12.5.05

Descobri algumas coisas bem interessantes nos meus ultimos meses. Não, não aprendi algo novo que vai mudar a visão do mundo sobre alguma coisa, nem mesmo achei a fórmula para a felicidade – o que consegui foi bem mais simples, mas já é motivo para tranquilidade: descobri o que significa a palavra “assumir”.

Não, meus queridos, nem adianta colocarem os sorrisos sarcásticos na face, não vou falar que “eu sou gay”, sorry, Julinho, mas não foi dessa vez que você levou aquela grana do bolão (interníssima). Eu já “sai do armário” a muito tempo, minha preferência sexual é BEM sabida, “gosto de mulé”, como dizem os machões por aí! Só que eu me assumi como pessoa que sou. Gosto de maquiagem, gosto da minha vaidade quase-feminina, gosto de roupas, de música, de dançar, de me jogar... e sei bem que isso não me deixa menos-homem por nenhum desses fatos; só sou uma pessoa diferente.

Bem, voltando ao que interessa, a palavra “assumir”.

No ano passado eu passei por algumas experiências bem legais, as quais são comuns para muita gente: terminei um relacionamento longo, muito importante e que era praticamente a base da minha vida. Foi complicado superar, podem ter certeza, e no processo muita coisa aconteceu. Conheci pessoas legais, fiz coisas legais, corri para todos os lados e estou em um lugar que lutei para estar; estou amando esta paisagem que eu vejo, as minhas conquistas e escolhas; estou feliz de fato por estar onde estou e mais feliz ainda de estar com quem estou (aqui entra uma pessoa muito especial para mim, que junto comigo Sou Eu, e também os amigos todos, as pessoas queridas, a família, enfim, essa gente toda que me faz completo). Só que nesse processo que me trouxe até aqui, aprendi liçõe valiosas e aprendi que, algumas vezes na vida da gente, vivemos mas não assumimos aquilo que temos.

Está bem, agora você fez aquela cara de “ãh, que diabos ele está dizendo?”. Tenho certeza! Tenho certeza! Vamos explicar então...

Você pode ter “alguma coisa” nas mãos, seja um emprego, uma amizade, um namoro ou um compromisso qualquer com outra coisa qualquer, mas você apenas o mantém para passar o tempo, para preencher uma lacuna que não é de fato uma prioridade na tua vida. No quesito relacionamento isto acontece com muita frequência: temos diversas amizades, rolos, namoricos, casos e afins que acabam sendo apenas isso, não se tornam prioridades, não se tornam especiais. Você não assume aquilo, não abraça como se importasse de fato, apenas mantém lá, como se fosse uma peça de um quebra-cabeças complexo e confuso que é a sua vida – não é apoio, é apenas decoração.

Assumir significa priorizar! Significa bater no peito sem medo e falar “eu aceito isso e quero isso, lutarei por isso e viverei assim”; significa colocar os medos de lado, os traumas bobos, as coisas pequenas e enfrentar a situação. Você assume amigos também, não só namorados, pois isso significa que você está assumindo um compromisso sério com alguém.

A maioria das pessoas não assume. Elas tem medo de envolvimentos mais profundos, não confiam nas outras e carregam nos ombros uma carga de traumas, medos, inseguranças e frescurinhas que vem lááááá de trás, da infância, da juventude e, pode ter certeza que sim, da vida recente. Todo mundo tem o hábito maldito de inserir os seres humanos em categorias e deixar eles lá, esquecendo-se que a humanidade é muito mais exceção do que estereótipo – ninguém é igual a ninguém (ninguém é de ninguém também, mas isto é assunto para outro devaneio). Só que eu aprendi a assumir, na verdade, aprendi a fazer isso e dar um nome, porque antes eu podia até fazer, mas ficava nos joguinhos. Ah, e como eu odeio os joguinhos. Pro amor eu jogo hóquei, sem dúvida! Prefiro ir direto ao ponto do que ficar manipulando e fazendo cu doce.

