17.3.06

Bíblia com “aviso de conteúdo”

Imagem da Bíblia com Parental Advisory

Sim, isso mesmo! A Bíblia deveria ter uma aviso de conteúdo, o famoso “Parental Advisory” que entra em jogos com cenas de violência e livros ou produtos de conteúdo, digamos, adulto. Pode parecer um absurdo, mas outro dia estávamos falando sobre isso e não é que o papo rendeu.

Porque diabos temos que nos preocupar com conteúdo violento em filmes, quadrinhos, livros, revistas e jogos eletrônicos? Oras, quando lemos a Bíblia, o livro mais sagrado do mundo (não que seja realmente o mais sagrado, mas é que sagrado para a maior parte da população ocidental, então vamos aceitar a opinião da maioria – mesmo que eu ache que O Pequeno Príncipe seja mais sagrado que ela) vemos dentro dela cenas fortes de sexo, violência e conteúdo adulto.

Tudo bem, você tem o direito de me questionar, mas eu aprendi bem com os Testemunhas de Jeová, que batiam na minha porta em Sorocaba quase todos os domingos e com os quais ficava discutindo horas e horas, que quando você não tem argumentos válidos (ou quer economizar tempo) é só citar uma passagem bíblica! Então, vamos “noés”:

Alegrar-se-á o justo quando vir a vingança; banhará os pés no sangue do ímpio.
- Salmos 58:10

Mas, ó SENHOR dos Exércitos, justo Juiz, que provas o mais íntimo do coração, veja eu a tua vingança sobre eles; pois a ti revelei a minha causa.
- Jeremias 11:20

Com ira e furor, tomarei vingança sobre as nações que não me obedeceram.
- Miquéias 5:15

O SENHOR é Deus zeloso e vingador, o SENHOR é vingador e cheio de ira; o SENHOR toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para os seus inimigos.
- Naum 1:2

Sobe, ó espada, contra a terra duplamente rebelde, sobe contra ela e contra os moradores da terra de castigo; assola irremissivelmente, destrói tudo após eles, diz o SENHOR, e faze segundo tudo o que te mandei.
- Jeremias 50:21

Especialmente indico a leitura do livro Juízes do capítulo 19 ao 21 é uma história bem interessante, que possui um bom parâmetro do que é certo de acordo com o Velho Testamento - vocês vão se emocionar com a intriga de sexo e sangue!!!!

Olha só, isso porque foi um levantamento BEM superficial, eu nem gastei tempo falando sobre outras passagens fantásticas e que mereciam atenção – e algumas morais um tanto estranhas, quanto a da parábola do Filho Pródigo que tanta gente usa como “exemplo de tolerância e moral”.

Tem outra ainda, pois a Bíblia deveria ter um aviso também relacionado ao tempo de uso, algo do tipo:

“Deve ser utilizado entre 1 e 4 horas por dia no máximo, pois pode causar danos na interpretação da realidade, fanatismo religioso e, em casos mais sérios, atentados terroristas. Indica-se o uso com moderação e cautela por pessoas com problemas psicológicos, tendências a esquizofrenia, histórico de uso de drogas alucinógenas e outros problemas de cunho psiquiátrico – também deve ser afastado de idosos ou pessoas com propensão a credulidade crônica.”

Imagine só uma propaganda da Bíblica escrita de forma mais agressiva no melhor estilo PoliShop:

“Compre a Bíblia Sagrada: um livro com conflitos pessoais, assassinatos, conspirações, guerras, sexo, terror e assuntos paranormais – não perca o volume especial, com uma réplica em resina de David estourando a cabeça de Golias. Não perca essa oportunidade. Se você comprar agora ainda leva de brinde um livro de ‘Perguntas e Respostas Religiosas Para Seus Filhos’, respondendo questões como ‘Por que Jesus Cristo tinha cabelos compridos como uma bicha?’ e ‘Papai Noel é o Diabo?’.”

Oras, e não foi só a gente que pensou nisso, o assunto já roda por aí há um tempo e achei uma matéria, em inglês, intitulada “Bibles to be Published With Parental Advisory Labels” (algo como “Bíblia é publicada com quadros de Aviso de Conteúdo”) – aliás, todo o site é ótimo, cheio de matérias pra lá de hilárias (só rindo mesmo).

Da próxima vez que chegarem perto da Bíblia, vejam se colaram o selinho lá. Se não o fizeram, então ignore-o da próxima vez que for comprar um jogo para os seus filhos ou sobrinhos ou primos, afinal, no Catecismo ou na Escola Dominical ele terá aprendidos coisas mais interessantes e com embasamento mais sério – oras, a Bíblia não está certa acima de todas as leis?

E se precisarem da Bíblica, vocês podem encontrar ela na Internet com um ótimo sistema de busca em http://www.bibliaonline.net . Boa sorte!

Caça às bruxas: agora vai ser com o The Crims!!!!

Quem não conhece o jogo The Crims levanta as mãos... e passa a grana! Tá, tá! É uma piada para quem já conhece. The Crims é um jogo “web based”, ou seja, você utiliza o browser para jogar, escolhendo o que se fazer durante uma seqüência de turnos. O jogo faz cálculos baseados em suas ações. Jogos “web based” são os pais dos tais jogos massivos online (World Of Warcraft e Ragnarok são dois bons exemplos) e foram muito populares lá fora durante a década de 90 (e até agora, viu?).

