Nesses últimos dias baixou a pomba gira do anti-racismo em mim, na verdade, baixou a indignação do anti-tudo, já que minha revolta é uma revolta solitária e por mais que esbraveje ninguém vai ver as mudanças nascendo de mim.
Porém, se eu ainda sou livre para expressar o que eu penso, vou falar, mesmo que seja lido por meia dúzia de pessoas que pensa um pouquinho e prefere largar os “fofismos” de lado para pensar sobre a realidade que as cerca.
Voltando ao assunto principal, porque prelúdios e interlúdios cansam, fico cada dia mais besta com esta história de racismo.
Outro dia passei pela banca de revistas e vi um exemplar da revista Raça, que, aliás, tem um site bem interessante que mostra o teor de seu conteúdo. Sempre achei muito legal a idéia de se fechar em nichos específicos do mercado, principalmente, os nichos “raciais”. Você pode vender muito mais coisa quando faz uma revista para um biótipo, sexo, grupo sexual, idade e afins, tal como acontece com a Capricho com seu público adolescente feminino e também com a Playboy com seu público de heteros que adoram “informação interessante” e juram que compram a revista “por causa das matérias” (Ah, tá! E todo político é honesto e cumpre as suas promessas de campanha).
Bom, só que eu parei para pensar em um universo paralelo. E se essa revista se chamasse Raça, sem por e nem tirar, mas ao invés de ter se focado no público afro-descendente (este é nome politicamente correto do que alguns chamavam de “etnia negra” ou “nação africana”) fosse focado na colônia alemã ou finlandesa? Eu tenho certeza que teriam milhares de protestos e uma gritaria danada, mesmo que o assunto fosse o mesmo e ressaltasse a cultura dos dois países, falando sobre fatos históricos e mantivesse o pessoal dessas colônias mais unidos.
E se a revista falasse sobre todos os Europeus? Algo como Raça Européia poderia ser um bom título, para vender para o público gigantesco de imigrantes vindos da Europa para o Brasil no inicio do século XX.
Seria um caos e geraria uma polêmica desmedida, tenho certeza.
O mesmo acontece com outras coisas no dia a dia! Outro dia eu passei por algo que me deixou PUTO da vida: desci do ônibus, aqui na Praça Ramos, para ir ao trabalho, no Centro de São Paulo, e fui comprar um Gatorade e uns pães de queijo para fazer meu café da manhã. O atendente da lanchonete vira, com uma intimidade não dispensada a ele, e fala:
- E aí, Alemão, o que vai ser pra hoje?
Parei e fiquei olhando pra ele, com uma tempestade em minha cabeça que variava entre indignação e raiva. Engoli o que queria falar e fiz o meu pedido.
Eu, por minha vez, pergunto aqui se fosse o contrário. Se eu fosse de etnia negra, o que o cara iria falar? “E aí, Negão, o que vai ser pra hoje?”. Se falasse isso não iria passar batido, seria preconceito! Seria racismo!
Não dei permissão para intimidades e não sou descendente de alemão, aliás, de alemão eu não tenho é nada, não sei nem falar “bom dia” ou “oi” no idioma! As únicas coisas alemãs que eu gosto estão relacionadas a música (Ramstein, Kraftverk, Funker Vogt e Wumpscut são bons exemplos – e eu nem sei se eu escrevi certo, porque tem tanto trema que eu nem sei onde coloco, mas também é pra atestar a minha não "alemolidade") e à cerveja que é boa pra caralho!
Nesse meu caso não fui ofendido? A pessoa não praticou racismo? Não invadiu meu espaço? E se a ele tivesse usado outros apelidos carinhosos que essa galera costuma usar, tais como “Branca de Neve”, “leite condensado”, “sulfite”, “branquelo” e afins? Tem mais ainda, porque ele poderia ter feito piadinhas do tipo:
Eu, usando camisa branca e uma estampa no meio, ando pela rua, a pessoa me solta:
- E aí, Alemão, bonita tatuagem!