Então eu assumo agora com gosto. E sabe o que significa isso? É aquele lance da fidelidade. Você aprende a ser fiel não a uma moral puritana e tola, não a conceitos pré-estabelecidos; você passa a ser fiel para um sentimento, para algo que sente por alguém. Não precisa ser um amor no sentido mais convencional, mas você passa a assumir os seus amigos, assumir as pessoas que você gosta. Você zela muito mais por quem ama do que por aquele monte de gente que lhe rodeia, passa a se importar com algumas pessoas e descobre que você não pode amar todos da mesma maneira, mas pode amar muito e auxiliar um grupo de pessoas que está lá no top list da sua vida. Você aprende a dar atenção – e é aí que você se torna uma pessoa mais feliz, você ganha objetivos.

Pode até parecer besteira falar isso com 25 anos, mas isso é criar laços duradouros e fazer valer mesmo a sua vida. Não significa que você vai deixar as “pessoas novas” de lado, mas significa que você vai valorizar bem mais as pessoas maravilhos que você conhece! Isso é assumir, isso é querer bem de fato.

Aprendi isso? Não sei, talvez eu tenha levado anos ou uma década para digerir esse conceito, para ultrapassar as barreiras que eu mesmo me coloquei, mas hoje eu assumo. Não vivo mais para o mundo, mas vivo no mundo procurando meu lugar ao Sol – e quero dividir ele com quem eu amo.

Assumo com orgulho. Não escondo de quem gosto e o quanto eu gosto. Assumir é isso! É jogar na cara do mundo o que você sente, é acreditar em um futuro mesmo que o futuro seja sempre incerto, é respeitar para ser respeita e dar sem esperar receber em troca. Assumir é bater no peito e falar na cara o que você espera, é ser sinceor acima de tudo com quem você ama e, principalmente, com você mesmo. Quando você não é capaz de assumir algo, fica aquela lacuna, aquela interrogação. A gente sempre se pergunta no âmago o que é que acontece quando estamso em dúvida e em dívida com nós mesmos, isso tudo porque você não descobriu ainda o que significa essa palavrinha.

Assumir é tomar posse de um sentimento como se ele fosse uma cadeira, é sentar nele e zelar por todas as responsabilidades que ele trás. Não é nada fácil cuidar de sentimentos, nem mesmo utilizando O Pequeno Príncipe ou Tistu como guias de vida. É complicado, é dificil e na maioria das vezes machuca mais do que alegra, mas é assim que funciona mesmo, não adianta. No final da vida espero poder olhar para trás e ver o quanto eu tentei e o quanto assumi, mas espero mais ainda olhar para o meu lado e ver caminhando junto comigo as pessoas e coisas que eu assumi!

Hoje eu assumo a minha namorada, posso ser eu mesmo, esse cara cara-de-pau e safado, esse bon vivant que gosta de dançar, beber e causar horrores, mas eu assumo bem o que eu sinto, o que eu quero e pelo que zelo. Quando a pessoa que eu amo tropeça, pode ter a certeza que estarei lá; quando ela chora, enfrento o dragão que for para dar um abraço e enxugar a lágrima; quando ela sorri, pulo junto com ela como se a alegria fosse realmente minha; quando ela dorme, pode ter certeza, vou perder pelo menos um boooom tempo zelando por ela ao meu lado. Sou assim, sempre fui, mas hoje eu bato no peito, não preciso ter medo, mesmo que “o pra sempre sempre acabe” (como escreveu o Renato Russo, mais poeta que cantor).

Assumo também meus amigos, bem sabem eles quem são, mas agora vou ser mais pentelho, porque eu amo quem me conhece de fato, pois eles sabem bem onde minhas raízes estão (mesmo que eu viva mais nas nuvens e seja bem mais pássaro do que planta, mas como eu sou péssimo em biologia e melhor em ficção, criei um híbrido entre pássaro e planta, uma plampássaro, digamos).

Acho que era isso o que eu tinha para dividir. Pode não ser muito, mas também não é pouco. Para muita gente não vai significar nada, para outras vai parecer um absurdo, mas eu espero que alguma coisa se mova dentro de quem encarar esse texto enorme.

No final, eu assumo sempre, o que importa é que eu quero é “pra sempres”, mesmo sabendo que o que é eterno não cativa muito, mas eu quero cativar todos os dias para poder ser eterno.

Até.

Esse é o post do dia, bem não é O do dia, mas é que essa notícia merece ser considerada como um dos achados do ano! E como todo bom NERD espalha essas coisas pra poder ter piada/assunto em comum com seus companheiros NERDs... duh!