O que tem de tão especial então nesse tal The Crims? Simples, o jogo é engraçado por se basear na idéia que você vive em Crim City, uma cidade inspirada na idéia do Frank Miller chamada Sin City, onde o crime anda solto e você deve fazer o papel de um tipo de bandido dentro desse contexto. Você escolhe entre vários tipos de criminoso () e o seu objetivo é ganhar respeito dentro do submundo. Para ganhar respeito você deve fazer assaltos, que vão desde lojas de 1,99, passando por velhinhas, Casas Bahia e acabando, no modo solo, no Museu Nacional de Crim City.

Para você roubar é preciso que a sua barra de energia, chamada no jogo de “Estamina” esteja no mínimo necessário para efetuar os crimes. Para aumentar a sua energia você pode esperar o tempo passar ou usar drogas em boates e raves para que ela aumente. Com os roubos você ganha dinheiro que, por sua vez, é utilizado para usar mais drogas – você entra em um ciclo e, quando as drogas não surtem mais efeitos, deve ir para o hospital fazer uma desintoxicação. Só que não pára por aí. Com a grana que vai sobrando você pode fazer investimentos em putas e depois em fábricas de drogas – com o tempo você recolhe a grana das putas, o produto das suas fábricas e vende no tráfico de drogas.

Está bem, está bem. Este jogo é bem pior que um papo de jogadores de RPG do tipo “então, eu peguei a minha montante e arranquei o pescoço do dragão com um só golpe, mas o anão entrou no caminho e acabei decepando sua mão direita”.

O jogo é bem divertido e o sistema de regras permite que você se divirta sem deixar a sua vida de lado. Com o tempo você monta uma gangue dentro do jogo e pode fazer assaltos em grupo, o que é uma boa quando você tem um grupo grande de amigos nerds – isso rende várias e várias risadas durante finais de semana que poderiam ser tediosos.

Devido a essa temática, que flerta em muito com o jogo GTA, iniciou-se a perseguição. The Crims pode ser proibido para jogadores brasileiros ou seus donos processados por incentivar a violência ou o uso de droga entre os menores. Eu já vi esse tipo de besteira acontecer, quando teve aquele massacre lá em Columbine, nos Estados Unidos, e jogaram a culpa toda no tipo de música (Manson), no RPG, nos jogos de computador (Doom) e no cinema (Matrix). É tão mais fácil escolher um alvo e acertar ele com besteiras desse tipo, principalmente porque não é um jogo que deixa as pessoas mais ou menos violentas, mas sim a criação, a índole, a família e o momento – caso contrário era para eu ser um psicopata, porque eu ouço Manson, assisti Matrix várias vezes, jogo RPG e jogos de computador de tiro, mas ainda tenho um agravante, vivo perambulando pela noite e pelas baladas. Meu Deus, fiquei com medo de mim!

A culpa da violência não está na ficção, não é um filme ou um jogo que vão fazer com que uma pessoa se torne uma criminosa, mas uma série de aspectos que a sociedade prefere ignorar. O criminoso nasce porque os criamos todos os dias, na pressão do cotidiano, na falta de oportunidades, na facilitação ao acesso a drogas e armas de VERDADE, na diferença social, na falta de educação e nas disparidades que estão aí dia-a-dia nos jornais. Juro que com GTA eu não aprendi como espancar alguém até a morte e nem com The Crims eu aprendi a gerenciar um cartel de drogas – isso não se aprende em simuladores divertidos. Não virei um viciado porque prefiro usar Cogumelos Alucinógenos e Ópio ou por ter certeza que Heroína é cara e não dá retorno financeiro, pois isso são dados que eu uso somente para um jogo de computador imbecil que eu participo para matar o tempo livre e dar assunto pro final de semana chuvoso e massante!

Vão começar outra vez com o discurso politicamente correto e corremos o risco de não podermos mais fazer o que queremos, mesmo que seja inofensivo. Daqui a pouco vão nos colocar coleiras e sensores para saber o que estamos pensando, para que se tivermos algum pensamento violento possam expurga-los de nossa mente com eletro-choque.

Qual será o próximo alvo? Hein? The Sims? Star Wars? Eu não sei... mas logo ele virá!

P.S.: Uma foto ilustrativa você acha no meu fotolog!

13.3.06

Mudando o tom do discurso

Gente, olhem isso, eu nunca pensei que viria a ATARI (por favor, a empresa de videogames, please!) sofrendo por calote, carai!

Atari pode ser retirada da lista da Nasdaq - 12/03/2006 - UOL Jogos - UOL Jogos

Pra gente ver que nem as lendas sobrevivem por muito tempo, mas é tudo culpa da Eletronic Arts, afinal, alguém tem sempre que ser o culpado pras cagadas alheias, né? Não existe fortuna, infortúnios e nem mesmo competência - é tudo culpa de uma conspiração mundial.

Daqui a pouco, vão culpar a Blizzard também... rs rs rs rs rs rs!

9.3.06

Sábia que querem tirar até 40% do seu salário?!

