14.7.06

A moda é: Orkutcídio!!!!

Agora a moda é largar do Orkut! Há exatamente um ano atrás a moda era entrar, agora todo mundo corre, deleta os seus profiles e se arrepende até o último fio de cabelo de ter feito algumas coisas na rede.

Algumas pessoas chamam o Orkut de “brecha para invasões em sua privacidade”, outros falam que “ele deprime” e alguns chegam até a afirmar que o site de relacionamentos “destruiu seu relacionamento com a namorada”.

O Orkut virou o anti-cristo e é a culpa de todos os problemas das pessoas? Não! Ele não é o vilão.

O site de relacionamentos é uma ferramenta fantástica, porém, as pessoas não sabem como utilizá-lo ou como dispor seus dados online, também não sabem o que significa “relacionar-se usando a Internet” e a culpa de tudo não é do site do Google, mas sim das pessoas que fazem parte dele.

Assim aconteceu com muita gente que freqüentava os bate-papos do UOL ou do Terra, pessoas que usaram o IRC, ICQ, sites pessoais, blogs e, mais recentemente, fotologs.

Expor a sua vida na Internet quando é feito da maneira que a grande massa o faz sempre gera problemas! Eu já tive os meus, mas foram quando eu comecei a usar as BBS e a Internet, lá nos idos de 96 e 97 – e foram todos problemas engraçados, desde e-mails mal interpretados até gente doente querendo se enfiar na sua vida, apaixonada por uma imagem que faziam de mim ou usando de má fé informações pessoais que eu divulgava (sem contar alguns problemas de namoro de adolescente também que eu me lembro bem).

Só que eu não botei a culpa na Internet, nem nos e-mails, nem nos blogs e nem em nada além de mim mesmo. O culpado por tudo era eu e mais ninguém, que não sabia utilizar uma ferramenta ou não havia sido educado para entender o que era a Internet e que a informação colocada lá seria visto por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, aliás, essa pessoa poderia fazer o uso da informação do jeito que desejasse – e vale lembrar que existe MUITA gente mal intencionada no mundo (só a minha volta eu conheço um bocado, imagina no resto da circunferência terrestre?!).

Não adianta nada você sair do Orkut, tirar o seu profile do ar e dizer por aí “nunca mais entro nessa merda”, o problema também irá acontecer com o seu MySpace, com o seu blog, fotolog ou seja lá o que for que mantenha com informações pessoais na Internet.

O que as pessoas tem que ter em mente quando entra no Orkut é uma lista de características que qualquer página na Web tem e também uma lista de precauções que você deve tomar. Não adianta “se matar” na Internet, ela é essencial para muita coisa em sua vida e pode ser uma ferramenta maravilhosa se usada corretamente, caso contrário, será sim um baita problema em sua vida.

Dados pessoais na rede

Evite colocar dados pessoais na Internet que possam gerar problemas. Se você não tem um telefone comercial não divulgue tal informação. Em sites publicos nunca coloque informações que possam dizer onde você frequenta constantemente, nome de familiares, local onde você estuda, informações sobre suas finanças, detalhes sobre o seu cotidiano (nome de seu namorado ou namorada, detalhar problemas familiares, falar quando você viaja, para onde viaja e quando volta, etc) e dados profissionais muito profundos (todas as pessoas não precisam saber se você entra as 9h no trabalho e sai às 19h15 e almoça no Shopping Paulista).

Essas informações podem ser utilizadas de má fé por pessoas que queiram desde aplicar-lhe um golpe até se aproximar para uma amizade. Só que a chance de alguém tentar lhe sacanear é grande.

Mantenha apenas um endereço de e-mail pessoal e, caso seja de seu interesse, comece a trocar e-mails com a pessoa aos poucos. Seja cauteloso, converse bastante antes de passar-lhe seu telefone, se possível, marque um encontro em um lugar público um dia antes de lhe passar dados mais sigilosos. Quem sabe você não encontra pessoas legais pela Internet, mas não permita que pessoas desonestas tenham acesso a informação que não lhes seria dada de mão beijada se você não fosse cauteloso.

IMPORTANTE: Quando você disponibiliza suas informações na Internet pense bem ao fazê-lo e saiba que você deve arcar com as conseqüências. Pese bem o que quer que as pessoas saibam de você e o que você não quer, para só depois colocar em uma página web – lembre-se sempre que a informação estará lá para todos (ao menos que você crie páginas “secretas” só para amigos ou pessoas que possuam senhas para acesso, mas mesmo assim, cautela é palavra de ordem).

Nem todas as pessoas na Internet são seus amigos

Um dos mandamentos mais importantes para a vida de alguém que quer usar a Internet. As pessoas na Internet não são seus amigos, pelo menos não todos, como também nem todo mundo que convive com você é seu amigo também.

As pessoas pela rede tendem a tratar os outros com uma superficialidade imensa e os sorrisos virtuais, palavras soltas por e-mail ou juras de amor/afeto ficam mais fáceis.

Muita gente pode estar adorando a conversa que está tendo contigo pela Internet, mas a maioria não está nem aí: você é mais um amontoado de letrinhas piscando na tela e será tratado como uma representação de escape para o individuo do outro lado.

Você pode até encontrar gente legal e usar a Internet para se comunicar com seu namorado, com seu melhor amigo e até se aproximar de algumas pessoas realmente legais, mas coloque na cabeça que a maioria das pessoas está lá a toa e que você não passa de mais um – elas querem algo de você, mas não necessariamente um relacionamento de verdade.

Pode parecer frieza, mas na verdade é cautela. Não abra brechas pra todo mundo que elogia um texto seu, uma foto sua ou que parece se preocupar com a sua depressão que não passa, porque a pessoa não convive com você. Algumas palavras de apoio nem sempre querem dizer preocupação de verdade COM VOCÊ, mas sim com a sua situação, atenha-se a quem realmente lhe é caro e não corra atrás do pote de ouro, pois a Internet é um imenso arco-íris SEM fim e você nunca vai encontrar essa solução mágica para seus problemas!

Tenha isso em mente e, mesmo que pareça frio ou paranóico, é uma boa maneira de evitar que você saia correndo do Orkut porque as pessoas de lá “não são reais”.

Não acredite em tudo o que lê

Outra coisa muito importante na Internet. Quando você recebe e-mails, scraps, mensagens por programas de mensagem ou qualquer outro meio virtual, não acredite de primeira.

A informação pode ser jornalística ou um convite para você ir atualizar o seu cadastro bancário. Não confie se o endereço não é confiável, pois você pode estar sendo sacaneado!

Nunca acredite em sites que se dizem parceiros de um outro maior e confiável para usar essa ligação para que você use serviços complementares. Não acredite em plugins para programas de mensagens, para navegadores ou até mesmo para o seu Orkut.

Você pode estar pensando: “Como diabos eu descubro a diferença dos confiáveis e dos não confiáveis”. Fácil e simples: se não estiver publicado no site OFICIAL do programa ou do serviço de Internet, não confie.

Um exemplo de serviço agregado confiável é o uso do Flickr.com para postar fotos em seu blog hospedado no Blogspot.com. São serviços amarrados e você encontra informações DENTRO do site do Blogspot explicando que você pode utilizar o Flickr e confiar nele!

Para dar um exemplo de sacanagem basta eu mencionar o tal do Meu Orkut. O site dava várias ferramentas para você, como a possibilidade de mandar scraps para todos os seus amigos, mas pedia para que você colocasse lá o seu nome de usuário e senha. Só que no site do Google não havia lugar algum falando sobre isso.Ele não era um serviço isolado, existiam dezenas de similares em vários idiomas que faziam o mesmo. O que eles faziam na verdade era pegar o seu usuário e guardar a sua senha, para dar golpes posteriormente, roubando sua conta e replicando um virus que roubava senhas do computador – foi aquela febre de “vírus do Orkut”, quando na verdade o problema foi gerado pela falta de cuidado dos usuários com suas senhas.

Tome cuidado, ser crédulo demais sempre dá merda. Então, a palavra de ordem sempre é cautela!