É uma notícia do INVERTIA, para vocês verem como as pessoas levam a sério algumas idéias que não deveriam ser levadas tão a sério assim!

Pênis falso que frauda teste de urina incomoda nos EUA

É pra rir ou pra chorar?

Bom, eu não sei, estou indo pra AMAZON.COM agora ver se acho pra comprar. Eu não vou usar, mas vou ganhar uma grana revendendo isso depois no MERCALIVRE.COM.BR e no EBAY.COM. OOOOps, dei idéia errada! Deixa eu ir antes que acabe!!! LOL

Até.

11.5.05

Esse era para ser o Post de ontem, mas devido a falta de tempo, nem deu. Vou escrever hoje, ainda no trabalho, prestes a ir pra casa.

Fui almoçar com a Luli ontem, pessoa que eu gosto bastante e que agora convive comigo não só nas “quebradas baladísticas”, mas no trabalho. Fomos parar em um restaurante que é default nosso já, onde comemos quase todos os dias (tirando que o “Tio Mega”, mas isso é um motivo para um outro post). O lugar estava lotado, era plena hora do rush alimentícia e todos os lugares do centro parecem que resolveram mandar seus employers irem enchem o estrombo no dito lugar.

Depois de pegar os meus quase 900g de comida (sim, eu sou magro, mas é que eu armazeno para períodos escassos em compartimentso secretos do meu corpo – nem queiram saber onde são!!!) fomos sentar.

Como disse, lugar lotado. Nada de lugar single pra gente. Sobrou então sentar em uma mesa pra seis pessoas. Logo na sequência vem um tiozinho (sou bonzinho, era um coroa de cabelo bem branco, óculos e com cara de ser o cara MAIS chato) e senta do lado com os amigos. A Luli na minha frente, o tiozinho do lado esquerdo dela (direito meu) e outro meu lado. O tiozinho do lado dela ficava olhando pra minha cara como se eu fosse um alien e as vezes dava uma medida de canto na Luli, como se fossemos as coisas mais estranhas do mundo. Está certo que eu tenho piercing no lábio, cabelo moicano e ela tem um piercing no nariz, mas o cara me media como se eu fosse a coisa mais bizarra do mundo: o pior de tudo é que o cara nem disfarçava. A única coisa que faltou foi ele fazer comentário na nossa frente...

Realmente, chato pra burro. Está certo que piercing na boca não é algo muito comum, na verdade, algumas pessoas acham grotesco, mas na boa, eu não estava incomodando ninguém e, caso só a visão do meu piercing causasse algum “nojo” ou “repulsa”, porque diabos ele ficava fitando ele sem parar? Não olha porra! A boca é minha, faço o que quiser com ela e se ofendo visualmente que se foda, essa é a idéia – mas não é pra ficar me medindo como se eu fosse uma aberração! Duh!

Nem sei porque isso me revoltou, só fiquei pistola da vida, talvez por não gostar de neguinho julgando você dentro da mente sem deixar que você se defenda. O mundo das idéias é tão cruel, sabe? A gente não pode discutir se a pessoa não divide.

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Queria tanto saber o que se passa em sua cabeça, em seu coração. Queria poder dividir o que você esconde em seu peito, saber o que te deixa feliz e o que lhe chateia. Não sei, mas sinto-me um inútil sem saber o que se passa aí. Ajude-me a saber? Compartilhe, prometo que não vou utilizar como arma contra você; serei teu apoio, teu escudo humano. E eu lhe assumo, já disse. Deixa eu entrar?

10.5.05

Dia cinza. Tudo para ser triste. Tudo para ser melancólico. Só que eu nunca amei um dia cinza do jeito que estou amando a este. Meu dia cinza nasceu com um Sol próprio. A luz refletiu uma imagem mágica, coisa que consegue reacender uma velha chama que já estava apagadinha. Acredito que eu tenha fé, mesmo que uma fé meio blasé, mas mesmo assim fé (talvez a chame de blasfé, criar neologismos é in). Tenho fé no meu peito e resgatei uma divindade que sempre me foi amiga, mas sempre arremeissei-a para bem longe, por receio e por mágoa acumulada – acredito no ser humano, mesmo que dúvide de sua pureza.