“Liberdade de imprensa e reunião, inviolabilidade do domicílio e de todo o resto, só são respeitadas se o povo não faz uso delas contra as classes privilegiadas. Todavia, o dia em que ele começa a servir-se delas para sapar os privilégios, - todas essas pretensas liberdades são lançadas ao mar” – Piotr Kropotkin

É com essa citação do Russo Kropotkin escrita por volta de 1885 que eu começo hoje. Tudo isso por conta de uma matéria do ano passado, datada de 19 de maio de 2005, escrita no site da revista Consultor Jurídico.

Esta matéria está falando sobre uma lei que está em processo de aprovação hoje no Congresso Nacional, que vem toda mascarada de boas intenções, mas na verdade quer foder mais um pouco o cidadão comum em detrimento do interesse dos banqueiros. Pode parecer meio exagero e papo de “bandeira vermelha”, mas o negócio é sério mesmo! Acho que todo mundo deveria ficar de olho nessa lei e as pessoas deveriam formar uma opinião sobre ela para que não deixem ela passar.

Por quê? Ao ler a matéria e as correções que ela faz no Código Civil vocês irão observar algumas coisas bem interessantes:

  1. Eles podem penhorar seus ativos, ou seja, aquela sua poupança que você fez para a faculdade do seu filho, o seu plano de previdência privada, aquele seu investimento em saúde feito no banco e outros podem ir para o beleléu sem que você possa fazer nada para evitar isso;
  2. A sua casa, que você demorou sua vida toda para levantar, pode ser vendida para pagar sua divida. Hoje, o Código Civil não permite que o seu imóvel único seja vendido ou penhorado, mas eles querem mudar isso;
  3. Você pode ter até 40% do seu salário penhorado para honrar a sua divida, ou seja, você vai ficar com quase 70% de descontos em cima dele (já que você paga imposto de renda, INSS, contribuição sindical, fundo de garantia e afins – como se o aluguel, mais comida, mais plano de saúde, conta de luz e afins não consumissem quase toda a sobra!!!!).

E por aí vão os abusos. Um comentário no final do texto, todo em “advogadês” diz que:

Em que pesem argumentações díspares, a alteração legislativa quanto à efetiva e profícua satisfação do credor Exeqüente de quantia certa é hoje medida de imperiosa necessidade em nosso ordenamento jurídico, eis que devedores "de carteirinha" pulverizam entre a comunidade: "Deixemos nossas dívidas serem levadas ao Poder Judiciário, pois lá é tudo muito lento e quando sai algum resultado, pagamos da forma com que queremos". Isto é um um denemérito ao Poder Judiciário e um desrespeito ao credor.

Moisés Néri Costa
Professor Direito Processual Civil

Interessante, né? Eu, que não sou formado em direito e uso o português para me expressar, sem tentar soar eloqüente ou prolixo, vou traduzir o que ele disse aí em cima:

“Independentemente das opiniões contrárias, essa alteração é necessária para acertar as coisas, pois os “devedores de carteirinha” estão espalhados ao monte por aí: ‘Deixemos que as dividas vão pra justiça, pois lá é tudo muito lento e quando sai algum resultado, pagamos da forma com que queremos’. Isto é ofensivo ao Poder Judiário e um desrespeito ao credor”.

Ficou mais claro agora? Só mudei algumas palavrinhas!

Então, acreditar que é com uma medida dessas que você vai resolver o problema das pessoas que deixam de pagar suas dividas é um absurdo. Em primeiro lugar, um empréstimo, seja ele em dinheiro ou aquela famosa venda a prazo, é um contrato entre duas pessoas, sejam físicas ou jurídicas. Esse contrato não é forçado por nenhuma das partes e, por isso, é um acordo. Quando uma das partes não honra esse contrato há um embate e elas passam a discutir como resolver o problema! Não é por isso eu você vai passar por cima dos direitos do cidadão e obrigar ele a uma condição que venha a suprimir seu sustento, que lhe tire a moradia ou que o prive de seus investimentos para o futuro (se o governo ainda desse saúde, educação e aposentadoria decente, aí seria uma outra história – mas o Estado não cumpre suas obrigações).

Não estou defendendo que os maus pagadores tem que sair ilesos de suas dívidas, mas sim que a política para a cobrança deve ser justa. Eu sou um devedor, assumo isso, mas penso todos os dias em como acertar minha divida, dentro dos meus limites pessoais – só que eu não posso ser atingido pela vontade do meu credor. Ainda sou um individuo e a minha renda nem é meu lucro, é o meu sustento básico, o que não acontece com empresas financeiras, que estão lucrando cerca de 25% ao ano (um valor assombrosamente alto).

Sou a favor do aumento do tempo que a pessoa é considerada devedora e que seu nome fica registrado como tal, isso é justo, já que ela se banhou de recursos de terceiros e deveria entregá-los de volta. Caso o Estado desejasse mudar algo de vez, então que pegasse os devedores de valores mais alto e os obrigasse a acertar as suas dividas, não a massa (que dá lucro aos bancos).