O Orkut é do bem, mas se você usá-lo para isso

Ele é um serviço fantástico que se as pessoas usassem pensando nele como um enorme catálogo de relacionamentos interpessoais e não de busca de alguém para dar uma trepada as coisas seriam mais divertidas. Encontrei pessoas que não via a muito tempo através do Orkut e gostei muito de fazer testemonials, mandar scraps, saber o que elas andam fazendo da vida e manter um contato, mesmo que mínimo, com elas.

O serviço possibilita que você crie um circulo de convívio e relacionamento super legal, onde você descobre que aquele seu amigo de colégio está namorando com aquela sua vizinha de quando você namorava no interior e pode ver os dois de uma vez só! Você também pode descobrir que um grande amigo seu de infância e, posteriormente, de baladas está namorando com uma ex-namorada sua e pode evitar problemas sérios quando causar uma gafe do tipo “Poxa, vocês dois?! Juntos? Que estranho!!”, além de evitar comentários tendenciosos antes de saber do acontecido dando conselhos para uma das partes sem saber qual é a outra envolvida (pode parecer parcialidade, mas isso evita problemas e situações desagradáveis).

Além disso você pode usar a ferramenta para discutir assuntos legais, participar de fóruns interessantes (no Orkut são as comunidades) e até encontrar pessoas que gostam daquele filme independente ganense de um diretor croata indicado para um prêmio em Montreal que você tanto gosta!

Se você recebe ofensas anônimas, montam profiles falsos de você (os bogus) ou tem gente que te persegue pela Internet (os famosos stalkers), calma, isso pode ser evitado tomando providências e tendo cautela na divulgação de informação potencialmente prejudicial. Quando isso acontece apenas reporte ao Orkut que estão realizando ações abusivas, eles tomam providências sempre quando a informação realmente procede.

O mundo está cheio de otários, cheio de gente que vai te torrar o saco e pela Internet não será diferente, a diferença é que ao invés de apenas as pessoas que você conhece na sua faculdade ou bairro te encherem o saco você vai deixar que um neozelandês punheteiro também o faça!

O Orkut é do bem, o problema é que as pessoas tendem a usar qualquer coisas para fazer sacanagem e ganhar vantagem sobre pessoas inocentes e despreparadas.

Não cometa um orkutcídio, aprenda a usar a Internet e amplie seus horizontes, mas lembre-se que visitar salas de bate-papo querendo uma trepadinha rápida as 4h da manhã de uma terça não é algo realmente útil para a sua vida (se quiser fazer isso, vá a uma boate, as chances são melhores e você ainda pode ter uma ajudinha do álcool para encarar a fera – umas tequilas sempre ajudam, em uma escala de 1 a 20 de acordo com a monstruosidade da vítima!).

5.7.06

A política das religiões

Cada uma acredita no que quiser, afinal, religião ou igreja pra mim é sinônimo de entidade política. Acreditar em uma série de costumes, mitologias ou ideologias é apenas o que trouxe a humanidade a seu estado atual, não haveria progresso sem a fé – seja ela em entidades místicas, etéreas ou no próprio homem.

Daí a gente é bombardeado por pérolas na mídia que merecem, com todo o meu carinho e atenção, a dedicação de tempo para entender o que leva o ser humano a ser escapista dessa forma.

Li no Jornal hoje sobre processos civis contra entidades religiosas e achei engraçado como as pessoas cobram soluções mágicas da religião. O apelo do ser humano para o divino sempre existiu, mas é o cumulo entregar sua vida inteira para algo etéreo – é aí que a fé se explica e onde a humanidade se complica.

Coisas como “vender todos os bens e entregar para a Igreja” ou “fazer sacrifícios pessoais” são atitudes comuns entre as pessoas desesperadas ou crentes demais, tudo para poder obter algo em troca, alguma graça ou reconhecimento. No final ninguém faz nada pela fé, mas sim por um benefício desejado. Não se acredita no melhor para o homem e não se acredita que se deve fazer o certo porque é apenas certo, mas sim porque vai lhe garantir um lugar no céu ou vai te curar do câncer.

Ninguém faz nada apenas porque que acredita no melhor, mas sim porque quer obter algo em troca – e se for rápido ou imediato, melhor ainda!

Daí aparecem os espertalhões que vêem uma ótima chance para se aproveitar do desesperado dos “fiéis” e fazem nascer suas Igrejas, templos ou seitas. Aparecem novos santos, novos salvadores e novos iluminados, tudo apoiado no desespero da maioria, que ao invés de pensar em uma forma de melhorar as coisas entrega tudo na mão de Deus (ou qualquer outro nome que o valha) e de uma minoria que o representa – nascem os podres sacro-políticos, onde manda quem é enviado por entidades superiores acima do entendimento do mero mortal.

Só que uma hora as pessoas acordam e resolvem processar a Igreja porque eles não cumpriram suas promessas! Super legal, acho muito válido, mas afinal, qual é a promessa que não foi cumprida? Não posso alegar falta de fé para defender o meu culto? Não posso falar que o fiel não acreditou o suficiente e por isso Snorkel, o Deus dos Mergulhadores, não fez a sua mulher voltar a amá-lo ou sua empresa de mergulho turístico nas ruínas de Atlantis ir para a frente? Sim, eu posso, porém, não posso negar que eu pedi para você me dar toda a sua grana para construir um templo e não lhe garanti de forma física que aconteceria algo. Ah, e não, você não tem problemas espirituais, o que você tem é ingenuidade inerente ao ser humano e eu sou mais espertinho que você – falo que sou um iluminado e que Snorkel, O Condutor, escreve certo por linhas tortas e te encho de aforismos estúpidos para que você fique pensando que realmente ele te ajudou!

Santa estupidez, oh, Snorkel! O pior de tudo é que as pessoas agem assim mesmo e vão acreditar, mas vão adorar receber a indenização em dinheiro para que os lucros recebidos sejam solidificados por vez.

E nesse intermédio eu vou culpando pelas merdas do mundo o Orkut, a Internet, a televisão, as novelas, o cinema, a pelada (não, não é a Mariana do Big Brother), o futebol (só porque o Brasil perdeu, se ganha-se não estava na lista), os livros, a razão, o Faustão, a Belíssima (só por essa semana), o Lula, o Alquiminho, a Coréia do Norte e o que venha mais (eu tenho certeza que o top dessa lista ainda é o RPG, mas não é in falar mal do jogo, droga!).

A matéria que gerou isso tudo está presente na Folha de São Paulo e tem como título “Ex-fiéis vão à Justiça pedir indenização de igrejas”, vou colocar ela na íntegra abaixo:

Ações cobram recompensas por promessas que não foram cumpridas

Pastor disse que, se tivesse fé, homem não cairia do telhado do templo que consertaria; caiu e sofreu politraumatismo

JOÃO CARLOS MAGALHÃES
MATHEUS PICHONELLI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Eles depositaram fé e recursos em quem lhes prometeu dias melhores. Até que, cansados de esperar a providência divina, resolveram pedir o seu dinheiro de volta. São ex-fiéis desapontados que cobram na Justiça indenizações por danos morais e materiais.

Nas estantes de fóruns e do Tribunal de Justiça de São Paulo, casos de pessoas que investiram dinheiro em promessas (desde a celebração de um casamento até o enriquecimento imediato) esperam agora da lei dos homens uma sentença.

As histórias de Maria e de Carlos, ex-freqüentadores da Igreja Universal do Reino de Deus, ilustram essa situação. Eles reclamam na Justiça terem vendido bens, como apartamentos e carros, em troca de prosperidade financeira que não foi alcançada.

Já um católico cobra a devolução de R$ 1.500 pagos para o casamento. Ele pediu o cancelamento dizendo que o padre interferia nos preparativos. O pároco se negou a devolver o dinheiro, e o caso foi à Justiça.

"Quis dias melhores e tudo que me deram foi porrada", conta o padeiro desempregado José Leite. Ele diz ter participado de sessão de descarrego na Universal, na qual o auxiliar do pastor, ao tentar exorcizá-lo, bateu sua cabeça no banco.

Ele quer R$ 5.000 por danos. O pedido foi considerado procedente, mas a igreja apelou. Já Nelson ouviu do pastor que, se tivesse fé, não cairia do telhado que consertaria no templo da Universal. Caiu, teve politraumatismo e requereu R$ 356.200 de indenização. O pedido foi julgado procedente.