Vários motivos, várias coisas, mas na verdade eles importam a Mim. Só a Mim, no sentido que só Eu entendo.

Já falei tanta coisa, acho eu. Falei o que eu sentia, falei dos meus medos, falei das coisas que eu pensava, das coisas que eu queria, das coisas que eu via e mantinha aqui dentro. Acho até que eu falei demais. Será? Acho que sim. É algo bem estranho falar demais e saber disso, você fica com aquela cara de “oops”. Só que o pior ainda é você continuar fazendo a mesma coisa. Não vou parar. Acho que travou outro botãozinho aqui e, dessa vez, não foi o do “foda-se”. O botão que está travado permite a mim abrir o peito e deixar as coisas vazarem, tanto para dentro quanto para fora.

Existem poucas coisas na vida melhores do que estar com quem se gosta. Cada toque na pele, cada selinho, cada dedo que escorre por entre os fios de cabelo, cada palavrinha besta que acaba saindo (nem que seja bobeira movida pelo sono) e cada “mexidinha” enquanto se dorme. É bom acordar no meio da madrugada e ficar observando os sonhos acontecendo, observar que algo existe e não tem nome, que o silêncio vale mais do que todas as palavras trocadas durante horas e horas (e olha que foram palavras trocadas, hein? Duas matracas juntas é foda demais!).

Em algum lugar nos seus olhos eu me perdi. Não sei dizer bem se foi agora ou foi a uns bons 8 ou 9 meses atrás, mas eu me perdi. Não sei, acho que estou errado. Encontrei-me, essa é a verdade. De uma maneira nova, como já dito, como já descoberto. Existem maneiras diferentes de se estar em lugares diversos, existem maneiras de se entregar a um caminho e a uma empreitada. A vida ensina para a gente, com o tempo e as porradas, que não importa onde estejamos, existe um lugar bem melhor – creio que estou no melhor lugar possível e hoje agradeço todas as lágrimas derrubadas, todas as chateações, todos os surtos, todo o álcool bebido, toda mente fragmentada, toda queda maldita e todas as coisas boas que acabam acontecendo nos intervalos; tudo isso possibilitou-me estar onde eu estou, ao seu lado. É aí que eu quero estar, como amigo, como namorado.

E vamos em frente, porque vamos atropelando o mundo: esse eu com o jeito desligado e desencanado, o eu daí com a energia de quem quer mais sempre e com o detalhismo de quem quer o melhor. No final, um Eu.

Amo por você ser sensível. Amo por você ser incrível. Amo por você ser sincera. Amo por você ter medo e não querer assumir que o tem. Amo por você guardar seus segredos melhor do que eu consigo fazer. Amo por você ser um menininho fofo. Amo por você ser o que você é. Amo. E vou ficar falando isso até você realmente estar convencida. E nada de “easy words”, é de verdade. Nada de "More than words", prefiro "Enjoy the silence". Pode até não ser o que você esperava, mas não espere muito daqui, o que tenho pra lhe dar é pouco, já disse, mas está aí, sempre - tenho pra lhe dar o que você quiser tomar com teu!

Outra vez, disse demais.

Ooooops, I did again!!!!!

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Fazia tempo que não escrevia, saiu:

Efêmera

Quando não te visse não seria espanto,
Pois estaria a sonhar com outros muitos
Momentos de alegria tão simples e diversa
Que deixaria essa saudade tão pequena.

No final, sei que te veria como foi feito
Quando imaginei os meus Paraísos secretos:
Tu serias tão perfeita que eu te amaria
A toda hora mesmo que viesse cheia de erros.

That's all, folks!

6.5.05

Como em 1984, em “o amor é ódio”, as coisas podem ser levadas a ópticas diferentes cada vez que analisamos uma situação. Duas coisas nos movem como individuos e essas duas foram nomeadas acima. Agora, basta a nós escolher qual das duas vamos querer deixar mais presentes na minha vida. Odeio? Sim, vocês não têm idéia de como eu tenho a capacidade para fazê-lo, mas meu ódio é menos nocivo do que meu amor pela vida. Meu amor pelas coisas é que me sustenta, meu apego pelo pelas pessoas que eu amo me leva adiante, mesmo que doa na maioria das vezes sentir-me sozinho nesse mar de anseios. Sou um sonhador, um romântico que finge a todo o momento ser frio e calculista; visto uma carapuça de insensibilidade e distantância, mas eu choro sozinho – e como choro! Sou uma criança com medo do escuro e o escuro vive a minha volta. Peço auxílio em meu sofrimento, mas ele é discreto (quase secreto, diria), também disfarçado de alguma outra coisa. Enlouqueço todos os dias um pouco mais, mas é na mesma medida que eu me encontro. Sou um pássaro pregado em uma árvore qualquer, estou no alto, mas não vôo.