Por que então não pegar aquele individuo ou proprietário de empresa que deve R$ 500.000,00 ou mais e pedir para que ele honre sua dívida? Ah, ele não tem? Tudo tem então, obrigue-o a prestar serviços comunitários tempo o suficiente para que ele atinja o valor da sua dívida – e isso pode ser feito também com o pequeno devedor. Faça a dívida virar investimento social ao invés de engordar os bolsos de uma elite cada vez mais rica; faça o dinheiro melhorar o país ao contrário de ir voando para o exterior; faça o capital dos devedores se transformar em melhorias para a sociedade e retornar em educação, melhoria de qualidade de vida, segurança e saúde! Por que então não fazer isso? Porque os deputados e demais políticos não querem melhorar a sociedade, querem é encher seus bolsos de dinheiro!

Só que essa discussão é mais profunda, pois ela vai de frente a duas premissas: falta de educação do povo quanto a suas finanças e concentração se renda na mão daqueles que se beneficiam da disparidade econômica e social.

A primeira instância, a falta de educação financeira ao povo, faz com que as pessoas não saibam o que significa juros. Podem até saber que vão pagar um pouco mais, mas desconhecem o que isso significa lá na frente, sem contar que não sabem o que é justo e o que é abusivo. O individuo comum não conhece os limites bancários e as leis que regem essas transações financeiras, bem como desconhecem o que é contrato, o que é direito civil e outras coisas mais. Isso faz com que eles virem vitimas de um sistema que os envolve e depois os espreme, em busca de dinheiro – nem todo devedor o fez de má fé, talvez ele tenha perdido o emprego e caído na armadilha do empréstimo ou dos juros sobre juros.

Isso é desonesto, é se empanturrar com a comida tirada do prato de quem não sabia que iria perdê-la, é simplesmente injusto. O segundo ponto parte daí: quem tem conhecimento acaba acumulando capital e utiliza esse mesmo capital para gerar mais dinheiro, emprestando-o aos que não tem e pedindo os juros para que os colha como frutos. Esta distância acaba empobrecendo mais as camadas menos privilegiadas, gerando mais lucro para aqueles que sobrevivem do desespero dos que precisam de R$ 200,00 emprestados para poder fazer a compra do mês.

E o assunto vai se estendendo por muitos parágrafos. Temos que discutir e tentar mudar isso. Os meus argumentos são muitos, acho que devemos, em primeiro momento, saber que podemos mudar as coisas e que o cidadão comum pode impedir que uma lei estúpida dessas seja aprovada. Nós temos nosso direito, vivemos em uma democracia e temos que saber utilizar de seus recursos, mas este é um assunto para um próximo post, por enquanto, passem essa notícia ao maior número de pessoas, é um apelo para que não nos fodam uma vez mais!!!!!!!

Um abraço.

2.3.06

Anarquia, oi!

Quanto eu mais leio sobre anarquismo mais eu vejo que nunca fui anarquista e que nunca eu conseguiria acreditar em um sistema que tenta pregar um positivismo tão cego com relação a humanidade.

Na minha adolescência, como quase toda pessoa que um dia já pensou que poderia mudar o mundo sozinha (bem, todo adolescente acha isso), eu pensava que teorias “revolucionárias” como o comunismo e o socialismo poderiam ter aquele quê de salvação, quebrando o sistema vigente e dando uma sociedade justa ou igualitária para todas as pessoas. O engano dessas teorias está justamente aí: você é criado em um sistema e sua contestação é natural ao processo de formação do individuo. Se eu tivesse nascido em uma sociedade comunista, talvez eu achasse que estaria sendo massacrado pela mão do estado e privado da minha liberdade de me desenvolver como individuo, estariam me privando do acumulo do capital e do direito de ter a propriedade privada.

É natural nadar contra a maré, confrontar os valores ensinados por sua família e sociedade para criar os seus próprios – dessa quebra nasce o individuo. Lembro-me quando eu me banhei com o comunismo pela primeira vez e com o socialismo utópico. A sensação realmente era que aquelas idéias poderiam mudar o mundo, porém, o exemplo que de que elas eram falhas e que o ser humano não consegue viver em comunidade de fato estava bem na minha cara: a União Soviética desmoronava, o socialismo ruía e só a China se mantinha, manca, com um modelo de socialismo próprio, que mais parecia uma ditadura sul americana regada a excessos de sanções ao individuo.

Daí vieram a mim as idéias anarquistas, conheci o pensamento anarquista russo e toda aquela falácia pacifista de Tolstoi, muito visível em seu Guerra e Paz. Acreditei por um tempo que a anarquia poderia ser um rumo interessante, mas aí eu parei para questionar: por que diabos essas idéias nunca deram certo em mais de 2 séculos?

A premissa básica da anarquia é a crença que o ser humano é uma criatura social e que existe uma entidade a parte de tudo, que guia o homem sem que ele precise de fato de uma liderança. Isso seria basicamente como um instinto de matilha ou de manada, onde as pessoas seguem apenas o direcionamento dado por indivíduos para o bem comum. Uma idéia bem interessante, na qual eu acredito em parte, porém, existe uma outra premissa importante que é a capacidade de se auto-liderar da humanidade e de sempre fazer o correto. É uma crença tola se observarmos com cuidado a natureza humana.