"É muito difícil provar que o fiel é ingênuo e foi induzido. Fé não pode ser mensurada", diz Adriano Ferriani, professor da PUC-SP e especialista em responsabilidade civil.

JOÃO CARLOS MAGALHÃES e MATHEUS PICHONELLI participaram do 41º Programa de Treinamento em Jornalismo Diário da Folha , que foi patrocinado pela Philip Morris Brasil
NA INTERNET - Leia a íntegra de entrevistas e mais casos em www.folha.com.br/061715


Ah, também é preciso colocar aqui a matéria “resposta” que veio na seqüência dessa, que vale a pena:

Advogada nega fatos e acusa fiel de traição

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A advogada da Igreja Universal do Reino de Deus Adriana Guimarães afirma que todos os argumentos levantados nos tribunais por antigos fiéis são mentirosos. Segundo ela, os pedidos de indenizações possuem valores altos porque muitos vêem a Universal como uma entidade rica e tentam obter vantagens financeiras.

"Essa Maria freqüentou a igreja durante quase dez anos. Como alguém pode ter sido enganada tanto tempo?", diz a advogada. "É meio que uma traição."

Quanto a José Bezerra, ela diz que se trata de "um oportunista". "Nós provamos na Justiça que a lesão dele era antiga. O juiz julgou com preconceito, como a maioria das pessoas faz com a Universal."

Evangélica, Adriana faz parte de um corpo jurídico formado por 14 advogados da Universal em São Paulo. Ela acredita que os ex-fiéis "têm problemas espirituais".

A Folha relatou o caso do casamento não realizado à assessoria da Cúria de São Paulo, que não telefonou de volta até a conclusão desta edição.

A reportagem enviou e-mails à CNBB, pedindo esclarecimento sobre uma ação por uso indevido de imagem, mas também não obteve resposta.

Para o advogado da Congregação Cristã no Brasil Paulo Sanches Campoi, a liberdade de organização e doutrina das igrejas não pode ser analisada por uma lei humana.

6.6.06

Quer receber bem? Então trabalha bem!!!!

Arrumar pêlo em ovo é super legal, né? Quando a gente trabalha a gente recebe pelo trabalho feito, isso é pagamento justo. Se te pagam para você entregar jornal em uma quadra inteirinha e combinam com você que o dinheiro a ser pago é R$ 5,00 está tudo certo – você entrega os jornais e pega o seu dinheiro, fica tudo certo, porque você efetuou o combinado. Se no jornal tinha uma promoção para enviar um cupom e combinam com você que irá ser pago R$ 0,10 por cupom enviado ao jornal e você recebe esse dinheiro então foi cumprido o combinado. Agora, se você não cria incentivo para que os cupons sejam enviados e nem tenta atingir as pessoas certas que enviarão os cupons, o problema não é de quem te paga, pois eles deram a liberdade para você arrumar as formas para fazê-lo, foi você que não teve a capacidade para tal.

Agora, ficar chorando as pitangas, falando meleca e agindo feito menininha de quinta série é besta demais, né?

O combinado nunca é caro, desde que a parte que se propôs a fazer o trabalho fizer exatamente o que foi combinado, porque receber a grana e não efetuar a encomenda é super fácil.

18.5.06

O protesto sobre a morte da bezerra

Acho muito tocante as pessoas se importarem com os “direitos dos animais” e também com a crueldade dos caçadores de pele, afinal, coitada das focas do Ártico que sofrem com a extração de sua pele somente. Coitadas também das vaquinhas, que ao invés de pastarem livres por aí em um tipo de idolatria sacra, como ocorre na Índia, viram bifes e vão pro prato.

Tudo bem, vou parar com ironias. Falando sério mesmo, eu acho um absurdo sim quando matam animais para alimentar o comércio de peles e não usam o resto todo, não se aproveita mais nada e as carcaças são deixadas lá apodrecendo ao ar livre, tal como fizeram e fazem com os elefantes na África e com um tanto de outros animais. Também respeito a opção dos vegans e outras variantes de vegetarianos que decidiram parar de comer carne ou derivados por um motivo qualquer, afinal, é livre ao ser humano decidir o que quer fazer.

Acho muito válidos os protestos feitos por essas pessoas, afinal, alguém tem que se preocupar com alguns problemas que a maioria nem liga, senão muita porcaria acontecesse, mas porque diabos eles gastam a vida lutando para que as vaquinhas não morram e não movem um dedinho sequer para protestar para algo que realmente valha a pena? Por que não protestam pela educação? Se essa galera que não come carne acha que realmente está errado comer carne e maltratar os bichinhos, então porque não possibilitam que outras pessoas o saibam também? Não, não adianta educar falando sobre o consumo de carne ou vegetais, mas sim educar para que as pessoas possam pensar e chegar a sua próprias conclusões!

É super bonito fechar o trânsito e arrumar abaixo-assinado para acabar com a farra do boi, não é? Também é super legal fazer com que os rodeios parem, afinal, eu não gostaria de um maluco sentado nas minhas costas e socando a espora na minha anca. Só que eu poderia estar arrumando assinaturas para coisas relevantes, coisas que realmente fizessem as pessoas se transformarem em cidadãos pensantes.

Direciono isso para os vegetarianos e “revoltados de grama1”: se vocês acham que seu ponto de vista está tão certo e que as pessoas não são tão esclarecidas quanto vocês, então porque não levar conhecimento para a população? Se ser inteligente é não comer carne e lutar pelo direito dos animais ou pela ecologia, então vai ser natural que todo mundo se importe com isso também, não é mesmo!

Sei que muitos dos defensores dessas “futilidades” vão dizer que o ser humano “não presta” e usar argumentos derivados a visão apocalíptica e semi-darwiniana do auto-extermínio, que o ser humano não merece consideração, que ele é cruel por natureza e outro monte de coisas que sacam das mangas para justificar uma frustração ideológica. Não adianta utilizar essa fórmula, pelo menos não contra mim, pois eu acredito em tudo o que falam sobre o ser humano, mas acredito que as pessoas só são cruéis porque lhes é permitido fazê-lo e a grande maioria o é por conta da ignorância.

Não estou ironizando aqui, estou falando sério. Quando criamos pessoas com consciência podemos exigir delas postura quanto a assuntos de menor relevância? Tá, não quis dizer que são frivolidades os direitos dos animais e nem quero ouvir aquele discurso todo que eu já conheço sobre a igualdade dos animais, que eles também tem direito a nosso planeta e toda aquela retórica ecológica, acredito em muito dela, mas acho que o ser humano deveria ser educado em primeiro lugar para que soubesse seu papel no mundo e na sociedade.

Não adianta você criar um monte de preenchedores de formulários e de gabaritos, não adianta fazer com as pessoas apenas aprendam a escrever e não adianta também utilizar os métodos dos políticos que é o de fazer “propaganda” sem que o outro lado esteja pronto a receber ou processar qualquer tipo de mensagem. É necessário que sejam criados agentes da transformação e que as pessoas possam por si só acordarem para o que é certo ou errado, mas para isso é necessário que elas tenham meios para fazer essa análise.

Acredito que protestar contra o consumo de carne, exigir que o alimento orgânico seja prioridade, para que os transgênicos sejam retirados de nossas plantações, que parem de matar o papagaio do rabo rosa ou mico-leão-anão-de-bolsa-bege é perda de tempo. É o mesmo que fazer um protesto pela paz.

Não adianta mostrar a comoção popular para um assunto quando os assuntos realmente relevantes e que poderiam criar mais pessoas contestadoras não são tratados com seriedade. Reforço que acho super legal a movimentação para esses “protestos”, mas acredito que a preocupação deveria ser com o processo de educação e o acesso a informação igualitária.

Nosso país é formado por analfabetos funcionais que não conseguem discernir sobre certo e errado quando lêem um texto, não conseguem compreender os abusos de um governo que exigem mais deveres do que dá benefícios. Além disso, a população desconhece os seus direitos básicos, desconhece a Constituição e o Código Civil, não sabe o que lhe é garantido pelos Direitos Humanos e também não consegue entender o que está escrito em qualquer um desses documentos. Nossos cidadãos não sabem nada disso e duvido que a maioria das pessoas que estão lendo este texto também o saibam. Pensem e citem sem consulta apenas um direito garantido a vocês pela Constituição ou, melhor ainda, qualquer um dos direitos que está lá no estatuto dos Direitos Humanos.