Abaixo, um trecho de De Profundis, de novo, do Oscar Wilde. Leiam, vale a pena perder um dia ou dois para encarar o livro, ele vai ficar mexendo em seu espírito por muito mais tempo.

“(...) Mas, tal como eu, também teve uma trrível tragédia em sua vida, embora inteiramente diferente da minha. Quer saber qual era? Ei-la: em você, o ódio sempre foi mais forte do que o amor. O ódio que sentia por seu pai era tão grande que conseguia ofuscar, sobrepujar e aniquilar inteiramente o amor que sentia por mim. Não havia qualquer conflito entre esses dois sentimentos, ou quase nenhum, tais eram as dimensões e a intensidade do seu ódio. Não percebia que a mesma alma não pode abrigar duas paixões tão diferentes: elas não podem habitar ao mesmo tempo aquela bela casa. O amor é alimentado pela imaginação, através da qual nos tornamos mais sábios do que sabemos, melhores do que nos sentimos, mais nobres do que somos, capazes de ver a vida como um todo; através da qual, e só através dela, chegamos a entender os outros tanto em sua relação real quanto ideal. Só o que é superior e superiormente concebido pode alimentar o amor, mas qualquer coisa alimentará o ódio. Não houve uma só taça de champanhe que você tivesse bebido, uma só das finas iguarias que tivesse provado durante todos aqueles anos que não tivesse servido para alimentar e engordar o seu ódio. E, para gratificá-lo, você jogou com a minha vida tal como jogou com meu dinheiro: descuidadamente, estouvamente, indiferente às consequências. Imaginava que, se perdesse, os prejuízos não seriam seus. E, se ganhasse, sabia que as vantagens e alegrias da vitória lhe pertenceriam.

O ódio cega. Você não percebia isso. O amor é capaz de ler o que está escrito na mais remota estrela mas o ódio deixou-o tão cego que você já não conseguia ver nada além do estreito, fechado e estiolado jardim dos seus desejos mais vulgares. Sua terrível falta de imaginação, único defeito realmente fatal de seu caráter, era causada exclusivamente pelo ódio que trazia dentro de si. Sutil, silenciosa e secretamente, essse ódio ia aos poucos roendo a sua essência, tal como o líquen vai corroendo a raiz do salgueiro, até que não conseguia distinguir nada além dos mais mesquinhos interesses e dos objetivos mais medíocres. O ódio envenenou e paralisou aqueles dons que você possuía e que o amor teria nutrido. (...)”


A vida é pouco mais do que isso. Amor e ódio. Por isso faço de tudo para evitar paixões, prefiro uma vida morna, constante, mesmo que não a tenha assim - meu objetivo é o equilibrio, nem que demore uma vida inteira, é lá que quero chegar. As planícies são mais férteis para se plantar sonhos; montanhas são bons lugares para fitar as mudanças.

Até.

4.5.05

Uma das melhores passagens literárias dos últimos 3 anos eu consegui em um livro que deveria ter lido a muito tempo atrás. De Profundis, do Oscar Wilde, escrito enquanto ele estava preso por pederastia (isso mesmo, ele foi preso por ter sido acusado de viadagem, acreditem, no final do século XIX, na Inglaterra; só que a história envolve outros aspectos, tais como interesses pessoais e políticos de uma minoria que sempre foi a que ditou a “moral e bons costumes da sociedade londrina”). No livro ele narra toda a sua história, não tenta defender suas ações e explica tintim por tintim os acontecidos, envolvimentos e outros mais da história – certo que é a história contada do lado dele, então não dá pra achar que ele é o santo que tenta pregar, mas mesmo assim ele tem ÓTIMAS sacadas sobre relacionamentos. É tão (ou mais) contundente quanto o filme/peça Closer.