O homem é um predador egoísta, Max Skiner (responsável por uma obra importante dentro do pensamento anarquista) dizia algo similar, mas seu pensamento era mais próximo ao de Nietzche, que elevava o homem ao grau de divindade (em Skiner era o egoísta e em Nietzche o super-homem). Não creio que o homem esteja acima dos outros animais quando analisado mais de perto. Somos predadores querendo perpetuar nossos genes, queremos liderar e estar acima de nossos pares. Os paradigmas mudam, mas no final, sempre são os melhores contra os piores, os mais capacitados em cima dos menos capacitados, os afortunados sobre os desaforturnados, os ricos sobre os pobres, os fortes sobre os fracos, os sanguinários sobre os pacíficos e o homem sobre o homem. A lei da natureza pode ser adaptada, mas sempre vai falar que quem vence na luta pela vida são os mais fortes – não há como negar isso e nem nosso instinto primal de reprodução e perpetuação genética.

Dentro dessa acepção as coisas ganham um sentido bem diferente e o homem passa a ser uma criatura incapaz do bem coletivo, pelo menos a sua grande maioria. A busca por uma mentalidade pacifica e comunista (no sentido do bem comum para todos) é praticamente uma jornada fadada ao fracasso. O homem chegou perto disso? Nunca, apenas mascarou através da vontade  coletiva alguns desejos do individuo, porém, isso logo faliu e deu lugar a vontade por estar em níveis superiores – aconteceu com o cristianismo, aconteceu com o budismo e aconteceu com o socialismo, pois sempre existirão os melhores e os piores, alguém paga o preço, não importa se é para o bem comum ou privado.

Essa é a minha crença e o meu ideal pessoal. Mas por que diabos eu coloquei isso aqui? É que eu fico profundamente irritado quando as pessoas ficam cegas por ideais. Tudo bem, um dia eu posso ter chegado perto de um discurso comunista, nazista, anarquista, socialista ou o que o valha, porém, eu nunca preguei. Talvez eu tenha feito isso por saber que eu não era o senhor da razão e que um pensamento nunca tinha apenas uma face – mas o mundo não é plurilateral, ele busca um paradigma e a manutenção do status quo, ou melhor, a sociedade busca uma paz ou estabilidade ilusória, até que o barril estoure e um outro paradigma se sobreponha sobre o anterior, passando novamente para um status quo que vai durar mais alguns séculos (às vezes muito mais, outras vezes muito menos).

Só uma coisa que preciso aprender a ser é paciente, pois as idéias devem ser conflitadas e algumas pessoas são mais crédulas nestas entidades. Adolescentes principalmente, porque eles precisam explicar o seu mundo e precisam se encontrar, agrupar-se em “tribos” onde as suas idéias sejam semelhantes para que possam discutí-las ou até mesmo para se sentirem protegidos, precisam de apoio dos outros que estão no mesmo barco – e assim é com a maioria das pessoas.

Um filme que ilustra bem isso é American History X – Uma outra história americana e também aquele Skin-heads – A Força Branca (Romper Stomper), mas poderia deixar uma lista imensa de literatura e filmografia que mostram que as idéias se plantam nas lacunas e conflitos da mente jovem – só que uma mente jovem pode não ser apenas na idade, uma mente jovem pode ter 30 anos de idade, porém, nunca contestou a sua realidade.

Eu preciso ganhar paciência, mas a humanidade precisa aprender a discutir o bem comum, porém, sem acreditar que todos vão deixar de ser filhos da puta manipuladores, pois o mundo hoje é deles de novo – só que hoje eles vestem terno e gravata, aposentaram as batinas e armaduras, não usam mais coroa, apenas adornos delicados e discretos, tais como seus carros de luxo, suas plásticas caríssimas e seu descaso pelo resto da sociedade. Podem chamá-los por vários nomes se desejarem, mas sempre lembrem que eles variam de políticos a empresários – no final, eles deveriam utilizar capaz pontudas e sair só a noite, pois são vampiros ou seres antropofágicos que se nutrem da vida da comunidade, da sua vida e da vida dos seus entes queridos.

Só não deixe as idéias preencherem essa frustração e causarem mais estrago que danos, uma hora os líderes bem intencionados morrem e os vampiros vestem roupas novas, viram oficiais fardados ou revolucionários barbados, mas no final são sempre sanguessugas querendo foder o resto tudo para que se saiam bem.

23.2.06

Pra eu ficar na moda, uma opinião ligeira.

Gente, eu ainda acho que brasileiro é um povinho invejoso da porra!!!! Só porque a mulher teve uma sorte danada, conseguiu subir ao palco, ficar ao lado do Bono e aparecer em rede nacional de TV os manés todos ficam falando merda da coitada. Deixem ela viver, afinal, a maioria das pessoas que falam mal é pra desdenhar mesmo. Conhecem a história da raposa e das uvas?

Não? Então a leiam abaixo:

A raposa e as uvas

Morta de fome, uma raposa foi até um vinhedo sabendo que ia encontrar muita uva. A safra tinha sido excelente. Ao ver a parreira carregada de cachos enormes, a raposa lambeu os beiços. Só que sua alegria durou pouco: por mais que tentasse, não conseguia alcançar as uvas. Por fim, cansada de tantos esforços inúteis, resolveu ir embora, dizendo:

- Por mim, quem quiser essas uvas pode levar. Estão verdes, estão azedas, não me servem. Se alguém me desse essas uvas eu não comeria.

Moral: Desprezar o que não se consegue conquistar é fácil.