Como você pode exigir que alguém então respeite o Direito dos Animais se não conhece os Direitos Humanos? Como você quer pedir por paz se as pessoas não sabem o que isso significa?

É preciso criar cidadãos, pessoas que saibam em que contexto estão inclusas. Também é necessário educar para que essas pessoas tenham sim direitos iguais a todo mundo: direito a informação, ao ensino e a inserção na sociedade.

Depois da educação, você pode então lutar por uma distribuição igualitária de renda, pela melhoria na saúde, pelos animais, pela não poluição das nossas reservas de água potável, pela preservação das espécies nativas, pela eliminação de atos cruéis contra os seres humanos E contra animais, pela geração de emprego em Itapopoca do Sul2 e por aí vai.

Quando você cria pessoas que tenham poder de questionar a sociedade e o seu papel no mundo, você cria pessoas que possam melhorar quaisquer dos assuntos discutidos em diversas mesas de bares pelo Brasil afora, sem contar que você leva as discussões para fora das mesas de bares e consegue que elas entrem nos palcos de ação, onde deviam estar inseridas desde o início para que as mudanças ocorressem de fato.

Pense sobre o assunto e veja que é muito fofinho pensar em você salvando um coelhinho felpudo de virar chapéu no inverno, mas pense que quando você cria pessoas que pensem terá mais gente se preocupando com o mesmo coelho e que pensar bonito não muda a nossa realidade.

Também tenha em mente que o governo não vai fazer nada para mudar essa realidade, pois quanto mais pessoas sem poder de raciocínio, mais gado para manipular para que os interesses do Estado sejam defendidos, ou melhor, para que os interessas da minoria que o Estado representa – as pessoas que tem dinheiro. Quanto mais gente burra, mais votos para os candidatos quando eles beijam crianças no colo e tiram o lixo das praias – e olha que ele só precisa fazer isso uma vez a cada quatro ou oito anos.


1“Revoltado de grama” no dicionário Poesístico, se refere às pessoas que ingressam em universidades públicas, sejam federais ou estaduais, e ficam o dia todo com a bunda sentada na grama, fumando seu cigarrinho, viajando na batatinha, vendo o mundo passar e resolvem, de tempos em tempos, tirar a bunda de lá para fazer protestos sobre assuntos que surgem durante as suas “introspecções”.

2“Itapopoca do Sul”, no dicionário Poesístico, se refere a qualquer cidade em qualquer canto do país, não importando quão longe ela esteja e nem mesmo o seu número de habitantes ou importância econômica.

16.5.06

O PCC, a TV e o frenesi popular

Não sei porque hoje me veio a mente uma história do século passado, quando os nossos queridos coleguinhas viciados em petróleo, os norte-americanos, passaram por um frenesi popular causado por um programa de rádio.

Tudo isso aconteceu em 30 de outubro de 1938, em um programa transmitido pela rádio CBS produzido pelo ator Orson Welles. No programa, Welles apresentou o texto “A Guerra dos Mundos”, do escritor inglês H. G. Wells, uma obra de ficção que descreve a invasão da Terra por um número altíssimo de naves marcianas. O texto original está em forma de narrativa, mas Welles resolveu apresentá-la no seu formato, simulando então as horas da invasão como notícias. A população entrou em um frenesi absurdo, desprevenida de que o conteúdo era ficcional, devido a uma combinação de fatores, mas o principal deles é no momento em que a dramatização teve inicio e o conteúdo foi apresentado como a obra de Wells, poucas pessoas ouviam o programa – neste horário todos estavam ouvindo um outro programa muito popular nos EUA. Vale lembrar que em 1938 o rádio era o único e primeiro meio de comunicação em massa que se utilizava do imediatismo da informação, podendo apresentar os fatos onde e no momento que eles ocorriam. Quase todos os americanos entraram em pânico, do interior até Nova Iorque.

Lembrei disso hoje cedo, enquanto ia para o trabalho. O ônibus estava vazio e as poucas vozes ouvidas eram da cobradora conversando com uma passageira e de umas outras duas pessoas que batiam papo sobre o que passamos nestes últimos dias.

Era evidente que a comoção popular foi imensa com relação aos fatos do final de semana e todos os policiais mortos, ônibus incendiados e meia dúzia de agências bancárias atacadas criou uma nova mitologia popular. Na verdade, tudo se transformou em uma história que pode ter um paralelo ao 11 de setembro. São histórias distintas, com números bem diferentes e dentro de um outro contexto, porém, a nossa segunda-feira, 15 de maio, foi semelhante aos dias que se seguiram ao dia do ataque às Torres Gêmeas, mas com uma pitadinha do programa do Welles.

Fomos cercados por boataria e todo mundo ficou sem saber o que fazer. Toda a população acreditava que os absurdos que aconteceram no final de semana estavam se repetindo. A televisão passava imagens do final de semana em um tipo de coletânea como se aquilo houvesse ocorrido naquele instante, não havia nada falando que eram imagens da sexta-feira e do sábado. Exibiam-se imagens de sangue em viaturas policiais, sangue nas ruas, delegacias com buracos de bala, bonés da PM com perfurados e ensaguentados, granadas nas ruas e todas as imagens que podiam causar impacto. As emissoras buscavam aumentar a audiência e resumir a história toda. Pela Bandeirantes, pela Record, pela Rede TV, pelo SBT e pela Globo eram vistas as imagens do final de semana – todo o estado de São Paulo era bombardeado pelas informações como se aquilo estivesse acontecendo ainda. Só que ninguém mostrava que aquilo havia acontecido e também não noticiavam de fato o motivo do caos urbano da segunda-feira pós ataques contra policiais.

O problema era mais simples e não estava sendo causado pelo PCC e nem mesmo por tiroteios, nem mesmo pela policia que caçava os seus agressores. O que causou o caos urbano foi a parada da frota de ônibus da cidade, que ficou quase toda na garagem. O motivo? No dia anterior até a madrugada da segunda, os mesmos bandidos que atacaram policias e delegacias resolveram levar o caos para que os civis sentissem na pele o seu poder. Não houve baixa civil alguma, mas eles incendiaram quase 60 ônibus e aproveitaram-se de outros criminosos aproveitadores que copiaram as atitudes do PCC para poder “ganhar moral” no mundo do crime, uns copycats de merda que acharam a oportunidade certa para falarem por aí “eu sou do PCC”, mesmo que nem saiba o que a sigla significa.

As empresas de ônibus ficaram assustadas e decidiram não levar a sua frota para as ruas, com medo de mais prejuízos e querendo que o Estado tomasse providências para preservar o seu patrimônio. Então, com os ônibus na garagem sem um aviso prévio a população ficou como se locomover na cidade. Aí então o caos se espalhou, como acontece em São Paulo toda a vez que os ônibus ou os trens resolvem parar. Ninguém conseguia ir para lugar algum, mas o agravante foi que a televisão, rádios e afins mostravam a população uma outra verdade: associavam aos atentados do final de semana a zona toda da segunda-feira. Não era de todo mentira que a causa foram os problemas do final de semana, mas a causa direta eram os ônibus parados – criou-se o

Digo que isso foi histeria popular, puro frenesi causado pelo tratamento sensacionalista que quase toda a mídia deu ao problema. Se não é frenesi popular, então porque Sorocaba, minha cidade natal, foi atingida pelo mesmo caos de São Paulo? Só que o de lá foi diferente, todo sorocabano queria ter uma notícia sobre o que estava acontecendo e fazer parte do drama que via na televisão. Os números de Sorocaba são bem inferiores ao de São Paulo, mesmo que por lá também tenham atirado contra policiais e delegacias, mas se foram 5 os atingidos já é exagero. Ah, sim, queimaram UM ônibus lá, mas continuo a acreditar que foi um bandidinho, desses ladrões de galinhas copiadores que aproveitaram para mostrar o quanto são malvados. Os quase 700 mil sorocabanos acharam que estavam no meio do fogo cruzado também! Minha mãe me ligou, amigos me ligaram, minha irmã mandou e-mail e por aí foi! Todo mundo em pânico, assustado e achando que estavam atirando contra as casas, contra os bancos e contra tudo o mais! E lá se foi o pessoal voltando para casa mais cedo, não indo para a aula a noite e tudo o mais. Entramos no terror causado pela mídia, todo mundo com medo de algo que não estava acontecendo perto!