“Percebi também que teria sido mais feliz se possuísse um espírito menos cultivado. E não digo isso com rancor, mas por simples companheirismo. Basicamente, o diálogo é o único vínculo capaz de unir duas pessoas, seja no casamento ou na amizade. Mas para que haja diálogo, é necessário que existam interesses comuns. E entre duas pessoas de nível cultural totalmente diverso, o único interesse comum possível só pode existir ao nível mais baixo. A simplicidade de pensamentos e ações pode ser encantadora. Eu fiz dela a base de uma brilhante filosofia, expressa em peças e paradoxos. Mas a frivolidade e a insensatez da nossa vida tornavam-se muitas vezes cansativas para mim: nós só nos encontrávamos em meio à lama e embora o único assunto em torno do qual invariavelmente girasse a sua conversa pudesse ser terrivelmente fascinante, ele acabou por tornar-se bastante monótono para mim.”

E por aí vai. É o maior “pé-na-bunda” que alguém poderia dar em outra pessoa. É genial por ser tão transparente, ou, se não foi sincero, pela genialidade de Wilde em fazê-lo parecer. É contundente na medida que fala das coisas, na forma como trata o relacionamento entre duas pessoas que tinha apenas algo pouco maior que um “desejo por presença”. É o maior documentador dos relacionamentos humanos e não muda muito a sua intenção no agora.

Vale a pena ser lido, mas é mais um dos espelhos que fazem com que sintamos aquela pontada no peito e pensemos: “droga, eu sou humano também”.

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Furei o lábio outra vez. Notícia assustadora? Não, não. Sentir dor desejada, acreditem, apazigua o meu espírito. Meu filhinho voltou. A mesma jóia, no mesmo lugar e com a mesma tatuadora. Aliás, a Mari é ótima. Vocês precisam passar lá no estúdio dela. Pessoa legal, profissional super foda e sabe o que faz. Simpatia e profissionalismo rulez. Passem lá na loja dela, na Galeria do Rock, Rua 24 de Maio, 62 – 3º andar, loja 465. Do lado do Teatro Municipal e pertido da estação Anhangabaú ou República do metrô.

3.5.05

O que a gente sente quando não sente nada? Eu odeio este nada, este modo anestesiado que eu fico toda a vez que os ciclos se repetem. Creio que deva mapear a minha vida para ter uma lógica nessas interrupções das euforias domésticas que vivo. O que há de errado? Nada, creio. Os dias apenas são mais pesados e a estética fica tão massante. O jeito é me mudar, continuar, até não ter mais espaço na pele para deixar minhas marcas. Quero algo novo, alguém velho pode ser, mas desde que me tenha por completo.

Não entendo como o Grande Cthulhu ainda não devorou o meu espírito. Talvez seja porque eu pertença a um outro tipo de ficção. Talvez eu seja muito mais Casmurro do que Criatura do Espaço Profundo e Arquétipo Virtual.

Vou me procurar por entre os livros do começo do século XX, o meu século, com doenças novas mas com os mesmos velhos vícios.

Acenda o cigarro. Dê-me uma gole desse bourbon.

2.5.05

Carta vazia a Ninguém-Em-Especial

De algum lugar em minha consciência ébria por tanto vinho tomado, aos dias do maio frio do ano corrente.

Para o amor da minha vida, a quem amo tanto.

Não sei como dizer-lhe como me sinto sem ferir a mim mesmo, pois é tão certo quanto amanhã o sol levantará um novo dia que não gosto de assumir meus erros. Sim, é nisso que acredito, que eu errei em acreditar nos aspectos mais nobres da natureza humana; não é apenas sobre o que passamos que digo, é sobre o todo que me engloba e esse mar de infrutíferas tentativas de me relacionar de forma clara e desejosa com quem permito que se aproxime de mim. A carne não parece mais sedutora aos meus olhos e uma ojeriza maldita toma conta de mim toda vez que vejo que o que faz os corações pulsarem são a lacívia e o desejo.

