu “Uma simples formalidade”, com o Gérard Depardieu e Roman Polanski.

Tomei a garoa de São Paulo o dia inteiro e a noite não pude resistir a pegar filmes para assistir em casa durante a semana, afinal, depender da TV a cabo não dá mais. Aluguei vários títulos interessantes, entre eles “O último rei da Escócia”, mas o que me chamou a atenção foi um chamado “Mais estranho que a ficção”.

Fiz o mesmo que com “A Passagem”, olhei ele com calma, vi que o Dustin Hoffman estava no elenco e fiquei curioso – a final Will Ferrel é engraçado, mas a soma dos dois pareceu ser, no mínimo, inusitada. Minha atenção ficou ainda mais presa quando li a sinopse:

“Certa manhã Harold Crick (Will Ferrell), um funcionário da Receita Federal, passa a ouvir seus pensamentos como se fossem narrados por uma voz feminina. A voz narra não apenas suas idéias, mas também seus sentimentos e atos com grande precisão. Apenas Harold consegue ouvir esta voz, o que o faz ficar agoniado. Esta sensação aumenta ainda mais quando descobre pela voz que está prestes a morrer, o que o faz desesperadamente tentar descobrir quem está falando em sua cabeça e como impedir sua própria morte.”

Logo pensei que era alguma coisa entre uma comédia tipo “Click” e “O Show de Truman”, essas coisas que os comediantes fazem para tentar agradar mais do que as crianças e entrar para o eixo sci-fi cult. Como me enganei! Encontrei um filme sensível e, ouso eu comparar, ao filme “Muito além do jardim”, um dos filmes mais doloridos, gostosos e perturbadores que assisti em minha vida (com a atuação mais que brilhante do Petter Sellers)

Sem contar este aspecto sensível, o filme tem uma direção fantástica e uma estética mais que perfeita para representar o dia-a-dia repetitivo e sem gosto em que vivemos – talvez uma das formas mais certeiras que vi até hoje, modernizando a repetição de movimentos de “Tempos modernos” de Chaplin.

Em “Mais estranho...” eu acabei vendo o cotidiano e os questionamentos feitos em tantos livros, em tantos filmes. Fiquei perplexo em me ver bombardeado pelo imediatismo do respirar, do viver. Senti-me engolido como se tivesse lido ou assistido “Clube da Luta”, mas o estrago foi maior. Sabe aquela premissa médica que o maior estrago está onde a gente não pode ver? Então, foi mais ou menos isso. A mensagem do filme chegou de mansinho, penetrando bem fundo e quando percebi já tinha detonado muita coisa do meu dia-a-dia – foi reacendida aquela necessidade imediata de viver, respirar e de gostar cada dia mais das pequenas coisas, desde o ônibus lotado, aos ambulantes nas ruas e os pequenos momentos bobos que temos com quem gostamos.

Talvez o filme seja tão destruidor quanto Saint-Exúpery, quando escreveu em "O Pequeno Príncipe": “o essencial é invisível aos olhos”.

Nunca fiquei tão feliz em estar enganado sobre um filme.

12.7.07

Sobre o Ecletcismo

Eu pretendida escrever algo sobre o ecleticismo, mas em uma busca besta e providência ao Google, encontrei um ótimo texto.

Se eu pudesse assinava, mas como não é meu, só posso dar os parabéns ao autor e indicar que o leiam:

Ecleticismo