Foi como o medo de bombardearem o país na Segunda Grande Guerra, que minha avó contava que todos sentiram, mesmo que a guerra estivesse em outro continente e que o Brasil nem passasse perto de ser uma nação agressora ao Eixo (o nome da aliança entre Alemanha, Itália, Japão e paisecos que apoianhavam Hitler).

A mídia fez um papel ambíguo, oras esclarecendo, oras cagando tudo. Como sempre, os prêmios para “gerador de pânico” devem ir para Record, Bandeirantes e RedeTV, afinal, sem eles não saberíamos de opiniões super relevantes, como as do apresentador Datena.

E eu sou obrigado a ouvir ainda de gente esclarecida que o ontem a cidade estava uma merda mesmo, que ontem havia o perigo, que ontem havia o medo e que imprensa fez o papel dela. Não é a notícia ou o fato que importa, mas sim a maneira como ele é exibido.

O sentimento gerado foi potencializado e aumentado, ontem a cidade estava segura? Podia estar, mas o paulistano não iria sentir isso, afinal, ainda era recente o sentimento de impotência e tudo aquilo parecia estar agindo na mente. Adrenalina disparada pelo medo. Só que a mídia tratou o assunto de forma recursiva, voltava ao mesmo ponto como se tudo estivesse ocorrendo ainda, filmava carros de polícia em blitz pela cidade e tentavam pegar furos de reportagem. Falavam que haviam atirado contra policiais em algum lugar, que haviam prendido não-sei-quem em não-sei-onde e tudo foi aumentando, como se todos os crimes que ocorressem na cidade fossem pensados e tramados pelo PCC, como se tudo fosse interligado.

Ao invés de acalmar a população, de esclarecer os fatos, a mídia lutou para produzir o melhor show, explicar da melhor forma como tudo aconteceu e ficar batendo na mesma tecla, como se ontem ainda estivessem ocorrendo agressões sérias contra a força policial e como se tudo fosse gerado pela insurreição dos criminosos.

Em um passe mágica a mídia se tornou mais uma vez a causadora de mais mal entendidos do que esclarecimentos, armando o seu circo como fez em 1992, quando invadiram o Pavilhão 9 do Carandiru e meteram bala em todos os presos. Só que foi mais divertido, afinal, bancar o Welles é mais interessante que bancar Deus, pois com informação você define se Deus existe ou não, podendo até inventar novos deuses!

Se não foi excessiva a postura da mídia me expliquem porque diabos os sorocabanos ficaram preocupados! Por que lá em Itapopoca do Sul as pessoas achavam que iam levar bala? Por que os celulares caíram na segunda? Por que isso não aconteceu no sábado? No domingo? Eu não recebi ligação alguma no final de semana para saber se estava tudo bem, a não ser da mãe da minha noiva porque havíamos pego estrada para ir a uma festa no sábado a noite.

O sentimento gerado ontem é culpa sim de uma ação criminosa que tirou os ônibus das ruas, mas o caos urbano foi causado pela retirada dos ônibus e não pela continuidade dos atos de sexta e sábado, mas tudo isso foi potencializado, mais uma vez, por nossa querida mídia e provou-se mais uma vez que a mídia impressa ainda é a mais confiável, juntamente com os jornais sérios que tem seu material na Internet – televisão e rádio ganharam mais pontos em sua capacidade de aterrorizar mais e esclarecer menos, já que perderam ótimas oportunidades de tranquilizarem a população ao invés de gerar pânico em massa.

Agora vamos esperar, porque vai ter um monte de psiquiatra e psicólogo feliz porque aumentaram as crises de pânico. E dá-lhe Maracujina e Vitassae na galera!

3.5.06

Jogue no lixo seu conhecimento, o que vale é saber pra quem oferecer o café primeiro

Observação é uma maneira interessante de se aprender um tanto de coisas, mesmo que a frustração flerte bem de perto as vezes conosco, podemos tirar lições valiosas de tudo o que nos cerca.

Aprendi algo valioso: você pode se reciclar, saber aplicar o máximo possível seus conhecimentos e estar mais preparado do que a grande maioria do mercado em que você atua, mas nada disso importa quando existem “interesses maiores” envolvidos.

Quando apertam a sua “bundinha” você não tem muito o que fazer a não ser falar amém. Então você pega tudo aquilo que sabe, todo o conhecimento fundamentado, todas as horas que passou aprendendo como utilizá-lo da forma correta e ignora, porque assim o pediram. Não adianta bater o pé, afinal, a pessoa que solicitou que você ignorasse o seu conhecimento tem poder maior que o seu. Ignore também que as sugestões que você tem não são apenas palpites, mas você colocou-as em prática para oferecer uma solução. Não ligue se não vão ouvir o que você a dizer ou que vão jogar a solução pela janela, afinal, não é por competência que a decisão foi tomada, mas sim por poder.

O “poder” é algo interessante, tanto como substantivo como verbo, pois ele inibe outras ações. É a famosa ciranda de influências que vive a solta por aí – e você deve saber o seu lugar, o de apertador de botões. As instituições exigem pessoas proativas, que tenham algo a adicionar e que briguem para o melhor para o desenvolvimento interno, mas na hora de colocar em prática ganha, na maioria das vezes, aquele que bebeu mais cervejas com alguém superior a você.

Acho que a competência deveria ser aposentada e o número de cervejas colocado acima do conhecimento, afinal, não adianta você encaminhar as coisas para os melhores rumos, pois no final são as pernas trançadas que irão definir para onde se deve seguir.

Esqueçam tudo o que aprenderam na vida e, principalmente, toda a teoria acumulada, pois, na prática, o que importa são os tapinhas nas costas e aqueles sorrisos todos de salas de reunião.

Competência pra que quando você joga futebol, toma cerveja ou dá tapinhas nas costas da pessoa certa?

Vou sair por aí dando tapinhas nas costas, com o meu conhecimento adquirido eu posso ficar sem estudar por décadas e ainda os tapinhas vão conseguir esconder as falhas que vão se abrir em meu conhecimento, afinal, o que vale de fato são os meus olhos azuis, que se foda o que tem atrás deles.

Nota mental: preciso começar a usar terno e gravata, talvez assim eu seja uma pessoa melhor.

24.4.06

Porque as pessoas me irritam

"Do. Or do not. There is no try." - Yoda

Por vários e vários anos eu tentei ser uma pessoa melhor, hoje sei que não sou alguém melhor e que isso não será possível, o que eu posso tentar é melhorar sempre. È mais ou menos como tentar alcançar o divino, naquela história da tríade budista representada pela letra Ohm () - corpo, alma e mente, todos os três em busca do divino, que fica separado e desligado de ambos.

Agora eu assumo a minha frustração e começo a seguir um rumo diferente. Tento não só “melhorar a mim mesmo”, mas também a tentar melhorar as coisas que estão a minha volta. Poderia sugerir ao mundo que isso é altruísmo ou que eu sou uma pessoa “iluminada”, mas a verdade é outra – quero um mundo decente para que eu possa viver do jeito que acho correto e também um mundo decente para os meus filhos. Não quero a paz mundial, porque o homem nunca vai conseguir viver em paz, mas quero objetivos mais básicos, quero poucas mudanças, mas que elas ocorram de fato.

E devido a tudo isso descobri algo amargo: as pessoas me irritam. Sim, o ser humano me irrita porque gosta de ser ignorante e permite que outras pessoas montem em cima deles – e não é de hoje isso, sempre foi assim. Quando você lê as palavras de filósofos antigos e até mesmo de gente mais “nova”, como Nietzche, Kropotikin, G. Orwell, Tolstoi e afins você vê essa preguiça de mudar e de fazer que é inerente ao ser. Isso me enerva e ultimamente tento ao máximo combater essa postura nos outros.

Acham que eu estou falando besteira? Tudo bem, vamos então tentar pensar um pouco.

