16.12.05

O tonto NUNCA foi o companheiro do Zorro, poxa!!

Vamos lá, essa é uma confusão bem velha (e bota velha nisso!!!). A nova novela das sete (blerg) da Rede Globo, a tal Bang-Bang trouxe uma idéia até que engraçadinha: o cantor e ator Sidney Magal interpreta uma paródia do Zorro. Junto com ele, o ator Eliezer Motta (que já fez pérolas como Batista, na Escolinha do Professor Raimundo, e o ajudante do Capitão Bicha, nos programas do Jô Soares) interpreta Tonto.

Legal, uma idéia fantástica, já que Zorro e Tonto eram companheiros na série de TV, mas nos últimos filmes das telas foi levado ao esquecimento – agora só faltava ele montar em seu cavalo, o Silver, e sair cavalgando para o sol poente. Opa. Opa. Perai, até eu to me enganando! Isso é confusão das grandes.

Zorro e Tonto nunca estiveram em uma mesma história, a não ser em qualquer crossover maluco que possa ter surgido por aí, no melhor estilo “Drácula versus Zorro” ou “Superman versus Alien”. Zorro é um personagem solitário, surgido em 1919, em um impresso daquela impressa amarela americana do começo do século XX escrito por Johnston McCulley, e que deu origem a muitos dos heróis de quadrinhos que conhecemos hoje (e de alguns que ainda são lembrados); só pra mencionar alguns deles: Super-Homem, Batman, Fantasma, Mandrake, Flash Gordon e, posteriormente, The Spirit (Eisner ruleeez!!!!). Depois de fazer sucesso em histórias escritas e desenhadas, Zorro foi para o cinema em 1920 com o “The Mark of Zorro”, nome parodiado atualmente para revitalizar o personagem em “The Mask of Zorro”, filme com Antonio Bandeiras, Katerine Zeta Jones, entre outros (esses valem o filme). O nome Zorro quer dizer raposa em espanhol, daí vem a atitude furtiva do herói que lutava, em uma Califórnia dominada pelos espanhóis (ela era parte da Coroa Espanhola, pra quem não sabia, e foi comprada pelos Estados Unidos, assim como o Novo México e outros estados americanos que pertenciam a “outras nações”), contra os nobres e ricos que injustiçavam o povo (qualquer semelhança com Robin Hood é mera influência, afinal, não se plagia nada no mundo - você apenas reconstextualiza as coisas, utilizando fortes influências, duh!).

Devido à febre do mascarado, não demorou muito para ser lançado uma série televisiva baseada na idéia de “justiceiro mascarado no tempo das carroças, cavalos e pistolas”. No início da febre “far west” (abrasileirada para “faroeste”) surgiu o Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, no original), com seu Cavalo chamado Silver e um companheiro índio chamado Tonto. Ah! Agora sim! Mas o tal do Cavaleiro Solitário não vestia preto, mas sim uma roupa branca com detalhes azuis (nos televisores e cinemas p&b nada de cores, apenas branco e cinza) e uma máscara preta cobrindo a face – bem diferente, aliás, do lenço amarrado por Zorro em sua face (a máscara lembrava muito a que The Spirit, escrito pelo gênio Will Eisner, usa).

Então, eram séries diferentes, com personagens diferentes. A única semelhança de fato era o período que elas se passavam, mas só isso, porque o Cavaleiro Solitário ficava lá pelas bandas do oeste americano, enfrentando índios malvados, bandoleiros e toda escória que aquele lugar poderia produzir (pelos padrões americanos, mas pensando bem, o Cavaleiro Solitário poderia ter dado uma sova na família Bush, não?). Agora, o Zorro, ficava lá no seu cantinho da Califórnia, batendo em espanhóis malvados que se aproveitavam do povo.

A confusão aconteceu aqui no Brasil devido à tradução em um dos filmes, que se chamava “Zorro – O Cavaleiro Solitário”. Meleca! A série de TV do Cavaleiro Solitário fez um sucesso danado por conta de algumas jogadas marqueteiras e todo mundo começou a confundir os dois personagens. A mídia da época ajudou muito nisso, mesmo sabido que The Lone Ranger havia se inspirado em El Zorro, já mencionado lá em cima. Com o tempo as coisas foram se confundindo e foi fácil mesclar a imagem do Cavaleiro com o Zorro, já que também este possuía uma série de TV também da mesma época.

Aprenderam, crianças? Cavaleiro Solitário não é sinônimo, apelido ou alcunha do Zorro, é um personagem diferente, beeeeem diferente do nosso tio mascarado e que vive em nossos corações. Tonto nunca esteve com Zorro. Silver não é o nome do cavalo do Zorro, que, na verdade, se chama Tornado (Hurricane no original). O Sargento Garcia nunca esteve do lado de um cara com máscara preta, roupa branca e azul, montado em um cavalo branco e com um índio norte-americano colado nele.


Espero que tenha sido um ótimo apanhado de informação inútil.

Quer saber tudo sobre o Cavaleiro Solitário? Então, se você tem conhecimento em inglês, aproveite: http://en.wikipedia.org/wiki/Lone_Ranger


Se quer saber mais sobre o Zorro, em inglês também, acesse e se divirta aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Zorro

Até

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14.12.05

Ultimamente ando reparando nesses “nuevos medios” internéticos, que nem são tão “nuevos” assim. Blogs, fotologs, livejournals e um tanto de outros serviços que o pessoal usa para expor usa idéias ou seu cotidiano. Em uma instância maior, acabei por observar que as coisas “legais” ou “bonitas” acabam criando um certo desconforto. Quando a popularidade de alguém sobe, por motivo qualquer que seja, existe um movimento contrário de anti-popularidade que se levanta proporcional. Isso não é uma exceção, vi acontecer com amigos, conhecidos e com gente que eu nunca troquei sequer um “A”, mas que, como pude constatar, também tinham um fã-clube contrário, feito de pessoas que não gostavam da imagem absorvida.