Sinto-me tão menos nobre do que ontem, talvez por ter notado que essas coisas todas que me incomodam e machucam são manobras naturais humanas, ou seja, eu também erro, também faço as mesmas coisas, só que em ordem diferente. Não sou tão imprevisível ou inconstante como achei que era, não sou uma pessoa diferente – sou igual a tantas outras pessoas, droga, olhei-me e me descobri humano. Quanto mais tentei me sintetizar, tornar-me objeto inanimado, mais humano fiquei; talvez isso seja conseqüência direta de entender os aspectos e fragilidades da natureza do ser. Acabei tornando-me um filósofo, mas desses bem pequenos e baratos, porque só questiono a mim mesmo e a condição que me afeta diretamente agora.

Posso ser um romântico disfarçado de prostituto e vendido, posso ser um homem com rosto e atitudes de garoto, mas no fundo, o que guardo aqui é um buraco do tamanho do universo, tão grande quanto tantos outros buracos que algumas pessoas que eu conheço guardam em si mesmas.

Tremo a noite com esses pensamentos, pois me afeta diretamente o desejo por atenção e necessidade por notoriedade. Não, não é esse tipo de notoriedade que quero; não desejo ser famoso, desejo apenas ser notado, nem que seja por uma pessoa além das que querem a minha morte. Está certo que não tão ruim assim que mereça morrer por meus pecados, nem mesmo acredito que mereça punição, mas o faço todos os dias quando me questiono, quando questiono o coração.

Nesta hora é que invejo os ignorantes. Aqueles que não tem conhecimento de si mesmos são mais felizes, não precisam assumir seus erros e nem mesmo explicar suas situações para sua própria alma. Já disse antes isso tantas vezes que não tenho a conta acertada – e nem a desejo ter, quero ignorar essa minha redundância da dialética.

Você pode nem se importar de fato com o fenômeno que nos acomete, nem mesmo com essas letras que soltamos quando dialogamos a distância, mas o que importa de fato é que não significamos nada a um ou a outro. Essa é a verdade. Nem a mim mesmo significo alguma coisa, sou a metade de um cérebro isolada da outra – não me compreendo mais do que poderia compreender aqueles que vivem comigo diaramente, mas disso eu só sei daqueles que não deixo se aproximarem de fato de mim.

Paradoxal, sempre. Afinal, ser simples é muito menos seguro do ser complicado. Pode parecer até hipócrita, mas é maquiavélico esse modus operandi. Sim, explico-lhe o motivo: quando pensamentos de forma simples e nossas ações podem ser medidas a qualquer momento, uma palavra dita passa a ser o que ela significa de fato. Ser vago, obtuso ou prolixo é mais seguro, pois quando você se utiliza dessas armaduras impede que o que você tenha dito tenha o significado desvendado; você pode, então, torcer as suas palavras, explicar mais detalhadamente um sentimento ou idéia que pode soa delicado a minha mente. Aprenda com isso. Aprenda se proteger dos insultos, dos erros e dos exageros, para que usar a palavra certa se a metáfora pode ser tão mais ampla?

Não me importa o que sente agora, pois eu não me importo com o que sinto a anos, desde que pela primeira vez cometi um assassinato e senti o sangue correndo por minha mãos trêmulas. Não pasme com essas linhas, eu já matei antes, várias vezes, e não deixarei de matar agora, pois virei um criminoso sedento por mais imagens sórdidas. Reincido nos crimes de outrora sem medo, mato personalidades na mesma velocidade que as crio; incendeio audeias, países, civilizações inteiras caem sobre o meu pensamento – sou o ditador mais cruel que conheço, sou o Deus sem misericórdia e vingador, tal qual o do Velho Testamento, o qual todos temiam e não esperavam amor.

Como queria que você compreendesse as entrelinhas, como se fosse possível mesmo que eu lhe desse a receita, pois você ignora o código que uso, mesmo que ele seja aquele que uso em todas as horas. Você é minha contraparte, meu Nemesis e meu recheio perdido, só que não sabe quem é tanto como eu não sei seu nome em toda a minha vida.

Você já foi tantas. Você já foi amante, já foi amiga, já foi namorada, já foi companheira e já foi a mais odiada; foi tanta coisa que não sei mais quem o possa ser. É estranho ter mais essa certeza, que a "incerteza é a única coisa que você pode esperar".

Queria tanto lhe tocar o rosto mais uma vez, mas não sei ao certo se seria uma carícia ou um tapa, pois me agrido a cada momento que acredito que o amor é algo concreto que abstraímos para que ele seja impossível.