1. Você sabe os seus direitos?

Se a resposta é positiva e você sabe a maioria dos seus direitos como cidadão brasileiro e como ser humano, então pare e pense como você os aprendeu. Alguém lhe disse? Se sim, quem? Seus pais? Sua namorada ou namorado? Seus amigos? Ou você foi atrás por conta? Na verdade, os seus direitos deveriam ser ensinados na escola, mas se você foi atrás deles, parabéns, você faz parte da minoria. Pergunta para sua empregada se ela sabe quais são os artigos dos direitos humanos; na verdade, nem precisa perguntar se ela sabe os artigos, mas sim o que definem esses direitos e o que ela tem como garantias. Tenta agora perguntar para o seu porteiro, para o tio da banca, para o cobrador, para o motoboy que entrega pizzas pra você ou para o seu amigo do apartamento ao lado. A maioria das pessoas não saberá responder a sua pergunta.

Agora, tente com a Constituição, que define os direitos e deveres da pessoa como cidadã do país.

Sim, você vai ficar assustado, pois ninguém sabe o que pode ou não ser feito quando um carro da polícia te para na rua e começa a pedir para que você tire seus tênis e peça os seus documentos ou para revistar a sua bolsa. Você precisa saber, por exemplo, que você não tem o dever de tirar o seu tênis, que você não pode tirar a sua meia, que eles não podem pedir para que tire a sua camisa (levantar na altura da barriga eles podem) e também não podem colocar a mão dentro da sua bolsa ou carteira. Só que você sabia disso? Creio que se souber faz parte da minoria que teve acesso a essa informação porque (1) seus pais trabalham na área de direito ou (2) você está fazendo faculdade de direito.

Enfim, isso me irrita, porque o ser humano não sabe nem se pode ou não peidar no elevador e vem se metendo na vida alheia como se soubesse de tudo, como se os valores morais que são naturais ao INDIVIDUO pertencessem a eles e a sua doutrina pseudo-religiosa definisse tudo o que deve ser sabido. Arghs!

2. Mandam eu fazer, eu faço

Arghs, esse é o motivo mais estúpido de todos. Herança retardada da mente colonizada e apertada por todos esses séculos por uma sociedade baseada em oligarquias agrárias e elites que sempre deixaram o povo o mais estúpido possível para não reclamar do pasto cheio de bosta que ele é obrigado a utilizar como comida.

As pessoas não se mexem e, quando você questiona porque não agiram com relação a algo, dizem “ninguém me pediu pra fazer”.

Proatividade e necessidade de mudança, ação frente aos perigos, desafios e injustiças. Ninguém sabe de nada então ninguém é obrigado a fazer nada. As pessoas foram condicionadas a serem passivas, a não exigirem mudanças na estrutura da sociedade.

Porque não fazem igual o pessoal fez lá na Bolívia e fazem uma greve geral para solicitar mudanças que melhoram a vida do povo? Não, nem os bolivianos fizeram direito e, segundo fontes oficiais (nas quais eu não costumo a acreditar muito não, principalmente porque defendem os interesses de quem está no poder – isso pra mim se chama propaganda) só 30% da população do país aderiu a greve.

3. Não adianta votar, afinal, político é tudo ladrão

Frase e espírito pra lá de idiota. Poxa, se você não acredita em política, então começa a batalhar pra fazer a sua política. Caso você não acredite que os políticos são honestos (como eu não acredito), então faça algo pra mudar. Comece a pesquisar sobre pessoas que também acham isso e comece a olhar com cuidado onde você coloca os seus pezinhos. Não adianta bancar o revoltado punk de esquina e falar “não brinco mais”, tem que fazer algo pra mudar o sistema de verdade, ao invés de ficar arrotando ideologia adolescente.

Taí, as pessoas me irritam profundamente com esse conformismo. Não é só com relação a isso, é com relação a tudo. A maioria é burra e ainda acredito piamente que o coletivo é inercial, a massa é ociosa e segue o fluxo mais fácil – a lei do menor esforço não foi feita pelo Gerson, mas sim por algo bem mais antigo, mais incrustado na natureza humana.

4. Passa na TV, então é verdade

Outro motivo porque as pessoas me irritam, mas que acaba sendo gerado pela mesma preguiça mental dos dois anteriores.

Se na televisão passa alguma coisa, então aquilo é fato consumado e não é mentira. Pare, como a televisão mentiria para a gente, afinal, ela nos educou da década de 1970 até os tempos atuais. Impossível que nossa fiel matriarca e divulgadora das verdades universais estaria divulgando informação não condizente com a verdade factual.

O problema não é a televisão, mas toda a mídia e todo o jornalismo. A televisão não divulga a verdade, mas sim um aspecto dela. Acaba sendo parcial sim, divulgando informações que defendam os interesses da emissora de TV ou rádio, do conselho diretor ou do patrocinador. O governo tem parcela nisso, afinal, quando a mídia resolve apoiar ou ir contra ele, aí dá pano pra manga.

Isso não acontece só no Brasil, não vou falar que o brasileiro é estúpido, mas todo mundo o é de verdade. O ser humano parece um amontoado de parasitas nas costas de um caramujo seguindo para onde a massa flácida, gorda e gosmenta vai.

Neste final de semana tivemos um exemplo muito próximo disso. A mídia resolveu fazer um auê danado sobre uns problemas com “skin heads” que ocorreram na região dos Jardins, entre a Rebouças e a Consolação. Segundo a imprensa e testemunhas a culpa foi dos “carecas”, mas os fatos são bem diferentes do que a imprensa divulgou a sete ventos. O Terra, UOL, Folha e a Globo resolveram fazer a barulheira, um dramalhão repetitivo com relação a agressão aos “homossexuais e simpatizantes” na rua.

A verdade é um pouco mais dura, porque eles agrediram sim as pessoas que estavam na Alameda Itu, fizeram isso com outras pessoas na Rua da Consolação, mas os fatos estavam todos misturados, exagerados e localizados de forma errada. Em uma matéria no Terra se dizia que haviam retirado as pessoas de um bar na esquina da Itu com a Consolação, mentira, pois o que tem lá é o Omalley’s, o lugar mais hetero do mundo (principalmente porque é onde os gringos e “branquelos” se encontram, pois é um pub IRLÂNDES, sabiam?). Essa foi só uma das besteiras, porque a pessoa que morreu no final de semana lá foi esfaqueada e estava na calçada, no meio da muvuca e, até onde eu sei, não era “uma bicha”, mas um punk que estava pelos arredores e havia mexido anteriormente com as figuras que passaram “tocando o terror” por lá, ou seja, pegaram ele de verdade porque ele motivou a agressão com aquela dureza.

Sabem de outra coisa que a mídia não falou pra vocês? Que a rua estava cheia de gente nas duas noites que passaram por lá e ninguém, absolutamente ninguém fez nada para impedir a violência. O número de pessoas na rua era bem maior do que o volume de agressores e não houve esboço de reação alguma, ah, na verdade houve sim, todo mundo correu para todos os lados. Como as pessoas vão exigir serem respeitadas se não defendem quem está precisando, mas o pior é que vai cada um por si e que se foda o outro que está sendo estourado a base de chutes. Sim, é isso que acontece e a imprensa não fala nada a respeito, afinal, se defender é crime, não é mesmo? Ops, na verdade, não é!

5. Ah, estou com preguiça de ler tudo isso

Se você chegou até aqui este não é o seu problema, mas é o da maioria das pessoas. Ninguém lê nada, ninguém para dez minutos que seja para ler um texto que fale sobre qualquer coisa relevante. Todos vivem em uma cultura de “ligeirezas”, pois frases com mais de cinco palavras ou que levem mais de dez segundos para se absorver são muito. É uma cultura de fast-food, onde as pessoas estão acostumadas a absorver a informação dos comerciais de TV, outdoors e afins, mas não conseguem absorver informação relevante. Todo mundo sabe o novo slogan da Coca-Cola ou do Mac Donalds, mas ninguém se interessa de fato para saber o nome do Vice-Presidente, Vice-Governador ou Vice-Prefeito, mesmo quando os Vices acabam governando no lugar dos titulares diversas vezes e, mesmo que você não tenha votado nele, quando elegeu seu candidato colocou aquele outro cara que você não confia muito junto (aliás, nessas horas você tem que ter em mente também o “conte-me com quem andas que eu te direis quem é”).