Ler Godwin demais dá nisso

Não sei se eu fui bem educado ou se minha mãe encheu minha cabeça com minhoca demais, mas eu aposto muita coisa na primeira opção. Então, no meio dessa educação eu aprendi algumas coisas bem importantes, como, por exemplo, honrar minha palavra.

Vou contar uma história para vocês analisarem comigo:

Quando eu compro pão na padaria do Seu Zé e não tenho dinheiro para pagar, eu penduro. Se a situação aperta eu vou lá falar para o Seu Zé que eu vou pagar, mas que eu preciso comer, porque estou com problemas devido ao atraso no pagamento de alguns trabalhos que eu fiz. Só que eu resolvi deixar estacionado na garagem do Seu Zé a minha bicicleta, como sinal que eu ia pagar um dia o que eu devia para ele. Daí, vocês não acreditam, tive que pegar mais pão. O Seu Zé, meu amigo e pessoa que confia em minha honestidade, deixou estar, ainda mais que tinha a minha bicicleta como garantia.

Então, um dia, eu descubro que não vou ter dinheiro. O que eu faço? Abro uma conta na quitanda do Seu Pedro e faço as mesmas promessas. Só que eu preciso da minha bicicleta para tentar ganhar dinheiro. O que eu faço? Vou até a casa do Seu Zé, aproveito que sei como entrar e tinha uma cópia da chave. Dentro dela eu vou até a garagem e pego a minha bicicleta. Claro que tudo isso sem o Seu Zé saber, afinal, eu estou devendo dinheiro para ele.

Tudo isso foi feito com total boa intenção, afinal, se eu conseguir trabalhar TALVEZ consiga dinheiro e TALVEZ eu consiga pagar o Seu Zé. Não me importo se ele ia vender a bicicleta para pagar os fornecedores, afinal, eu estou devendo para ele e não quero saber para quem ele deve.

O que eu fiz não foi desonesto. O que eu fiz não foi crime. Nem mesmo se estou devendo para o Seu Zé, o Seu Carlos, o Seu Justo, o Seu Manoel e mais um monte de gente espalhada por aí, afinal, eu ajo sempre com a melhor das intenções.

Notaram alguma coisa muito estranha nessa história? Sim, eu cometi um crime! Sim, eu fui desonesto! Sim, eu estou contando com ovo no cu da galinha! Só que tem gente que não vê isso. Mas eu queria saber mesmo se sou eu que acho essa história acima uma falta completa de ética e uma visão distorcida de moral ou tem mais gente que está vendo isso?!

Por favor, ajudem esse coelho, pois ele está confuso!

Dica, fiquem longe de livros semi-socialistas e anarquistas, isso faz mal pra cabeça!!! Frita tuuuuudo!!!

20.2.06

Um resumo de coisas interessantes

Bom, eu recebi um comment naquele post que "sumiu", que eu achei que deveria reproduzir aqui por dois motivos, (1) adiciona coisas bem interessantes a minha "raivinha", com outros argumentos sólidos e (2) me fez ir pra caralho com algumas coisas fantásticas ditas:

O problema está na árvore genealógica e nas influências familiares. A mamãe do emocore é Gótica, o papai do emocore é Clubber, só que eles se divorciaram, e a mãe casou com um homem 20 anos mais novo, skatista e fã de Hardcore. Misturou tudo e deu no que deu. Aliás, Poe, por favor... Não fica dando idéia na emada, daqui a pouco eles vão estar falando de George Orwell como se fosse parte da realidade deles, ou alugando Metrópolis só pra vir te contrariar. Eu sou totalmente a favor da distribuição de conhecimento, mas vulgarização é de mais. É que nem sair pra passear com aquele seu professor gente boa de teoria da comunicação pra uma tarde no Espaço Unibanco com os amigos dele e a sua sala de aula e ouvir os caras falando o tempo inteiro da influência do cinema indiano ou paquistanês na política da região setentrional média do sahara oriental, como se alguém que acordasse 7h da manhã pra trabalhar e voltasse as 24h30 da faculdade tivesse algum tempo pra procurar na 2001 um filme Paquistanês de merda. Eu só vou na Galeria do Rock pra comprar boné, tênis e pechinchar CD no Sebo do japa do terceiro andar, que sempre faz uns descontos maneiros nos cds das bandas independentes. E olha que pego metrô no Anhangabaú todo santo dia pra ir pra Faculdade.

Mas eu não sei se você reparou direito, mas tem níveis e níveis de "emocore styling". Tem o nível "chupetinha", que é aquele rapazote que usa a franjinha chupada com uma camiseta rosa estampada no peito em uma camisa social azul-bebe embaixo só com a manga e a golinha pra fora, short e mochilinha cheia de pin (aliás, nem falam mais pin né? é broche mesmo! pin é da minha época) com uma chupetinha, um gatinho ou algo fofo amarrado num cordãozinho. Tem o nível "boyzinho", que é aquele emocore mais contido, que usa uma calça jeans de alguma marca tipo Cavalera, e se fecha inteiro num casaquinho da Adidas preto deixando só a franjona a mostra. Tem o nível "skater", que é o cara que tem cabelo ruim e não pode usar franjinha então taca um boné pra esconder, virado de ladinho. Enfim, mas tem uns e outros que não emitem tanta informação, fazem um estilo emo/hc/postpunk/indie ou whater mais contido, e fica até bonitinho. Olha, eu vejo várias garotinhas apetecíveis emocorezinhas, não é por nada não, com um estilinho sussegado (sem deixar o rebite de lado). E eu tenho uma quedinha por saia e meia arrastão, não posso negar.