Então parei e sentei para levantar motivos que podem fazer com que uma pessoa aja assim:

  1. Inveja
    Esse é o mais simples e comum dos motivos. Não dá pra explicar o que movem essas pessoas a não ser associar a elas esse pecado capital. Invejar é desejar para si o que uma pessoa tem, de forma nociva, depreciando o detentor daquele bem. Você pode invejar qualquer coisa, desde um item material até uma atitude. Como eu sou uma “pessoa culta” (referente ao item 3 deste texto) e quero provar para pessoas superiores que porventura leiam esse texto que não estou falando besteira, vou buscar ajuda no léxico.

    Segundo o Dicionário Hoauiss:


    Datação
    sXIII cf. FichIVPM
    Acepções
    ? substantivo feminino
    1 sentimento em que se misturam o ódio e o desgosto, e que é provocado pela felicidade, prosperidade de outrem
    2 desejo irrefreável de possuir ou gozar, em caráter exclusivo, o que é possuído ou gozado por outrem
    3 Derivação: por extensão de sentido.
    objeto da inveja
    Ex.: os jovens liberados de preconceitos são a i. da velha geração
    Não tem jeito, a inveja ainda move essa massa toda de gente enchendo o saco e querendo danificar o que a outra pessoa conseguiu. Talvez a inveja seja somada a um sentimento de frustração (será que preciso colocar o significado disso também?) que vai desencadear ataques e um tanto de idiotices gerados. Não contente em apenas reclamar, algumas pessoas tem idéias “super legais” de floodar os serviços, tira-los do ar ou pedir a ajuda para aquele amigo lammer para que ele possa “dar um jeitinho” no objeto de desejo/ódio.

    O que mais frustra estas pessoas é que, por mais que elas façam e desfaçam, a maioria dos atacados não se move ou comove com as intervenções efetuadas, aumentando assim a ira daquele que deseja o bem de outrem.

  2. “Ícone de Contracultura” ou “Síndrome do Anti-Pop”
    Já provaram por A + B que contracultura também gerar popularidade e o que é mais “legal” do que ser “do contra”? Hoje em dia isso nem tem tanta importância, mas nos anos 80 ser “do contra” era lindo, você podia ter qualquer idéia, mas ela tinha que ser contrária ao sistema de regras vigente para você ser “cool”. Como “torcer o nariz” dá um certo ar de superioridade, algumas pessoas desprovidas de segurança de ego fazem questão de usar como justificativa para seu desvio de personalidade.

    Pessoas que estão nesse grupo tendem a não gostar da moda de jeito algum e de dizer que a “moda fede” e coisas do tipo. Muitos adolescentes estão nesse grupo, afinal, é uma boa maneira de se mostrar diferente do mundo e superior a todo o resto quando se demonstra para a maioria que despreza que não faz parte dela devido a sua cruzada contra os “ídolos pop” ou elementos que julgam “populares” dentro de sua realidade.

  3. Falso intelectualismo
    Creio que esse seja bem semelhante a soberba, pois o individuo que mantém essa postura precisa provar para o mundo a sua inteligência e superioridade. Movido praticamente pelo mesmo motivo que o item anterior, o falso intelectual acaba sendo o mais chato de todos. Para justificar alguma defasagem em sua personalidade ele acaba por nutrir um orgulho estúpido e cego que faz com que o seu conhecimento o eleve a uma posição superior a todas as outras pessoas. O falso intelectual então começa a sua cruzada, tentando expurgar, tal como um cavaleiro medieval, todas as “formas de pensamento inferiores” de sua frente, iluminando os caminhos e dando uma existência mais plena de sentido. Essa idéia é um tanto quanto exagerada em um primeiro momento, mas só de parar alguns minutos já me veio a cabeça imagens de “falsos intelectuais”, que agem praticamente como fanáticos religiosos querem provar que o mundo está errado e que só sua visão salva.

Algumas coisas que não fazem sentido, para mim, é porque as pessoas não assumem que estão sentindo falta de algo e apenas vivem. Esse desejo por danificar o que o outro faz é incrivelmente humano, porém, desprezível. Deveríamos todos tentar lutar contra esse tipo de sentimento, pois a liberdade de se expressar não define que possamos ou devamos atacar com pedradas aquilo que não gostamos. E não estou falando de assuntos delicados como a ideologia religiosa, a sexualidade ou instituições políticas, apenas estou mencionando aqui coisas simples, como idéias pessoais, fotos do cotidiano e afins.

Quanto mais nos cegamos por nosso próprio ego (porque esses três motivos são gerados para alimentar o nosso desejo de compensar algo que nos falta), mais problemas causamos a nós mesmos e a sociedade que nos circunda.

Ao invés de ficarem pensando em como foder com seu vizinho, tentem melhorar a qualidade de todos que lhe rodeiam. Garanto que se toda essa força para fazer estragos fosse utilizada para construir coisas legais, o mundo seria um lugar bem melhor – senão todo ele, pelo menos a sua casa.

Antes de pensar em limpar o umbigo alheio, certifique-se que o seu está bem limpinho e, lembre-se, a sujeira, sua localização e sua quantidade estão dependentes do ponto de vista do observador.

Bom, fica aqui minha constatação, mas é só minha opinião, não é um dogma e nem mesmo uma regra, apenas o que observo (aliás, se tiverem outras idéias sobre, vamos compartilhar).