Ninguém quer ler nada pois não tem interesse, é mais fácil receber idéias digeridas do que pensar por conta, é mais fácil ser liderado que tomar suas decisões e é mais fácil deixar que tudo acabe em merda pois não é você que vai ter que limpar depois - bem, não em um primeiro momento, mas quem aguenta o mau cheiro é SIM você.

12.4.06

12/04/2006

A opção militar contra o Irã ganha força em Washington

Várias publicações americanas respeitadas dão conta da realização de preparativos para uma intervenção nuclear aérea; o governo desmente

Corine Lesnes
correspondente em Washington

A opção militar contra o Irã, que por muito tempo foi vista como pouco praticável, já passou a ser considerada abertamente em Washington. Os que não acreditavam nela mudaram de opinião. "Até recentemente, eu atribuía essas hipóteses de ataques militares a iniciativas de 'blogueiros' ou de adeptos das teorias da conspiração", explicava, dias atrás, o especialista Joseph Cirincione. "Agora, a minha hipótese de trabalho é que certos membros da administração, entre os quais o vice-presidente (Dick Cheney), decidiram que a opção preferível é de atacar o Irã, o que desestabilizará o regime".

Um especialista reputado nas questões de proliferação nuclear, Cirincione acaba de publicar na revista "Foreign Policy" um artigo intitulado: "Me enganem duas vezes". Nele, Cirincione estabelece um paralelo entre a situação atual e o período que antecedeu a guerra no Iraque. Atualmente, a retórica oficial passou a pressionar mais. Agora, o Irã é qualificado de "ameaça principal".

Simultaneamente, diversos vazamentos na imprensa reforçam a idéia segundo a qual o programa nuclear iraniano poderia ser muito mais adiantado do que se pensa. "Isso me lembra a campanha muito coordenada que nós observamos antes da guerra no Iraque", analisa.

Joseph Cirincione não deve ter se sentido nem um pouco tranqüilizado com a leitura dos jornais durante este fim de semana. Em primeira-página, o "Washington Post" informava, no domingo (9/4), que os Estados Unidos vêm se preparando para uma confrontação com Teerã, enquanto eles prosseguem paralelamente suas articulações no quadro diplomático, efetuando aquilo que o diário chama de um exercício de "diplomacia coercitiva".

Nenhum ataque é "provável a curto prazo", sublinha o "Washington Post", mas os alvos foram repertoriados, a começar pela usina de enriquecimento de urânio de Natanz, mesmo se a amplidão dos ataques ainda não foi decidida (conheça as diferentes opções possíveis na lista abaixo).

No jornal semanal "The New Yorker", o jornalista Seymour Hersh afirma, ele também, que os preparativos já alcançaram o estágio operacional. Ele menciona, sobretudo, que o recurso a armas nucleares táticas não está excluído para destruir construções dissimuladas a mais de 20 metros debaixo da terra.

Segundo este jornalista, autor de vários "furos" de notícia no campo militar, os responsáveis das forças armadas ficaram surpresos, e, no caso de alguns deles, chocados, quando receberam um pedido para conservar a possibilidade de ataques nucleares, enquanto eles queriam excluí-la de antemão.

A credibilidade de tais informações é difícil de estabelecer. Em todo caso, elas se tornam de conhecimento públicos num momento crítico, quando uma queda-de-braço vem sendo travada entre o Irã e o Conselho de Segurança.

A ONU deu a Teerã até o final do mês de abril para abandonar suas atividades de enriquecimento do urânio. O diretor da Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, deve viajar nesta quarta-feira para Teerã, segundo revelaram diplomatas próximos à AIEA. Conforme explicou um dirigente anônimo em entrevista ao "Washington Post", trata-se principalmente de convencer os iranianos de que "tudo isso está ficando cada vez mais sério".

O chefe da diplomacia britânica, Jack Straw, considerou "maluca" a hipótese de um recurso à arma nuclear. O porta-voz do ministério iraniano das relações exteriores, por sua vez, indicou que o Irã não está nem um pouco impressionado com esta "guerra psicológica" que os Estados Unidos vêm conduzindo "por desespero". O antigo rival do presidente Bush, o democrata John Kerry, falou de "diplomacia de cow-boy".

Contudo, as revelações foram consideradas como sérias o bastante para que o conselheiro para a comunicação do presidente Bush, Dan Bartlett, achasse por bem prestar alguns esclarecimentos já no domingo. Os Estados Unidos estão conduzindo "preparativos normais, seja no plano militar ou no da inteligência", disse. "E a diplomacia continua sendo a "prioridade" do presidente Bush", acrescentou.


A opção militar vem ganhando terreno. Confrontados ao fantasma de uma guerra civil no Iraque, vários responsáveis americanos estimam que eles não vão conseguir estabilizar o Iraque ou o Afeganistão enquanto o Irã ou a Síria incentivarem a insurreição e o terrorismo.

Existe um outro fator de peso: George W. Bush está cumprindo seu segundo mandato presidencial e não poderá, portanto, se candidatar em 2008. Segundo Seymour Hersh, o presidente Bush se considera como o único dirigente capaz de ter a "coragem" de impedir o Irã de se dotar da arma atômica.

Os cenários possíveis

Ataques: Apenas ataques aéreos estão sendo considerados, diferentemente do que ocorreu com a invasão do Iraque.

Modalidades de ataque: O Center for Strategic and International Studies (CSIS) fez um levantamento de diversas opções:

  • tiros de reprimenda: alguns mísseis de cruzeiro, para mostrar a seriedade dos Estados Unidos, atingem ao menos um dos centros suspeitos.
  • ataque limitado com 16 a 20 mísseis de cruzeiro. Apenas os centros
  • nucleares seriam alvejados.
  • ataque de maior proporção contra as instalações militares: 200 a 600
  • mísseis de cruzeiro, além de reides aéreos durante um período de três a dez dias.
  • ataque maciço durante várias semanas contra as instalações militares e civis: 1.000 a 2.500 mísseis.

Armas nucleares táticas: O jornal semanal "The New Yorker" evoca a utilização de armas nucleares anti-fortalezas subterrâneas do type B61-11 para destruir a principal usina nuclear iraniana, situada em Natanz.

"Pura especulação", segundo o presidente Bush

O presidente americano qualificou, na segunda-feira (10), de "pura especulação" as recentes informações sobre os preparativos para um recurso à força militar contra o Irã. "Eu li os artigos nos jornais neste fim de semana. Tudo isso é simplesmente pura especulação", declarou George W. Bush por ocasião de uma reunião pública em Washington.

"A doutrina da prevenção consiste em trabalharmos juntos para impedir os iranianos de terem a arma nuclear", disse Bush. "Eu sei que aqui, em

Washington (...), prevenção quer dizer recurso à força, [mas] isso não quer dizer necessariamente recurso à força. No caso, isso quer dizer diplomacia".


Esta notícia foi publicada pelo jornal "Le Monde" e está acessível para assinantes do UOL na URL http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2006/04/12/ult580u1926.jhtm.

17.3.06

Bíblia com “aviso de conteúdo”

Imagem da Bíblia com Parental Advisory

Sim, isso mesmo! A Bíblia deveria ter uma aviso de conteúdo, o famoso “Parental Advisory” que entra em jogos com cenas de violência e livros ou produtos de conteúdo, digamos, adulto. Pode parecer um absurdo, mas outro dia estávamos falando sobre isso e não é que o papo rendeu.

Porque diabos temos que nos preocupar com conteúdo violento em filmes, quadrinhos, livros, revistas e jogos eletrônicos? Oras, quando lemos a Bíblia, o livro mais sagrado do mundo (não que seja realmente o mais sagrado, mas é que sagrado para a maior parte da população ocidental, então vamos aceitar a opinião da maioria – mesmo que eu ache que O Pequeno Príncipe seja mais sagrado que ela) vemos dentro dela cenas fortes de sexo, violência e conteúdo adulto.