Ou ainda:
Eu, pela rua, de bermudas:
- Opa, Branca de Neve, o que é isso? Quebrou as pernas? Ou tirou o gesso?
Sim, é engraçado, mas não está fazendo piada com a minha compleição física? Sim, está! E por que não é crime? Aí que está, É O MESMO CRIME, mas as pessoas acham que não!
Escreva em sua camiseta “100% Negro” e você estará fazendo um protesto contra o racismo e mostrando seu orgulho com relação a sua origem. Agora, escreva em sua camiseta “100% Branco” e você estará sendo racista, white power, white pride, neonazista, facista ou qualquer outra coisa que o valha, pois você não pode expressar sua opinião, mesmo que essa não seja preconceituosa de verdade.
Racismo significa, segundo o Houaiss:
racismo
? substantivo masculino
- conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças, entre as etnias
- doutrina ou sistema político fundado sobre o direito de uma raça (considerada pura e superior) de dominar outras
- preconceito extremado contra indivíduos pertencentes a uma raça ou etnia diferente, ger. considerada inferior
- Derivação: por analogia.
atitude de hostilidade em relação a determinada categoria de pessoas
Ex.: r. xenófob
Preconceito também tem uma acepção BEM diferente do que as pessoas estão acostumada e, segundo o mesmo Houaiss:
Preconceito
? substantivo masculino
- qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico
- idéia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão
- atitude, sentimento ou parecer insensato, esp. de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância
Obs.: cf. estereótipo ('padrão fixo', 'idéia ou convicção')
Ex.: <p. contra um grupo religioso, nacional ou racial> <p. racial> - conjunto de tais atitudes
Ex.: combater o p. - Rubrica: psicanálise.
qualquer atitude étnica que preencha uma função irracional específica, para seu portador
Ex.: p. alimentados pelo inconsciente individual
Só que tem mais, a acepção legal ainda é outra, mas não vou soltar meu advogadês por aqui, mas seria bem legal vocês verem o Código Civil ou em literatura específica sobre o tema, assim ninguém faz merda ou fala merda. Sobre o crime de racismo e preconceito, achei uma matéria bem interessante que vai esclarecer a cabeça de vocês (e acho que isso deveria ser tema de palestras em escolas).
Agora, vocês podem falar ou pensar que estou pregando algum ideal neo-nazista e afins, mas não estou. Não há propaganda alguma nesses meus textos, apenas uma indignação pela incapacidade do ser humano em compreender conceitos básicos, tal como o racismo, preconceito e discriminação.
Isso me deixa muito p* da vida, porque o povo repete feito papagaio um monte de besteira sem saber o que estão falando, defendem ideais sem saber do que se tratam e só o fazem porque acham bonito – é bonito ser engajado, é lindo agir de forma politicamente correta e é maravilhoso defender os injustiçados! Só que a merda é que só é bonita a imagem, a maioria acha bonitinho políticos beijando criancinhas ramelentas e se achar o libertador das injustiças.
Os políticos adoram falar que defendem as minorias, seja ela a galera GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros) ou os negros, como se estivessem libertando alguém de alguma coisa. Os gays se libertaram sozinhos e os negros foram libertados lá em 1888, sofreram durante um século para conseguirem se misturar a sociedade brasileira que é uma salada de fruta de etnias - hoje somos uma nação misturada, de gente com diversas raizes e tinhamos, isso sim, é que ter orgulho de sermos brasileiros, mas no fundo, a gente nem sabe o que é isso significa também!!!
Só que ninguém vê os fatos e é muito mais bonito falar “que butitinho” para uma ação babaca e racista de um político que defende interesses pessoais, porque ser a favor de cotas para negros em faculdades públicas não faz você perder voto algum, mas ser contra abre precedente para que chamem você de racista e seus votos vão voando pela janela.
Demagogia me dá nojo!