E só pra constar, o fofoletês e o "bozo, caralho" fizeram minha tediosa madrugada pós-micareta-forçada da faculdade, obrigado. Fazia tempo que não passava aqui, sem tempo. ;P

Comentei nesse porque o de cima tá dando erro. E o cara disse que você escreve estilo veja, psdb, jornal da globo e FOLHA DE SP. Notou algo errado? Será que ele queria dizer ESTADO de São Paulo? Eu einh...


Posted by Gabriel to O Coelho Branco at 2/18/2006 07:10:34 AM

E só pra constar, o fofoletês e o "bozo, caralho" fizeram minha tediosa madrugada pós-micareta-forçada da faculdade, obrigado. Fazia tempo que não passava aqui, sem tempo. ;P

Comentei nesse porque o de cima tá dando erro. E o cara disse que você escreve estilo veja, psdb, jornal da globo e FOLHA DE SP. Notou algo errado? Será que ele queria dizer ESTADO de São Paulo? Eu einh...

Posted by Gabriel to O Coelho Branco at 2/18/2006 07:10:34 AM

A segunda coisa é que eu virei fã do Ricardo Bánffy. Tá, tá! Ninguém é obrigado a saber o que o cara faz ou quem ele é, afinal, ele não é do U2, nem do Rolling Stones e nem de bandinhas pop adolescentes. O Bánffy escreve para a Webinsider e foi a segunda vez em menos de 2 meses que ele soltou uma opinião que eu gostaria de soltar, só que com muito mais embasamento, afinal, ele realmente TRABALHA com isso, eu sou "só mais um designer de cabelos coloridos cheio de boas intenções" (bom, deixa eu me fazer de coitado, né? Afinal, eu estou frustrado exatamente porque estou me sentindo desse jeito aí - quero horizontes, nem que sejam novos).

A matéria em questão se chama Malacus Curiae, você clica aí e dá uma lida para ver porque eu fico cada vez mais irritado com o Governo, pois ele não defende o interesse público, mas sim o dos lobbystas. Precisamos fazer algo com relação a isso, mas nesse ano de eleição todo mundo quer é comprar sua cota de favores dos políticos para poder depois foder tudo - estou com medo e isso não é uma brincadeira!!!!

E outra coisa fantástica foi a notícia que recebi ao abrir o meu navegador (adoro o Firefox, mas não consigo viver mais sem um leitor de feed, socorro! Geekei-me de vez!): a Microsofre vai parar de produzir o FrontPage na versão Office 2007! Deus existe? Não sei, mas este ano está bem insólito, até virus pra Mac OS X já saiu!!!!! Depois do Apple Intel eu não duvidava de mais nada, mas agora estou começando a achar que as coisas estão ficando realmente estranhas.

Clonaram tanto que os clones desbotaram

Bom, eu tinha postado isso na sexta-feira, mas por alguma situação insólita e mística o texto simplesmente desapareceu, acredito piamente que tenham zoado o BD do site, mas prefiro achar que foi cagada mesmo do pessoal do Blogger.com, mas eu sou prevenido, salvo tudo em texto antes de postar... lá vai de novo!

Isso mesmo, é um bom título para descrever o que eu vejo por aí a um ano e lá vai porrada (quase dois). Desde que comecei a trabalhar aqui em São Paulo e, por conseqüência, mudei-me pra cá, vou passear uma vez por semana pelo menos na tal da Galeria do Rock. Neste período vi o pessoal de preto e os cabeludos sendo substituídos cada dia mais por miniaturas indie, mas achei que era apenas uma tendência daquela temporada. Só que os mini-indies viraram monstrinhos piores e, tal como os Gremlins, se reproduziram (acho que deram banho nos mini-indies e, tal qual os hippies acabaram se espalhando rapidamente – viu, descobriram porque os hippies não tomavam banho, era controle de natalidade). Depois da explosão eles mudaram de nome, não eram mais iguais ao Gizmo, mas sim criaturas totalmente deformadas de seu padrão original – viraram amalgamas mal montadas e rebatizadas de emo (esta é uma definição madura sobre, mas a febre emo se explica de uma forma mais bizarra, mas eu perdi o link quando "perdi" o último post).

Como eu cheguei a essa conclusão? Não é maldade, mas existem motivos fúteis e motivos mais sérios que me irritam. Vamos primeiro aos fúteis, que são mais engraçados.