Tudo bem, você tem o direito de me questionar, mas eu aprendi bem com os Testemunhas de Jeová, que batiam na minha porta em Sorocaba quase todos os domingos e com os quais ficava discutindo horas e horas, que quando você não tem argumentos válidos (ou quer economizar tempo) é só citar uma passagem bíblica! Então, vamos “noés”:

Alegrar-se-á o justo quando vir a vingança; banhará os pés no sangue do ímpio.
- Salmos 58:10

Mas, ó SENHOR dos Exércitos, justo Juiz, que provas o mais íntimo do coração, veja eu a tua vingança sobre eles; pois a ti revelei a minha causa.
- Jeremias 11:20

Com ira e furor, tomarei vingança sobre as nações que não me obedeceram.
- Miquéias 5:15

O SENHOR é Deus zeloso e vingador, o SENHOR é vingador e cheio de ira; o SENHOR toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para os seus inimigos.
- Naum 1:2

Sobe, ó espada, contra a terra duplamente rebelde, sobe contra ela e contra os moradores da terra de castigo; assola irremissivelmente, destrói tudo após eles, diz o SENHOR, e faze segundo tudo o que te mandei.
- Jeremias 50:21

Especialmente indico a leitura do livro Juízes do capítulo 19 ao 21 é uma história bem interessante, que possui um bom parâmetro do que é certo de acordo com o Velho Testamento - vocês vão se emocionar com a intriga de sexo e sangue!!!!

Olha só, isso porque foi um levantamento BEM superficial, eu nem gastei tempo falando sobre outras passagens fantásticas e que mereciam atenção – e algumas morais um tanto estranhas, quanto a da parábola do Filho Pródigo que tanta gente usa como “exemplo de tolerância e moral”.

Tem outra ainda, pois a Bíblia deveria ter um aviso também relacionado ao tempo de uso, algo do tipo:

“Deve ser utilizado entre 1 e 4 horas por dia no máximo, pois pode causar danos na interpretação da realidade, fanatismo religioso e, em casos mais sérios, atentados terroristas. Indica-se o uso com moderação e cautela por pessoas com problemas psicológicos, tendências a esquizofrenia, histórico de uso de drogas alucinógenas e outros problemas de cunho psiquiátrico – também deve ser afastado de idosos ou pessoas com propensão a credulidade crônica.”

Imagine só uma propaganda da Bíblica escrita de forma mais agressiva no melhor estilo PoliShop:

“Compre a Bíblia Sagrada: um livro com conflitos pessoais, assassinatos, conspirações, guerras, sexo, terror e assuntos paranormais – não perca o volume especial, com uma réplica em resina de David estourando a cabeça de Golias. Não perca essa oportunidade. Se você comprar agora ainda leva de brinde um livro de ‘Perguntas e Respostas Religiosas Para Seus Filhos’, respondendo questões como ‘Por que Jesus Cristo tinha cabelos compridos como uma bicha?’ e ‘Papai Noel é o Diabo?’.”

Oras, e não foi só a gente que pensou nisso, o assunto já roda por aí há um tempo e achei uma matéria, em inglês, intitulada “Bibles to be Published With Parental Advisory Labels” (algo como “Bíblia é publicada com quadros de Aviso de Conteúdo”) – aliás, todo o site é ótimo, cheio de matérias pra lá de hilárias (só rindo mesmo).

Da próxima vez que chegarem perto da Bíblia, vejam se colaram o selinho lá. Se não o fizeram, então ignore-o da próxima vez que for comprar um jogo para os seus filhos ou sobrinhos ou primos, afinal, no Catecismo ou na Escola Dominical ele terá aprendidos coisas mais interessantes e com embasamento mais sério – oras, a Bíblia não está certa acima de todas as leis?

E se precisarem da Bíblica, vocês podem encontrar ela na Internet com um ótimo sistema de busca em http://www.bibliaonline.net . Boa sorte!

Caça às bruxas: agora vai ser com o The Crims!!!!

Quem não conhece o jogo The Crims levanta as mãos... e passa a grana! Tá, tá! É uma piada para quem já conhece. The Crims é um jogo “web based”, ou seja, você utiliza o browser para jogar, escolhendo o que se fazer durante uma seqüência de turnos. O jogo faz cálculos baseados em suas ações. Jogos “web based” são os pais dos tais jogos massivos online (World Of Warcraft e Ragnarok são dois bons exemplos) e foram muito populares lá fora durante a década de 90 (e até agora, viu?).

O que tem de tão especial então nesse tal The Crims? Simples, o jogo é engraçado por se basear na idéia que você vive em Crim City, uma cidade inspirada na idéia do Frank Miller chamada Sin City, onde o crime anda solto e você deve fazer o papel de um tipo de bandido dentro desse contexto. Você escolhe entre vários tipos de criminoso () e o seu objetivo é ganhar respeito dentro do submundo. Para ganhar respeito você deve fazer assaltos, que vão desde lojas de 1,99, passando por velhinhas, Casas Bahia e acabando, no modo solo, no Museu Nacional de Crim City.

Para você roubar é preciso que a sua barra de energia, chamada no jogo de “Estamina” esteja no mínimo necessário para efetuar os crimes. Para aumentar a sua energia você pode esperar o tempo passar ou usar drogas em boates e raves para que ela aumente. Com os roubos você ganha dinheiro que, por sua vez, é utilizado para usar mais drogas – você entra em um ciclo e, quando as drogas não surtem mais efeitos, deve ir para o hospital fazer uma desintoxicação. Só que não pára por aí. Com a grana que vai sobrando você pode fazer investimentos em putas e depois em fábricas de drogas – com o tempo você recolhe a grana das putas, o produto das suas fábricas e vende no tráfico de drogas.

Está bem, está bem. Este jogo é bem pior que um papo de jogadores de RPG do tipo “então, eu peguei a minha montante e arranquei o pescoço do dragão com um só golpe, mas o anão entrou no caminho e acabei decepando sua mão direita”.

O jogo é bem divertido e o sistema de regras permite que você se divirta sem deixar a sua vida de lado. Com o tempo você monta uma gangue dentro do jogo e pode fazer assaltos em grupo, o que é uma boa quando você tem um grupo grande de amigos nerds – isso rende várias e várias risadas durante finais de semana que poderiam ser tediosos.

Devido a essa temática, que flerta em muito com o jogo GTA, iniciou-se a perseguição. The Crims pode ser proibido para jogadores brasileiros ou seus donos processados por incentivar a violência ou o uso de droga entre os menores. Eu já vi esse tipo de besteira acontecer, quando teve aquele massacre lá em Columbine, nos Estados Unidos, e jogaram a culpa toda no tipo de música (Manson), no RPG, nos jogos de computador (Doom) e no cinema (Matrix). É tão mais fácil escolher um alvo e acertar ele com besteiras desse tipo, principalmente porque não é um jogo que deixa as pessoas mais ou menos violentas, mas sim a criação, a índole, a família e o momento – caso contrário era para eu ser um psicopata, porque eu ouço Manson, assisti Matrix várias vezes, jogo RPG e jogos de computador de tiro, mas ainda tenho um agravante, vivo perambulando pela noite e pelas baladas. Meu Deus, fiquei com medo de mim!

A culpa da violência não está na ficção, não é um filme ou um jogo que vão fazer com que uma pessoa se torne uma criminosa, mas uma série de aspectos que a sociedade prefere ignorar. O criminoso nasce porque os criamos todos os dias, na pressão do cotidiano, na falta de oportunidades, na facilitação ao acesso a drogas e armas de VERDADE, na diferença social, na falta de educação e nas disparidades que estão aí dia-a-dia nos jornais. Juro que com GTA eu não aprendi como espancar alguém até a morte e nem com The Crims eu aprendi a gerenciar um cartel de drogas – isso não se aprende em simuladores divertidos. Não virei um viciado porque prefiro usar Cogumelos Alucinógenos e Ópio ou por ter certeza que Heroína é cara e não dá retorno financeiro, pois isso são dados que eu uso somente para um jogo de computador imbecil que eu participo para matar o tempo livre e dar assunto pro final de semana chuvoso e massante!

Vão começar outra vez com o discurso politicamente correto e corremos o risco de não podermos mais fazer o que queremos, mesmo que seja inofensivo. Daqui a pouco vão nos colocar coleiras e sensores para saber o que estamos pensando, para que se tivermos algum pensamento violento possam expurga-los de nossa mente com eletro-choque.

Qual será o próximo alvo? Hein? The Sims? Star Wars? Eu não sei... mas logo ele virá!

P.S.: Uma foto ilustrativa você acha no meu fotolog!