Vou seguindo o meu caminho, enquanto você segue o seu. Vamos sendo duas Berlins em uma, em plena década de cinqüenta – é mais romântico se achar dividido ao meio do que assumir que todos somos tão idênticos que só somos estranhos quando comentos os mesmos erros.

Espero que continue em sua caminhada, sendo ela curta ou longa, e que lá no meio da jornada não sinta nunca remorso ou culpa.

Com todo o carinho que posso nutrir com as mãos sujas de sangue, do seu amor que fugiu com a empregada mensalista.


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Texto meu, escrito em uma inspiração mesclada a desabafo e a idéias de várias pessoas. O eu poético pode até não ser eu mesmo, muita mentira foi contada acima, mas vale somente separar o que é verdade a quem interessar me conhecer de fato.

28.4.05

É quando vemos pessoas que amamos sofrendo que nos sentimos pequenos. A vida é delicada e as imagens mudam sempre. Minha tia avó está no hospital, uma das pessoas mais especiais e marcantes da minha vida (e de um tanto de pessoas). Senhora forte, com 79 anos nas costas, forrozeira, bocuda, falante, de riso fácil, baixinha e maravilhosamente inocente. Suas histórias sozinhas, tanto as que conta quanto as que é protagonista, dariam uma série de romances divertidos e, caso virassem filme, seriam algo entre a Chanchada da Atlântida e o cinema nacional atual de uns anos atrás (aquela fase meio “drama nas margens brasileiras, sejam nordeste, periferia das capitais, centro do país ou algo que identifique no personagem da tela o espectador brasileiro”). Ainda não fui visitá-la, mas a fragilidade dessa casca aqui acaba deixando a gente completamente sem reação.

Estou chateado de fato, não é porque ela é parente, mas porque a imagem dessa “baixinha elétrica” está enraizada na minha vida. Em TODOS os momentos ela estava lá, algumas vezes mais frequentemente, outras nem tanto, mas no final, sempre presente. Passou por todas as etapas da minha vida e a de um monte de gente. Ela vivia falando que a vez dela estava chegando, mas ainda está longe de acabar. Já passou tanta gente por essa vida, tanta gente que convivia com ela: minha avó, meu avó, seus irmãos, alguns sobrinhos neto até. Só que ela ainda tem história para contar, tem vida pulsando nas veias dela... aliás, foi o excesso de vida que causou esse tropeço: a pressão alta acabou por lhe dar um derrame de presente, mas é só pra mostrar que ela é uma pessoa forte e que vai conseguir superar. Agora eu QUERO ir para minha cidadezinha querida/odiada para visitá-la ao sair do hospital. Preciso e não é obrigação, é necessidade pela pessoa que ela é, pelo que ela significa em minha vida – posso não ser a melhor das pessoas para demonstrar carinho, preocupação e afeto, mas ainda sim sinto; não é porque não se vê o fogo que ele não queima, correto?

Mudar a si mesmo em si mesmo é retórica frouxa.

Quando pensamos que podemos mudar o mundo, tudo fica mais leve. É como se essa megalomania disfarçada de autruísmo pudesse, de maneira inovadora, transformar o mundo cinza em um imenso show dos Teletubies. A nossa alma fica mais leve somente pelo desejo de efetuar mudanças: nossos olhos se perdem entre milhares de imagens salvadoras, mas em todas elas somos mártires de causas impossíveis. Tentamos mudar o mundo pela força de nossas imagens utópicas e moldamos a realidade do jeito que ela melhor se adequa a nossos planos – quando queremos felicidade, projetamos a felicidade em alguma coisa qualquer que esteja a nossa vista (nem sempre aquilo nos faz feliz de fato, é só uma ilusão de grandeza para evitar a rudeza com que a vida nos trata).

Tiramos da cartola milhares de truques para compensar nosso desejo de contruir sonhos aos milhares, mas concretizamos menos do que poderíamos contar em uma mão. Quase nenhuma realização de nossa vida depende diretamente do nosso zelo e excesso de imaginação, tudo é questão de sorte – o que separa uma pessoa com potencial de ser alguém maior do que é do que uma que realmente é se concentra apenas nos mesmos coeficientes dos jogos de azar.

See ya.