Existem três condições que dizem quando uma pessoa não deve se maquiar:

  1. Se você não sabe, não faça.
    Maquiagem mal feita é a coisa mais hedionda da face da terra. Treine em casa, fique limpando, mexendo com manuais, testando cores, formas e vá evoluindo. Só depois de ter certeza que o resultado está “bem acabado” é que você pode sair desfilar – se você tem mais grana, pague um curso de auto-maquiagem, não é tão caro e vai salvar você de vexames. Não concordam? Oras, falta de noção é foda, ou você acha que usar lápis preto como sombra, Minancora como base e pó e pintar a boca como uma puta (misturado com o mal gosto para se vestir esse crime fica ainda pior);
  2. Hora certa, momento oportuno.
    Isso quer dizer ter um pouco de noção de quando usar o quê. Está certo que alguns visuais ficam legais para chocar e tudo o mais, mas exagerar acaba fazendo merda. Não há porque usar uma maquiagem super pesada durante o dia, a luz acaba fodendo tudo e os excessos acabam agindo contra você. Use um tipo de maquiagem em cada horário, senão você vai ficar parecendo um figurante de algum filme de zumbi da década de 60 ou 70, mas pode ser pior, você pode parecer um vampiro dos filmes de terror dos ANOS OITENTA!!! Não há pior gosto do que este!!!!!!
  3. Tipo de pele.
    Alguns tipos de pele não permitem que você use qualquer base. Não, não é algo discreto e que precisa de um profundo conhecimento cosmético, é algo que você vê na cara. Adolescentes tem espinhas e muito deles tem a pele perfurada por elas (formam até aqueles quelóides); nestas condições é melhor não aplicar base em cima, nem pó, nem nada. Utilize produtos específicos. Se você tem a pele morena, não queira ficar branco ou vice-versa, não dá! Caso contrário você vai ter que maquiar o resto do corpo todo que fica a mostra. Não queira parecer um defunto se você é moreno de nascença ou por conta da piscina do final de semana, assuma sua tropicalidade e componha um visual com isso – não é pintando a cara de branco que você vai ficar mais “bonito”, vai é ficar parecendo o Bozo, caralho!!!

Agora vamos aos motivos mais sérios, estes eu nem vou numerar, vou só discorrer sobre.

Vocês já viram o volume de informação disparada por um único individuo desses ditos “emos” ou seja-lá-que-nome-queiram se dar? Poxa, é uma poluição visual que deixaria pirado qualquer estudante de semiótica. É coisa meiga misturada com trasheira, é colorido com meia arrastão, maquiagem preta e pesada misturada com roupa mais pesada ainda, franjas lambidas, cabelos arrepiados como punks, símbolos que representam a anarquia, símbolos que representam o metal, símbolos que contestam a política, contas que remetem e cabelos coloridos remetem ao anime, etc. Você fica praticamente com dor de cabeça. É uma invasão assustadora aos olhos que deixa qualquer um com a menor sensibilidade estética com os pelos da nuca arrepiados. É legal ousar, mas peraí, é o mesmo da maquiagem. Acho que adolescentes deveriam ir todos para uma ilha e voltarem só quando fossem adultos, talvez uma tatuagem devesse ser feita nos bebês como: “produto seguro até os 12 anos e após os 19, cuidado com o período não compreendido”.

Literatura agora é a outra coisa que pesa!!!! As pessoas não sabem escrever o próprio nome direito e nem uma redação simples mas ficam soltando pelo seu internetês que lêem Admirável Mundo Novo – falam do livro cheio dos seus voxes naum viram k legauuu k foi, o brad pittty tava xuper foufo nu fiume, afeee, o que sacrifica a coerência da informação processada. Realmente, é um livro muito bom, do caralho, amo e está na lista dos livros que mudaram a minha vida. Só que ele sozinho perde a sua essência. Este livro é pra ser lido junto com Júlio Verne e também com o 1984 do George Orwell; é pra ser acompanhado com outras mídias, como a idéia de Metropolis e todo aquele espírito do expressionismo alemão do cinema. Mas sabem o porquê de “Admirável...” estar na lista dos livrinhos mais falados entre a molecadinha que freqüenta a galeria? Por conta da Pitty! Tá, ela tem uma letras legais e tudo o mais, mas porra, não é por conta do “Admirável Chip Novo” que eu vou absorver um conhecimento – não é pra gostar mais da banda e falar “eu sei de onde veio a influência”. Ler é absorver conhecimento e não dar argumentos para você ser melhor do que outra pessoa. Seu gosto musical não vai ser melhor do que o outro por conta de conhecer as influências, apenas a sua percepção das coisas vai ser diferente se você utilizar a informação para processar o mundo ao seu redor. O que ocorre é o contrário, absorve-se o mundo processado e mastigado – a mensagem se perde, a vida se perde e acaba todo mundo caindo no refrão que a própria Pitty fala “nada é orgânico, tudo é programado”. Arghs!!!!

E isso não acontece só com a literatura, vai também acontecer com a música! É de enlouquecer o levante desses monstrinhos. Só rezo para que uma outra moda venha, estou com saudade da “moda clubber”, quando eles só pentelhavam a Galeria Ouro Fino e estavam lacrados em raves!!!! Aliás, os emos são tão sem noção quanto os clubbers, isso me faz acreditar piamente que o problema está de fato nos adolescentes.

Quando meus filhos fizerem 12 anos irão todos fazer intercâmbio, assim estarei a salvo. Preciso concordar com a Turma do Bairro, os adolescentes fazem parte da tropa de elite do mal.

19.2.06

Opa, meu post sumiu!!! Bom, espero que tenha sido um problema do blogger, mas eu vou colocar novamente ele na segunda, afinal, eu sempre tenho os posts salvos no meu PC, porque deixar só na internet é besteira da grande quando você acha que algo é relevante.

Amanhã então, antes de eu ir para o show do U2. Ai, que chato!!!!